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No Sul de Goiás, pesquisadores descobrem dinossauro

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Pela primeira vez um fóssil de dinossauro do período Cretáceo, era geológica que antecedeu o impacto do meteoro que extinguiu a espécie do planeta, foi encontrado em Goiás. Um grupo de pesquisadores descobriu os fragmentos que apontam para um animal da família dos titanossauros, que são herbívoros, no Sul do Estado. Na mesma região, outros dois fósseis, que também podem ser de dinossauros, foram identificados e estão sob análise.

A descoberta, segundo o geógrafo Carlos Roberto Candeiro, coordenador da pesquisa, evidencia a participação de Goiás numa nova etapa da paleontologia na América do Sul. “Não existiam relatos de fósseis desse período (Cretáceo) no Estado de Goiás. Era mais comum em São Paulo, Mato Grosso e no Triângulo Mineiro. Então, em Goiás é um dos primeiros relatos que a gente tem desse tipo de fóssil”, complementa o biólogo Raoni Ribeiro Guedes Costa, integrante do grupo que fez a descoberta.

A maioria dos fragmentos foi coletada pelos pesquisadores na região Sul do Estado em 2016 e 2017. Além de fósseis do titanossauro, encontraram de outros répteis, como tartarugas e crocodilíformes. Por enquanto, coletaram restos que chamam de pós-cranianos, como placa de tartaruga e osso do antebraço de dinossauro herbívoro (veja quadro). Segundo Candeiro, que é professor no curso de Geologia na Universidade Federal de Goiás (UFG), agora o grupo está descrevendo dente de um possível dinossauro terópode carnívoro.

 

Outros fósseis

Costa, que é professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG) em Quirinópolis, acrescenta que esse possível fóssil de terópode, que seria um ‘parente’ do tiranossauro rex, foi encontrado neste ano próximo a Paraúna. “Mas ainda carece de análise geoquímica para depois passar por comparação anatômica porque também se parece com dente de crocodilo”, explica. Ele informa que a análise está sendo feita no Laboratório de Paleontologia e Evolução do curso de Geologia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UFG.

O professor da UEG informa ainda que, também neste ano, em Quirinópolis, encontraram um resto caudal, que ainda não sabem de qual animal se trata, mas não está descartada a possibilidade de ser mais um fóssil de dinossauro. “Precisa de análise geoquímica”, diz.

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O fóssil de titanossauro identificado foi descrito em artigo dos pesquisadores responsáveis no Journal of South American Earth Sciences ano passado. Autor do livro Ascensão e Queda dos Dinossauros, recentemente lançado, Steve Brusatte, da Universidade de Edimburgh, também participou da descoberta e cita no livro os trabalhos feitos em parceria com a UFG.

 

Porte

O titanossauro é descrito como um dinossauro de médio a grande porte que habitava a Gondwana – um supercontinente do hemisfério Sul que era composto pela América do Sul, África, Antártida, Austrália e Índia. A estimativa é que essa espécie possuía cerca de 12 metros de comprimento e seis metros de altura e se alimentando de folhas no topo das árvores.

“É um dinossauro que viveu na localização do Estado de Goiás, só que antes era tudo uma massa só (refere-se ao supercontinente Gondwana)”, diz Costa.

O fóssil do titanossauro, segundo o professor da UEG, foi encontrado numa mineradora de calcário em Rio Verde, a cerca de 200 km da capital. Ele explica que a rocha calcaria é passível de fossilização. Costa informa que os fósseis foram identificados em dois pedaços de rochas implodidas. Uma parte foi encontrada pela equipe da UFG. Por perto, Costa virou uma rocha com o pé e visualizou algo que mais tarde descobriu ser outro fragmento do dinossauro.

 

“Tivemos sorte”, diz pesquisador

O biólogo Raoni Ribeiro Guedes Fonseca Costa, professor da UEG que integra a equipe de pesquisadores responsáveis pela identificação do fóssil do titanosauro, diz que uma descoberta como essa, demanda um trabalho minucioso, intenso, e sem a certeza de terminar com um “achado”. Na descoberta do fóssil em Rio Verde (GO), ele diz que equipes ficaram de sexta a domingo, durante manhã e tarde escavando e fazendo buscas. “Nesse dia tivemos sorte”, cita. 

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Costa diz que a descoberta de um fóssil em Quirinópolis em 2012 começou a chamar a atenção dos estudiosos para a região. Ele relata que o trabalho se baseia em mapeamento de tipos de rocha existentes no País e no Estado. “Dependendo do tipo é mais fácil de encontrar.”

Costa explica que a paleontologia é a área da ciência que estuda a vida mais antiga do que 11 mil anos atrás e que todo resto esqueletal conservado além desse período é chamado de fóssil. “O processo de fossilização é muito raro de acontecer, são condições bastante difíceis de encontrar num ambiente natural”. 

O professor diz que a maior parte dos processos de fossilização ocorre em ambiente de mineralização, chamado de petrificação. “Quando a gente encontra um fóssil o que estamos vendo é um material biológico que foi conservado na forma de pedra, dificilmente a gente encontra um fóssil com matéria orgânica ainda viável, isso acontece em ambientes desérticos, em processo muito similar a mumificação, ou em ambientes muito gelados, que ocorre por congelamento mesmo”. Ele acrescenta que o registro fóssil permite o entendimento de como a vida evoluiu no planeta.

 

Pesquisa
As pesquisas que viabilizaram a identificação do fóssil do dinossauro foram financiadas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) através também do Fundo Newton (Reino Unido). A direção da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UFG, campus Aparecida de Goiânia, também tem apoiado o trabalho.

O grupo conta com colaboradores de pesquisas do Laboratório de Paleontologia e Evolução/Curso de Geologia/Câmpus Aparecida de Goiânia (Felipe Simbras, Roberto Candeiro), University of Edinburgh/Escócia (Steve Brusatte) e colegas da UEG/Quirinópolis (Isa Resende, Raoni Costa, Reile Rossi, Wellington Hannibal, Raoni Costa) e Universidade Federal Rural de Pernambuco (Gustavo Oliveira). “Não podemos deixar de mencionar alunas e alunos do laboratório que participam”, afirmou o geógrafo Carlos Roberto Candeiro, coordenador da pesquisa.

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