Em tempos de pandemia, o Papai Noel é virtual

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O carinho que as crianças transmitem é o que transforma o trabalho de Anicésio Leônidas de Carvalho em alegria e felicidade. Há sete anos ele representa o Papai Noel no Shopping Riosul, em Botafogo, zona sul do Rio, mas sua primeira oportunidade foi em Curitiba, onde mora. Ele lembra que até o Natal de 2019 era “muito bacana” o contato com as crianças, e receber um sorriso e um abraço sentado no trono do Papai Noel.

“A criança vê o Papai Noel de longe, vem correndo e pula no pescoço da gente, dá aquele abraço. E o abraço e o carinho de uma criança é uma coisa muito especial, isso me passava uma felicidade muito grande, por ver a alegria e a inocência da criança. É muito bom”, disse, em entrevista à Agência Brasil.

Aos 74 anos, o ator de Papai Noel disse que nem passava por sua imaginação chegar “a uma era dessa, de pandemia”, sendo obrigado a mudar a produção de seu trabalho, que hoje não pode mais ser presencial. Agora, ele conta com a tecnologia para se aproximar de seguidores fiéis e ávidos por fazer pedidos. “Eu converso daqui [de Curitiba] com a criança e chego a me sentir perto dela, que dá aquele sorriso, e vem aquela alegria de conversar, vendo o Papai Noel”, disse.

Até o dia 24 de dezembro, o contato das crianças com o Papai Noel vai ocorrer por meio de lives transmitidas por um telão, das 13 às 21h. Os registros fotográficos terão, inseridos digitalmente, um cenário com o trono e decoração típica natalina. Tudo conforme o protocolo, com regras de segurança e higiene. “Eu, aqui em Curitiba, e a criança, no Shopping Riosul. Para mim, é uma coisa inédita. Na minha concepção, o mundo mudou de verdade e muito. A tecnologia está muito adiantada.”

Vídeo Noel

Outra iniciativa do Shopping Riosul é o projeto Noel Virtual que, a partir de hoje (21) vai proporcionar videochamadas de até cinco minutos por WhatsApp, devendo ser agendadas previamente pelo aplicativo. Nas chamadas, a criança poderá conversar com o Papai Noel e pedir para gravar um cartão de presente para uma pessoa querida.

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No entanto, nada disso pode ser comparado com o que Anicésio Carvalho tem em sua memória. Ele conta que seu avô, produtor de farinha de milho, tinha um telefone grande, com fone e microfone separados, e era preciso fazer muito esforço para se comunicar.

“Lembro que, para o meu avô entrar em contato com o cliente, da cidade de 40 mil habitantes onde morávamos, às vezes era preciso pular na frente do telefone, falando alto para o cliente ouvir. Com o sistema atual, se me contassem há 20 ou 30 anos, eu diria que isso não existe e que nunca vai existir, porque é totalmente diferente.”

Mesmo com a comunicação digital, o carinho continua o mesmo e o contato com as crianças tem sido surpreendente, segundo Anicésio. “A gente nota a felicidade no olhar da criança. Parece que estamos pertinho, olho no olho, prontos para dar um abraço. Cruzo os braços e digo: esse é um abraço para você. Quando eu soube que ia trabalhar desse modo, não sabia que seria tão legal quanto está sendo”, afirmou.

Para compor o personagem, Anicésio se veste de Papai Noel em um estúdio de Curitiba. “É um cenário natalino. Está sendo bem melhor do que eu imaginava. Uma experiência novíssima. Se no ano passado chegasse alguém e me dissesse que este ano ia ser assim, eu não acreditaria e diria que era impossível. Mas é possível, sim.”

Shoppings

De acordo com levantamento da Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce), 43% dos associados terão o Papai Noel de forma virtual, devido à pandemia da covid-19. Eles seguem o protocolo sanitário estabelecido pela entidade, em parceria com a área de consultoria do hospital Sírio-Libanês, uma das referências em saúde no país.

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Pelo menos 24% dos shoppings ainda avaliam uma estratégia viável para o apresentar o Papai Noel e 19% não pretendem contar com o bom velhinho neste ano.

Segundo a Abrasce, aproximadamente 14% dos empreendimentos terão um Papai Noel isolado do público ou um boneco dele disponível para fotos. Para o presidente da Abrasce, Glauco Humai, o momento é de reforçar a confiança que o consumidor tem nos shoppings e recebê-lo com segurança para fazer suas compras, evitando fluxo intenso de pessoas.

