Segundo Maria do Rosário Cassimiro, o processo educativo é um dos grandes fatores que favorecem a liberação das potencialidades, um fenômeno autônomo e autêntico, mas não espontâneo; algo que deve ser conduzido e organizado, respeitando a liberdade de cada indivíduo que tem a capacidade de associar, interpretar e julgar, surgindo múltiplas reações e comportamentos que se definem graças ao meio social e particular de cada um.
O conceito de “bem-viver” está ligado à complexidade do conhecimento, um processo pessoal que acontece na busca por transformações oriundas de determinados valores, promovendo a troca genuína de saberes. Como disse Cora Coralina: “Feliz é aquele que compartilha o que sabe e aprende o que ensina. “
A disciplina de Metodologia do Ensino Superior, em minha concepção, é uma ferramenta fundamental na apropriação dos fundamentos teórico-metodológicos necessários ao exercício da docência na educação superior.
Em outras palavras, podemos dizer que o ensino de metodologia está direcionado aos professores e alunos, nas formas, métodos e técnicas aplicadas no cotidiano do ensino superior, habilitando espaços para a crítica de métodos e técnicas de ensino, a partir das discussões teóricas das bases da metodologia de ensino superior, despertando nos docentes a busca por diferentes metodologias e recursos didático-pedagógicos para escolher os mais adequados ao processo de ensino e aprendizagem no contexto do ensino superior; promovendo uma criteriosa avaliação nos procedimentos de ensino, método, técnica e ação docente perante o estudante e a instituição, fomentando o conhecimento teórico sobre aspectos relacionados aos fundamentos legais, metodológicos, didáticos e éticos, paritários com o contexto global do fenômeno educativo.
Regina Nogueira e Ernesto Oliveira afirmam que, durante muito tempo, prevaleceu no âmbito do ensino superior a crença de que, para se tornar um bom professor neste nível, bastaria dispor de comunicação clara e concisa. Por isso, até recentemente, não se verificava a preocupação explícita das autoridades educacionais com a qualificação de professores para o ensino superior. A preocupação já existia, mas hoje a discussão vem ganhando proporção no meio acadêmico.
Para Masetto (1977, p. 32), didática é “o estudo do processo de ensino-aprendizagem em sala de aula e de seus resultados” e surge, segundo Libâneo (1994, p. 58), “quando os adultos começam a intervir na atividade de aprendizagem das crianças e jovens através da direção deliberada e planejada do ensino, ao contrário das formas de intervenção mais ou menos espontâneas de antes” (…) “ninguém ensina ninguém. “
Para Rogers (1986, p. 10), “muitos professores simplesmente se eximem da obrigação de ensinar. ” “Entrando no jogo das classes dominantes, pois a estas interessa um professor bem-comportado, um missionário de um apostolado, um abnegado; tudo, menos um profissional que tem como função principal o ensino” (ALMEIDA, 1986, p. 78).
A arte de ensinar é uma tarefa do professor, que se doa com o objetivo de ensinar, incentivar, conduzir, “transformar. ” No entanto, faz-se necessário abrir caminhos coletivos de busca que subsidiem a produção do conhecimento, fazendo com que o papel do professor ultrapasse a linha de conforto, fomentando em seus alunos a necessidade de se tornarem seres críticos, criativos, idealizadores etc. Como sabiamente diz o jornalista manauara Carlos Costa, “o professor ou docente é a pessoa que ensina uma ciência, técnica ou outro conhecimento para outra pessoa. “
A disciplina Metodologia do Ensino Superior nos leva à reflexão do aperfeiçoamento das técnicas, conscientizando-nos da nossa responsabilidade quanto à sistematização e transmissão do conhecimento, suscitando a autocrítica.
Depois de toda esta reflexão sobre a temática aqui proposta, é visível que o ensino, enquanto uma arte prática, deve adquirir um caráter cada vez mais científico. Fazendo-se entender, mas ao mesmo tempo rompendo com os padrões de expressão e seleção das técnicas, pois a arte de transmitir o conhecimento deve se adequar à realidade diária da docência universitária. Portanto, faz-se de suma importância o treinamento de professores adequados ao exercício da docência universitária, capacitando-os com as técnicas necessárias, favorecendo de forma positiva um feedback entre aluno e professor, despertando uma gama de possibilidades antes desconhecidas pela falta de treinamento dos docentes.
Dhiogo José Caetano
Uruana/GO
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