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Opinião

As Epístolas de Pedro

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No Novo Testamento, existem sete cartas que não são atribuídas a Paulo. Essas cartas foram reunidas numa mesma coleção desde muito cedo, mesmo tendo suas origens bastante diversas. Elas são chamadas de cartas católicas.

Dentre essas cartas, duas cartas são atribuídas a Pedro. E as duas são explicitamente assinadas por Pedro. Os santos Padres e a Tradição da Igreja, até o século XIX, atribuíam a primeira carta como sendo de Pedro.

Porém, alguns especialistas negaram a autoria porque a linguagem grega é elegante para alguém como Pedro e ainda apresenta elementos teológicos das cartas paulinas. Vê-se ainda que apresenta um ambiente tardio, com situações fora do contexto de Pedro. Mas o próprio Pedro informa que não escreveu a carta sozinho, citando Silvano (5,12-13). Silvano é Silas, colaborador de Paulo (Atos 15,22-24; 2 Cor 1,19). Outra hipótese é que a carta tenha sido escrita por um cristão anônimo pertencente à escola petrina. Essas hipóteses colocam a sua escrita entre 70 e 100 d.C., depois da morte de Pedro e destruição de Jerusalém e não escrita em Roma entre os anos 64-67 d.C., antes da morte de Pedro.

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Há que se considerar ainda que não há referência que Pedro tivesse evangelizado na Ásia Menor. Essa região era área de missão de Paulo (At 18 e 19). A comunidade enfrentava problemas que não são do tempo de Pedro. O conteúdo da carta é apresentado numa linguagem usada depois do tempo de Pedro. Isso pode ser verificado pelas semelhanças entres as cartas escritas nos anos 90 d.C. (Ef 2,20-22;  Tg 1,1; 1Pd 1,1; Hb 11,13). E ainda é inegável a semelhança da Primeira Carta de Pedro com a carta aos Efésios.

As comunidades do oeste e do norte da Ásia Menor eram formadas de convertidos do paganismo, de gente mais abastada e de escravos. No geral, eram comunidades rurais que viviam em pequenos povoados, campesinos e pastores que cultivavam as propriedades da classe dominante, o que explica a insistência em temas como fraternidade, amor e solidariedade entre os cristãos. Tais valores eram indispensáveis perante uma sociedade injusta e opressora.

Assim, a carta busca admoestar e confirmar na fé esses cristãos (5,12) frente a hostilidade do mundo pagão, e a calúnias e opróbrios que sofriam (1,6; 4,12-15; 3,14-16), fortalecê-los em vista dos sofrimentos que deviam suportar (compromisso do batismo) e ainda insiste no caráter vitorioso da esperança cristã (1,3-4.13).

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Com os olhos voltados para o Cristo sofredor (2,18-25) e triunfante (3,18- 22), o cristão deverá viver uma vida nova (1,13-15) de caridade, paciência e humildade, na certeza da salvação definitiva e por ocasião da vinda gloriosa de Jesus Cristo (1,7).

A carta não tem uma estrutura litúrgica ou catequética, é uma carta circular que aborda diversos temas. O núcleo doutrinal da carta se apoia sobre dois textos Cristológicos (2,21-25; 3,18-22), uma espécie de credo primitivo, do qual se entende perfeitamente por que o cristão deve esperar confiante a salvação (1,3-12; 3,5.15; 5,10-11). Ou seja, o cristão não deve acovardar-se diante do sofrimento e as dificuldades (3,13-17; 4,12-19).

Mario Eugenio Saturno (cientecfan.blogspot.com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano

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