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Opinião

Brizola: As mentes colonizadas

Vivenciamos um processo de assimilação colonialista aonde, o estrangeirismo de expressões vai dominando o cotidiano do nosso povo e revela o grau da colonização o qual docilmente vamos admitindo, sem resistência, ou observância.

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Em meio às disputas hegemônicas de um mundo que sofre profundas e irreversíveis transformações, onde a multipolaridade se apresenta mexendo com poderosos interesses e, consequentemente, com ações, muitas das quais beligerantes, há batalhas silenciosas, porém muito eficazes.

Mais do que é noticiado, na escalada armamentista, na persuasão nuclear e na corrida bélica há uma arma profundamente eficaz que age de forma silenciosa: a colonização das almas e das mentes.

Nada é mais letal para um Estado soberano do que seu povo colonizado, tornando-se agente de sua própria destruição e reproduzindo a desculturação de seu povo. Esta forma de dominação resulta, por conseguinte, em vassalagem.

Este movimento é muitas vezes sutil, chega como uma espécie de moda, mas corrói de forma deletéria os símbolos soberanos e a cultura de uma nação. Uma das essências de um povo é seu idioma, ou seja, a sua língua. No caso do Brasil é o português.

Vivenciamos um processo de assimilação colonialista aonde, o estrangeirismo de expressões vai dominando o cotidiano do nosso povo e revela o grau da colonização o qual docilmente vamos admitindo, sem resistência, ou observância.

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 Vejamos como isso se revela no nosso dia a dia:

  • Não é “briefing” – é resumo;
  • Não é “case” – é caso;
  • Não é “coaching” – é treinamento;
  • Não é “deadline” – é prazo;
  • Não é “feedback” – é retorno;
  • Não é “job” – é trabalho;
  • Não é “insight” – é ideia boa;
  • Não é “pet” – é animal de estimação;
  • Não é “kid” – é criança.

Nesta reflexão, lembro do velho Leonel Brizola, filho do Brasil profundo, um dos grandes defensores de nossa soberania e também um grande frasista. Dentre as frases históricas de Brizola, certa vez ele disse: “Direitos iguais para todos. Privilégio só para as crianças.”

Imagine se o velho caudilho dissesse: “Direitos iguais para todos. Privilégio só para os kids.”

Seria, no mínimo, ridículo!

E isto reflete o colonialismo que Brizola e Darcy Ribeiro sempre combateram.

Afinal, uma das línguas mais ricas e belas do mundo é o português.

Não necessitamos de estrangeirismos para nos comunicarmos.

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Henrique Matthiesen é formado em Direito e pós-graduado em Sociologia.

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