A exportação brasileira de manga registrou forte expansão entre 2018 e 2025, com crescimento acumulado de 71% em volume, impulsionada principalmente pelo aumento das vendas ao mercado europeu. Os dados são do Comex Stat, do governo federal.
O desempenho positivo está diretamente associado à maior adoção de tecnologias de manejo, com destaque para o uso do fitorregulador Paclobutrazol (PBZ), que permitiu ampliar o controle da produção e garantir oferta contínua ao longo do ano, especialmente nas janelas de maior demanda internacional.
Tecnologia agrícola permite produção contínua e fortalece exportações
O Paclobutrazol (PBZ) atua no controle da floração da mangueira, permitindo que os produtores organizem ciclos produtivos ao longo do ano e direcionem a colheita para períodos estratégicos do mercado externo.
Na prática, o uso da tecnologia possibilita que a fruta esteja disponível justamente nas principais janelas de exportação para a Europa, maior destino da manga brasileira.
Segundo o diretor da Ascenza no Brasil, Renato Francischelli, o insumo foi decisivo para a evolução do setor exportador.
“Sem ele, não há produção de manga para exportação em escala competitiva”, afirma.
De acordo com o executivo, a região do Vale do São Francisco responde por cerca de 90% a 95% da manga exportada pelo Brasil, consolidando-se como principal polo produtor da fruta no país.
Europa lidera importações e define padrão de qualidade da manga brasileira
O mercado europeu segue como principal destino da manga brasileira. Em 2025, o continente foi responsável por 78% das exportações da fruta, segundo dados do Comex Stat.
Os consumidores europeus preferem variedades de menor teor de fibras, conhecidas como “manga de colher”, como Kent, Keitt e Palmer, que atendem melhor às exigências de qualidade e padronização do mercado internacional.
Já os Estados Unidos, que representaram cerca de 13% das exportações em 2025, concentram suas compras principalmente na variedade Tommy Atkins, além da Palmer.
Abertura do mercado e concorrência ampliaram acesso à tecnologia
O avanço da exportação também está ligado à maior concorrência no fornecimento do Paclobutrazol no Brasil. Até 2018, o produto era comercializado por uma única empresa, com preços elevados.
A entrada de novos players reduziu custos e ampliou o acesso dos produtores à tecnologia, permitindo maior adoção no campo.
Em 2013, a Ascenza solicitou o registro de um produto já utilizado na Europa, o Paclo BR, aprovado cinco anos depois. A autorização abriu espaço para redução de preços de até 62,5%, ampliando a competitividade do setor.
Segundo Francischelli, a mudança foi decisiva para a democratização do uso do insumo entre produtores brasileiros.
Produção cresce e exportações batem recorde histórico
O Brasil exportou 291 mil toneladas de manga em 2025, volume recorde e 71% superior às 170,5 mil toneladas embarcadas em 2018, segundo dados do Comex Stat.
Somente para a Europa foram destinadas 226 mil toneladas no ano passado, contra 127 mil toneladas em 2018, crescimento de 78% no período.
No mesmo intervalo, a produção nacional também avançou cerca de 17%, passando de 1,32 milhão para 1,54 milhão de toneladas, conforme estimativas da Embrapa e dados do IBGE.
Vale do São Francisco concentra produção e define calendário de exportação
A manga brasileira é cultivada principalmente no Vale do São Francisco, região estratégica para o agronegócio exportador. A adoção do PBZ permite o escalonamento da produção, possibilitando que os produtores planejem colheitas de acordo com as janelas mais favoráveis do mercado europeu.
Além da manga, o fitorregulador começa a ser testado também na cultura do abacate, ainda voltado majoritariamente ao mercado interno.
As exportações para a Europa ocorrem ao longo de todo o ano, mas se concentram entre o segundo semestre e o início do outono europeu, período de menor oferta de concorrentes como Espanha e Israel.
Perspectivas seguem positivas para o comércio exterior
Com a crescente demanda por frutas tropicais e o avanço de acordos comerciais, como o Mercosul–União Europeia, a expectativa é de continuidade no crescimento das exportações brasileiras de manga.
O movimento reforça o posicionamento do Brasil como fornecedor global de frutas premium, com destaque para qualidade, regularidade de oferta e adoção de tecnologias agrícolas que ampliam a competitividade internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio













