Para a gerente de Marketing do Shopping Riosul, Fabiana de Luna, as crianças já têm familiaridade com a tecnologia. Isso foi ainda mais intensificado durante a pandemia, quando precisaram ficar em isolamento social e distantes, por exemplo, dos avós e sala de aula.

“Não vejo mais uma ligação dos avós com os meus filhos apenas por voz. São sempre por meio de vídeo. O avô que não gostava de mexer, acabou  aprendendo. Faz sentido, quando você pergunta se a criança quer falar com Papai Noel por vídeo. Ela está contextualizada, não é uma deformidade do processo. Faz parte desse momento”, disse Anicésio à Agência Brasil.

O ator de Papai Noel, que tem 8 filhos, mais de 20 netos, 4 bisnetos e 2 tataranetos, também tem um pedido ao bom velhinho: ele quer um socorro para a covid-19. “Eu mesmo, com 74 anos, sofro bastante. Tenho família grande e medo por meus filhos, sendo que alguns já pegaram a doença.”

Edição: Maria Claudia

Fonte: EBC Geral

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Saneamento urbano é a maior questão ambiental do Brasil, diz Salles

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O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou hoje (3) que problemas de saneamento em áreas urbanas, como a gestão de resíduos sólidos e o tratamento de esgoto, são a maior questão ambiental do Brasil. O ministro participou nesta manhã de uma live promovida pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sobre os desafios trazidos pelo Marco Legal do Saneamento, aprovado neste ano, para a gestão dos resíduos sólidos.

“A agenda ambiental urbana, saneamento e resíduos, constitui o maior problema ambiental brasileiro pra esses 80% da sociedade, em média no território nacional, que vive nas regiões urbanas mediante uma má gestão tanto do resíduo quanto ausência ou ineficiência dos sistemas de tratamento de esgoto e saneamento”, disse o ministro, que considerou a situação urgente e um “vergonhoso atraso”.

“Essa é a principal questão ambiental brasileira. As pessoas, principalmente as mais pobres, estão vivendo em regiões nas cidades, mesmo em cidades pequenas, em meio a lixões.”

As soluções para esses problemas, na visão do ministro, precisam ser flexíveis para se adequarem às diferenças que se apresentam nas regiões brasileiras, com municípios de diferentes tamanhos populacionais e territoriais.

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“Temos que ter, para esses projetos, uma flexibilidade muito grande, quer seja na estruturação jurídica dessa visão de consórcio que é muito boa, mas, em alguns casos, não aplicável. E ter a consciência que em alguns lugares a tecnologia de larga escala é possível, e aí o projeto contempla isso. E, em outros, temos que ter soluções que contemplem essas micro demandas”.

Salles explicou que mesmo a formação de consórcios para a licitação dos serviços de saneamento pode não ser viável quando as cidades em questão são distantes ou formadas por pequenas vilas separadas entre si, como no caso de municípios da Amazônia.

“Ali, a solução consorciada é inviável completamente, seja por serem locais muito pequenos ou porque estão muito distantes e sem conexão. Muitos deles só se comunicam por meio dos rios”, disse ele, que defendeu que  financiamentos com condições privilegiadas para esses casos, por meio dos R$ 570 milhões repassados do Fundo Nacional de Mudanças do Clima (FNMC) ao BNDES.

“Entendo que esse recurso do fundo, transferido por nós ao BNDES, tem que entrar nessas lacunas onde o mercado, por essas razões todas, não terá interesse ou não terá condições de entrar. A gente entra com os recursos no BNDES arrumando essas dificuldades, seja em saneamento e seja em resíduos sólidos”.

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A live com a participação do ministro contou com comentários do presidente da Associação Brasileira de Empresas Tratamento de Resíduos e Efluentes, Luiz Gonzaga. Ao tratar dos desafios, Gonzaga defendeu a cobrança do serviço de coleta de resíduos, prevista no Marco Legal do Saneamento.

“Não estamos falando de criação de impostos, estamos falando na remuneração de um serviço que é feito, seja pela iniciativa pública ou privada r que precisa ser reembolsado”, disse o ministro. Ele adiantou que a associação pretende lançar um guia para ajudar prefeitos na transição para as novas regras previstas pelo marco legal. 

Edição: Maria Claudia

Fonte: EBC Geral

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