Empatia pode ser a chave para combater fake news sobre vacinas

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A pandemia de covid-19 aumentou a disseminação de fake news sobre vacinação. Para combater esse problema, é preciso empatia para entender dúvidas e preocupações do público e simplicidade para responder as perguntas com transparência, avaliam especialistas que participaram hoje (17) da Jornada Nacional de Imunizações.

A vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabela Ballalai, defende que é preciso tratar dos temas que preocupam as pessoas, como os efeitos adversos raros previstos na vacinação.

Isabela Ballalai,vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)Isabela Ballalai,vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)

A vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabela Ballalai, defende que é preciso tratar dos temas que preocupam as pessoas – Reprodução YouTube/SBIm

“Nossa comunicação precisa ser tão empática quanto as fake news. Elas são muito atrativas porque são empáticas. Elas falam a língua das pessoas e sabem o que as pessoas pensam”, disse. “Hoje, o mundo não é mais passivo. As pessoas querem entender melhor e querem ouvir isso com clareza.”

Integrante do grupo consultivo da rede pela segurança das vacinas da Organização Mundial da Saúde (OMS), Isabela Ballalai explica que a comunicação sobre o tema deve ser permanente inclusive para que profissionais de saúde estejam capacitados a não hesitar e a recomendar as vacinas.

“Não tem nada pior do que o profissional de saúde pego de surpresa”, afirma ela, que analisa que as fake news apelam a dois elementos que historicamente despertam o interesse das pessoas: as teorias de conspiração e os rumores sobre supostos segredos. “A desconfiança faz parte de nós. E outra coisa que faz parte de nós é a fofoca. Juntar teoria de conspiração e disse-me-disse é tudo que as fake news estão fazendo”.

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Infodemia

A cientista comportamental sênior da Divisão de Imunização Global do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), Neetu Abad, destacou que o mundo vive uma “infodemia”, em que o excesso de informações, incluindo as fake news, estão causando confusão, comportamentos de risco e falta de confiança nas autoridades de saúde durante a pandemia.

“Quando estamos lidando com uma pandemia como a de covid-19, essa confiança nas autoridades de saúde é o principal elemento que precisamos fortalecer. E isso está sendo muito afetado pela disseminação de notícias falsas”, disse Neetu Abad, que explicou que o grupo que recusa totalmente as vacinas é pequeno, mas ponderou que a maior parte das pessoas está em um espectro de aceitação passiva ou hesitação às vacinas, sem demandar por elas.

A OMS já manifestou preocupação sobre a “infodemia” de desinformação, que, segundo o diretor-geral, Tedros Adhanom, “se espalha mais rápido e mais facilmente que o vírus, e é tão perigosa quanto”.

Para Netu, há uma série de estratégias que podem ser aplicadas, mas elas partem de entender as dúvidas e hesitações mais comuns e identificar quem são os disseminadores de desinformação e como eles afetam o comportamento de diferentes grupos populacionais.

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“Desinformação é um tópico que estamos todos enfrentando. Se tornou rapidamente um assunto importante durante essa pandemia. Uma das primeiras coisas que tentamos fazer é muita escuta”, disse a cientista sobre o trabalho que vem sendo feito no CDC, que busca entender, prioritariamente, a hesitação dos profissionais de saúde.

“Precisamos entender as preocupações, quais desafios podemos ter e antecipá-los, porque, se não vacinarmos bem nossos profissionais de saúde ou se eles não quiserem se vacinar, vamos ter mais dificuldades com a aceitação do público em geral”.

A pesquisadora recomenda que haja total transparência e clareza em relação aos processos de testagem e cuidados com a segurança das vacinas contra a covid-19, assim como sobre as incertezas ainda envolvidas.

“Precisamos ser muito transparentes com o que sabemos e o que não sabemos. Se tentarmos prometer demais, se tentarmos fazer parecer que não há nenhum problema e que é uma solução milagrosa, vamos ter problemas ao longo do tempo. Vai ser problemático para a confiança”, alertou Neetu Abad, que defendeu que os países precisam estar preparados para investigar e comunicar efeitos adversos. “Prometer demais é uma armadilha que precisamos evitar.”

Edição: Lílian Beraldo

Fonte: EBC Saúde

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SAÚDE

Pacientes crônicos de Bonsucesso serão atendidos em outras unidades

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Pacientes crônicos e transplantados que eram atendidos no Hospital Federal de Bonsucesso (HFB), na zona norte do Rio de Janeiro, continuarão sendo acompanhados pelo corpo clínico da unidade nos locais para onde foram transferidos.

O Prédio 1 do HFB foi atingido por um incêndio na terça-feira (27) e suspendeu o atendimento, transferindo todos os pacientes que estavam internados. Quatro deles morreram após o incêndio.

Segundo o representante do corpo clínico do HFB, Júlio Noronha, a direção do hospital adiantou a possibilidade de dar férias coletivas para os funcionários a partir de 1º de novembro, já que as férias foram suspensas por causa da pandemia. Porém, segundo ele, os médicos de especialidades que exigem acompanhamento de perto dos pacientes organizarão uma forma de continuar o atendimento.

“Algumas especialidades, como a nefrologia e a hematologia, têm doentes crônicos. Nós temos dois mil transplantados que tomam remédios para não ter rejeição. Então, os médicos dessas especialidades não estariam de férias, teriam que fazer um esquema entre eles para garantir o atendimento. Nós temos pacientes da nefrologia no Hospital dos Servidores e os transplantados estão no Hospital da Lagoa. São pacientes que não podem ficar abandonados, então os nossos médicos atenderiam nessas unidades”, explicou.

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De acordo com Noronha, o HFB tem 3.500 funcionários e um grupo responsável pelo ambulatório está entrando em contato com os pacientes para desmarcar as consultas já agendadas.

Risco de explosão

O médico disse, ainda, que, apesar de o incêndio ter ocorrido em um dos prédios, todo o hospital foi fechado porque havia risco de explosão em um gerador de energia, conforme laudo emitido no ano passado em conjunto pela Defensoria Pública, técnicos do Ministério da Saúde e o Corpo de Bombeiros.

“É um risco porque a subestação não dá mais vazão para a parte elétrica. O hospital tem 71 anos, nunca teve uma reforma realmente estrutural e puxa muita energia, o parque tecnológico se modernizou, temos muito mais uso de respirador, de bomba infusora, e o ar-condicionado aumentou o número [de aparelhos]”, afirmou.

Segundo Noronha, que trabalha no HFB há mais de 40 anos, a subestação de energia no hospital apresenta problemas desde 2005.

“A nossa subestação está dando problema desde 2005, porque cada vez você coloca mais aparelhos elétricos, não houve nenhuma manutenção elétrica de verdade. Até o prédio mais novo, do ambulatório, queimou toda a fiação há um mês e meio. Já foi pedido pelo Ministério da Saúde aqui do Rio de Janeiro a reforma imediata, assim que chegou o relatório, no ano passado, baseado na gravidade [dos fatos]. E infelizmente nada foi feito”, observou.

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Em nota, o Ministério da Saúde confirmou que “avalia conceder férias aos servidores que já tenham o período vencido” e ressalta que as reformas já estão em andamento.

“O complexo de Bonsucesso deve passar por uma modernização para atender a legislação atual, sendo que há projetos em andamento para realizar uma série de reformas. No ano passado, foi repassada verba suplementar de R$ 1,8 milhão para a modernização da unidade”. O ministério não informou por quanto tempo o atendimento no HFB ficará suspenso.

*Colaborou Raquel Júnia, repórter do Radiojornalismo da EBC

Edição: Kleber Sampaio

Fonte: EBC Saúde

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