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Economia

Goiás tem 244 mil empresas com dívidas; economista alerta que melhora recente pode ser frágil

Apesar da queda em comparação com o fim de 2025, quando o Estado chegou ao pico da série recente, especialistas dizem que a melhora estatística não garante recuperação financeira real do setor empresarial.
Fotos: Denis

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Goiás registrou 244.254 empresas inadimplentes em abril de 2026, que juntas acumulavam cerca de R$ 4,13 bilhões em dívidas, segundo levantamento da Serasa Experian. Apesar da queda em comparação com o fim de 2025, quando o Estado chegou ao pico da série recente, especialistas dizem que a melhora estatística não garante recuperação financeira real do setor empresarial.

Em abril, as empresas goianas apresentavam 1,42 milhão de débitos negativados. A dívida média por CNPJ alcançou R$ 16.900,55, enquanto o valor médio de cada débito foi de R$ 2.904,02. Em dezembro de 2025, Goiás chegou a ter 284.141 empresas inadimplentes e R$ 6,42 bilhões em dívidas acumuladas — números que desde então recuaram, tanto no total de CNPJs negativados quanto no montante devido.

Para o economista Luiz Carlos Ongaratto, porém, parte da redução observada se explica por renegociações realizadas por instituições financeiras, não por quitação efetiva das dívidas. “Quando há renegociação, a dívida deixa de aparecer como inadimplente no balanço dos bancos. Isso não significa que foi paga; há ampliação de prazo, carência e reestruturação dos pagamentos”, afirmou.

Custo do crédito e consumo pressionam empresas

O especialista aponta que o cenário macroeconômico segue pressionando o caixa das empresas goianas. O alto custo do crédito, reflexo da manutenção dos juros em patamares elevados, é um dos principais entraves. Além disso, a perda de poder de compra das famílias tem dificultado o repasse de aumentos de custos ao consumidor final, comprimindo margens e reduzindo a capacidade de pagamento das empresas.

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Setor de serviços sustenta atividade

Apesar do quadro de endividamento, segmentos ligados ao consumo mantêm demanda aquecida. Ongaratto destaca o setor de serviços como responsável por parte da resiliência observada no mercado de trabalho e na abertura de novas empresas no Estado. No País, serviços concentram 55,6% das empresas inadimplentes, seguidos pelo comércio (32,4%), indústria (8,1%) e setor primário (0,9%).

“O setor de serviços guarda relação direta com o consumo das famílias e com processos de terceirização; por isso continua gerando empregos e atividade mesmo com níveis elevados de inadimplência”, observou o economista.

Débitos não financeiros predominam

Dados da Serasa mostram que os débitos não financeiros — como dívidas com fornecedores, prestadores de serviços, utilities e varejo — representam 76,4% das pendências empresariais no Brasil. As dívidas ligadas a bancos e instituições financeiras correspondem a 23,6%.

Perspectiva cautelosa para os próximos meses

O panorama para os próximos meses é de cautela. Ongaratto lembra que os próprios balanços bancários já indicam aumento das provisões para perdas, sinal que costuma anteceder novos episódios de inadimplência. Ele também cita o comportamento dos juros futuros: o aumento nas remunerações de títulos públicos indexados à inflação reflete maior percepção de risco e juros reais elevados, apontando para um ambiente de crédito mais caro.

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No âmbito nacional, a inadimplência empresarial atingiu recorde histórico em abril de 2026: mais de 9 milhões de empresas com contas em atraso e um total aproximado de R$ 220,9 bilhões em dívidas. Desse total, 8,52 milhões são micro e pequenas empresas, que concentram a maior parte dos registros negativos.

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