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opinião

Quando a infância se perde no meio digital

Hoje, crianças têm acesso às redes sociais desde muito cedo, seja pela facilidade de dispositivos móveis ou pela influência do ambiente familiar.
Weslaine Monteiro de Carvalho é psicóloga da Unimed Goiânia. Foto: Divulgação

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Nos últimos dias, o tema da adultização de crianças e adolescentes voltou a ganhar destaque nas redes sociais após a denúncia feita pelo influenciador Felca. A exposição precoce a comportamentos, linguagens e estéticas que não condizem com a faixa etária preocupa especialistas, pois afeta diretamente o desenvolvimento saudável e a formação da identidade.

Hoje, crianças têm acesso às redes sociais desde muito cedo, seja pela facilidade de dispositivos móveis ou pela influência do ambiente familiar. Essa exposição precoce pode levá-las a imitar ídolos digitais que, em busca de engajamento, exibem comportamentos e estilos de vida voltados para um público adulto. Esses influenciadores, muitas vezes, tornam-se modelos de comportamento para as crianças, que acabam reproduzindo atitudes e posturas inadequadas para a idade, principalmente nas próprias postagens.

O ambiente digital, quando mal supervisionado, pode acelerar esse processo. Plataformas como TikTok, Instagram e YouTube incentivam padrões estéticos e comportamentos adultos para conquistar curtidas e seguidores. Fotos, vídeos e até textos publicados por crianças podem transmitir mensagens que elas próprias não compreendem, mas que geram interpretações equivocadas, e, em casos mais graves, podem gerar riscos à segurança.

Mais do que discutir casos isolados, é urgente olhar para o papel dos pais e responsáveis nesse cenário. É fundamental que estejam atentos ao que os filhos publicam, quais conteúdos consomem e quais referências trazem para o próprio comportamento. Isso não significa vigiar de forma punitiva, mas construir um diálogo constante sobre o uso responsável das redes e os limites necessários para a idade.

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Acompanhar de perto e conversar sobre o que acontece no mundo online é uma medida simples e poderosa. Saber quais redes sociais a criança utiliza, com quem interage e que tipo de conteúdo publica ajuda a prevenir situações de exposição indevida. Ao mesmo tempo, é importante educar para o uso consciente, explicando, de maneira adequada à idade, os riscos de expor a vida pessoal e de adotar comportamentos adultos antes do tempo.

O exemplo dentro de casa também conta muito. Crianças e adolescentes observam e reproduzem comportamentos dos adultos à sua volta, inclusive no universo digital. Quando pais e responsáveis demonstram um uso equilibrado e respeitoso das redes, transmitindo valores coerentes com a idade da criança, a mensagem se fortalece. E, quando surgirem postagens inapropriadas, a intervenção deve ser positiva, com diálogo, explicações e propostas de alternativas, ao invés de responder apenas com proibições.

Adultizar não é somente vestir a criança como adulto ou incentivá-la a reproduzir comportamentos mais velhos, é expô-la a um universo para o qual ela ainda não tem maturidade emocional, cognitiva e social para interagir. Preservar a infância é garantir que cada fase da vida seja vivida plenamente, sem pressa e sem imposições que possam prejudicar o futuro.

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As redes sociais podem ser ferramentas de aprendizado, diversão e conexão, mas precisam ser usadas com consciência. Nesse processo, a orientação familiar é insubstituível, e é responsabilidade de todos os adultos proteger o direito de crianças e adolescentes de viverem a infância no seu tempo certo.

Weslaine Monteiro de Carvalho é psicóloga da Unimed Goiânia.

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