Um trabalhador rural de 56 anos morreu em Piracanjuba, no sul de Goiás, após ser picado por uma serpente e apresentar parada respiratória, segundo relatos da família e comunicações oficiais. A vítima foi identificada como José Carlos Bernardo de Campos. Familiares afirmam que a cobra era uma cascavel e alegam que a equipe médica não aplicou o soro antiofídico durante o atendimento.
De acordo com o relato da família ao veículo local, José Carlos foi picado enquanto trabalhava na quinta-feira (21). Ele procurou atendimento no Hospital Municipal Thuany Garcia Ribeiro e permaneceu em observação por cerca de quatro horas antes de receber alta. Ao voltar à casa de um irmão, o quadro clínico agravou-se: a vítima passou a ter dificuldade para respirar e queixou-se de sensação de “pescoço apertando”, sintoma que, conforme especialistas, pode indicar efeitos neurotóxicos típicos de envenenamento por cascavel.
A sobrinha usou as redes sociais para denunciar o caso e cobrar providências. “Os médicos do hospital simplesmente não aplicaram o soro antiofídico. Não agiram com a urgência que a situação exigia. Hoje, além do luto, fica a indignação, porque negligência médica também mata”, escreveu ela, segundo a versão da família.
Posicionamentos oficiais
A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) informou que a morte está sob investigação e que é necessário aguardar laudos para confirmar se o óbito foi causado pelo acidente com serpente. Em nota, a SES-GO lembrou que a conduta médica depende dos sintomas apresentados e de exames complementares, e que a orientação é observar vítimas por 12 horas quando a serpente não foi identificada, com vigilância de sinais neurológicos — como visão turva e diplopia — para avaliar a necessidade do soro antiofídico. A secretaria também afirmou que, caso a unidade procurada não disponha do soro, o serviço deve solicitar o antídoto ou encaminhar o paciente a um serviço de referência.
O Hospital Municipal Thuany Garcia Ribeiro declarou à TV Anhanguera que a equipe adotou procedimentos clínicos segundo os protocolos técnicos e que manteve contato com a Central de Informação e Assistência Toxicológica (CIATOX), órgão de referência para esses casos. Segundo a direção, o paciente foi observado e reatendido, e todos os procedimentos cabíveis foram adotados. A instituição afirmou também que, por sigilo médico e ética profissional, não pode divulgar detalhes do prontuário.
A SES-GO reforça que o tempo é fator determinante: “a avaliação clínica precoce e a administração oportuna do soro antiveneno, quando indicado, são fundamentais para reduzir a gravidade do quadro, prevenir complicações e evitar óbitos”, diz a nota.
A secretaria estadual informou que o caso seguirá investigação até a conclusão dos laudos. A família, por sua vez, segue cobrando apuração e responsabilização caso seja confirmada negligência no atendimento. Não há, até o momento, informações públicas sobre abertura de sindicância interna no hospital ou sobre transferência de responsabilidades entre unidades de saúde.
Você tem WhatsApp? Entre em um dos canais de comunicação do JORNAL DO VALE para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens, clique aqui
JORNAL DO VALE – Muito mais que um jornal, desde 1975 – www.jornaldovale.com
Siga nosso Instagram – @jornaldovale_ceres
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para a redação do JORNAL DO VALE, através do WhatsApp (62) 98504-9192











































