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Juros são os maiores em 20 anos

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A taxa de juros do cheque especial – crédito de um determinado valor vinculado à conta bancária – subiu mais uma vez no mês de março, atingindo a marca de 220,4% ao ano. Segundo o Banco Central (BC), responsável pela divulgação dos dados, essa é a maior desde dezembro de 1995, há 20 anos, quando a taxa chegou a 242,2% ao ano.

Mas os aumentos não se restringiram ao crédito especial em março. Os juros do cartão de crédito rotativo – quando a fatura do cartão não é paga na totalidade – chegaram a 345,8% ao ano, a mais alta de todas as modalidades de crédito no mês. Segundo o BC, esse é o maior patamar desde março de 2011, mês que marca o início da série histórica.

De acordo com o economista José Luiz Miranda, a alta nos dois casos está diretamente ligada ao valor da taxa básica de juros, a Selic, reajustada em 12,65%. “Isso aconteceu porque a Selic está alta. Como ela puxa a queda ou o aumento das taxas de juros de mercado, todas as operações financeiras acabam sendo influenciadas por isso”,explicou.

 

Impactos

Conforme o economista, apesar dos juros exorbitantes assustarem, as taxas reajustadas só vão afetar a vida de quem está economicamente descontrolado. Isso porque quem mantém o cartão de crédito dentro de suas possibilidades de pagamento e quita o valor integral das faturas todos os meses não vai ser prejudicado. “Só vai sentir o aumento nos juros quem parcela a fatura do cartão, pagando somente o valor mínimo. Nesse caso é provável que se torne uma bola de neve”, comentou o especialista.

Em relação ao cheque especial, o economista diz que essa é uma opção para a hora do completo desespero e, nem em meses com taxas menores, é recomendada como opção de crédito. “A melhor forma é não contrair essa dívida, já que o cheque especial é calculado por dia. Se, no entanto, for preciso, o ideal é que o débito não se prolongue por mais de quatro ou cinco dias, para os juros não serem tão assustadores”,acrescentou.

 

Na prática

Para que os leitores entendam melhor essa relação, o economista Eber Vaz fez simulações de dívidas no cartão de crédito rotativo e no cheque especial, levando em consideração os juros dos três primeiros meses de 2015. Para ambos os casos, foi considerado um valor de R$ 1mil.

No caso do cartão de crédito rotativo, em janeiro – quando os juros vigentes eram de 334,6% ao ano –, a taxa extra atribuída à fatura de uma pessoa que deixasse de pagar R$ 1 mil seria de R$ 130,25, sem levar em consideração as taxas de administração e impostos. Em fevereiro (342,7% ao nao), seria de R$ 131,99; e, em março (345,8%), de R$ 132,45.

Em relação ao cheque especial, se o saque fosse também de R$ 1 mil e demorasse 30 dias para ser quitado, geraria uma taxa extra de R$ 98,30, em janeiro, quando os juros vigentes eram de 209% ao ano. Seguindo o mesmo raciocínio, em fevereiro (214,2% ao ano), o total a pagar além do valor sacado seria de R$ 100,10; e, em março (220,4% ao ano), seria de R$101,90.

 

Perspectivas

De maneira geral, os economistas não acreditam que os juros recuem nos próximos meses. Segundo José Luiz Miranda, a aposta do setor econômico é que a Selic passe por, pelo menos, mais dois reajustes antes de chegar a um patamar estável. “Mas isso também vai depender muito das políticas econômicas que estão sendo implantadas e da forma que a inflação vai reagir nos meses futuros”, comentou.

Eber Vaz concorda com o ponto de vista. Conforme ele, se houver melhoras será em médio ou longo prazos. “Antes do segundo semestres é difícil o cenário econômico mudar”, pontuou.

Com informações de O Popular

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