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Política

Sem provas Bolsonaro volta a fazer afirmações de fraudes durante visita a Goiás

O presidente ainda voltou a defender tratamento sem eficácia comprovada contra Covid-19, questionou vacinas e registros do número de mortes na pandemia

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Em visita a Anápolis nesta quarta-feira (9), o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), defendeu o tratamento precoce contra a Covid-19, levantou dúvidas sobre a eficácia da vacina contra a doença e voltou a citar fraude na eleição de 2018 e no registro de mortes e infectados pelo coronavírus no Brasil. O presidente também provocou aglomerações ao cumprimentar dezenas de apoiadores que o esperavam na entrada e saída de compromissos na cidade.

Bolsonaro participou de culto na igreja Church In Connection. Em discurso, Bolsonaro disse que é possível “buscar uma maneira de diminuir drasticamente o número de mortes no Brasil pelo tratamento precoce”. Ele relatou visita recente a duas tribos indígenas quando, segundo ele, foi informado de que as comunidades foram acometidas pelo coronavírus, mas não houve mortes. De acordo com o presidente, os indígenas disseram que tomaram “chá de casca de árvore”.

O relato foi feito na defesa do uso de medicamentos como hidroxicloroquina e ivermectina contra a Covid-19, estratégia que não tem comprovação cientifica. “Não veio da minha cabeça o que eu falo sobre essa doença, veio de conversas com pessoas que realmente se preocupam e pesquisam sobre o assunto”, afirmou. O presidente não disse quem são as pessoas às quais se referiu.

No Senado, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid investiga a existência de gabinete paralelo ao Ministério da Saúde, que supostamente orienta o presidente em relação ao enfrentamento à pandemia.

Ao sair em defesa do tratamento precoce, Bolsonaro questionou a eficácia da vacina contra a Covid-19, afirmando que as doses estão em fase experimental, o que não é verdade. Os imunizantes aplicados atualmente no Brasil receberam aval, após testes, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A CPI também foi alvo de ataques do presidente durante o discurso. “Quem mata gente? Quem manda o dinheiro, que sou eu, ou quem desvia o dinheiro na ponta da linha?”, questionou, com referência a prefeitos e governadores. A CPI da Covid foi instalada no Senado com a previsão de que os chefes dos Executivos estaduais também sejam investigados.

Isso ocorreu após intensa articulação do Palácio do Planalto. “Que CPI é essa? De Renan Calheiros (MDB-AL)? De Omar Aziz (PSD-AM)? Daquela pessoa alegre do Amapá?” O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da comissão, é o único parlamentar do Estado na CPI.

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Ainda no discurso, Bolsonaro disse que foi eleito em primeiro turno e afirmou que tem “provas materiais disso”. “Mas o sistema, a fraude, que existiu, sim, me jogou para o segundo turno. Outras coisas aconteceram e eu só acabei ganhando porque tive muito voto.” O presidente também citou a participação “de algumas pessoas” que entendiam como inibir a suposta fraude. Como ocorreu em outras oportunidades de denúncias de Bolsonaro contra a eleição de 2018, o presidente não apresentou provas. Bolsonaro também voltou a afirmar que há supernotificação de casos da Covid-19 no Brasil.

A visita do presidente a Goiás começou por volta das 12h, quando Bolsonaro chegou à fazenda do cantor Amado Batista, em Goianápolis, onde ele almoçou. Em seguida, a comitiva foi para o Aeroporto de Anápolis, local em que houve rápido encontro com empresários e entidades que representam a segurança pública. Antes do culto na Church In Connection, ocorreu outro encontro com empresários e lideranças políticas do Estado, mas sem representantes do Palácio das Esmeraldas.

Entre as autoridades que acompanharam o presidente estavam o deputado federal Vitor Hugo (PSL), os ministros da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, e da Educação, Milton Ribeiro e o filho e vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos).

Sem máscara, Bolsonaro tirou fotos, pegou uma criança no colo e falou com apoiadores. A aglomeração ocorreu tanto em frente ao aeroporto quanto na porta da igreja. Parte do público que o esperava usava máscara. Antes de deixar a cidade, Bolsonaro cumprimentou policiais militares que se organizaram em fila e desfilou por parte da Avenida Brasil com metade do corpo para fora do carro.

“Todas as cartas estão na mesa’, diz Vitor Hugo sobre eleição em 2022

Deputado federal por Goiás e um dos principais aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Câmara, Vitor Hugo (PSL) afirma que fica “feliz e orgulhoso” e se sente lisonjeado por ter seu nome em discussões relacionadas à disputa pelo governo de Goiás e por cadeira no Senado, mas alega que ainda é prematuro falar sobre a candidatura de 2022. Ao POPULAR, o parlamentar diz que sua linha de ação principal é a busca pela reeleição, “mas todas as cartas estão na mesa”.

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Visita de Bolsonaro a Anápolis

Durante encontro com o presidente no aeroporto da cidade, empresários aproveitaram para fundar a Federação das Associações Empreendedoras, Comerciais, Industriais, Serviços, Tecnologia, Turismo e Terceiro Setor do Estado de Goiás (Faciest-GO), que terá como presidente Rubens Fileti, que atualmente comanda a Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (Acieg). Também houve breve reunião com representantes de associações que representam militares estaduais.

Em reunião em uma sala privada da igreja que recebeu o presidente no compromisso seguinte, o deputado diz ter apresentado ao chefe do Executivo 60 vereadores e 20 prefeitos e secretários de suas bases. No local, também houve breve encontro com empresários, que apresentaram demandas relacionadas à reforma tributária. De acordo com o deputado, Bolsonaro solicitou que seja organizada visita do grupo a Brasília, quando o tema será discutido com a equipe econômica. O encontro deve ocorrer no fim de junho.

A articulação de Vitor Hugo para visita do presidente a Anápolis foi avaliada como consolidação do nome do deputado federal para disputa pelo Palácio das Esmeraldas em 2022, diante da presença de lideranças políticas que apoiam o parlamentar no interior do Estado.

Questionado sobre falta do governador Ronaldo Caiado (DEM) nos compromissos do presidente em Goiás ontem, Vitor Hugo disse que não tem problemas de relacionamento com Caiado, mas não soube informar por qual motivo o democrata não compareceu aos eventos.

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