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El Niño pressiona preços de alimentos em Goiás e deve agravar alta no segundo semestre

Especialistas e dados da Central de Abastecimento de Goiás (Ceasa) apontam para queda na oferta e aumento dos custos de produção como vetores da elevação dos valores ao consumidor.
El Niño pressiona preços de alimentos em Goiás e deve agravar alta no segundo semestre. Foto: Reprodução

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O fenômeno climático El Niño, associado ao aquecimento das águas do Pacífico Equatorial, já começa a refletir nos preços de hortifrútis em Goiás e pode intensificar a alta no restante do ano. Especialistas e dados da Central de Abastecimento de Goiás (Ceasa) apontam para queda na oferta e aumento dos custos de produção como vetores da elevação dos valores ao consumidor.

Desde o início de 2026, as mudanças no regime de chuvas e nas temperaturas afetaram a produção local. Em junho, comparado a maio, várias hortaliças, frutas e legumes registraram aumentos relevantes na Ceasa. O gerente técnico da Ceasa, Josué Lopes, explica que, mesmo sem a influência do fenômeno, o segundo semestre costuma trazer pressões sobre os preços devido à estiagem. “Mas, diante da proporção projetada para este El Niño, haverá impacto no setor produtivo: plantações que demandam mais irrigação vão aumentar os custos, reduzindo oferta e onerando o consumidor final”, afirma.

Produtos que demandam grande quantidade de água, como alface, pimentão, pepino, vagem e chuchu, estão entre os mais vulneráveis. Em junho, o pimentão subiu 40% no atacado; cebola, 33,34%; vagem, 20%; e abóbora japonesa (kabotiá), 12,5%. No segmento das frutas, a banana-maçã e o mamão registraram escaladas expressivas: 53,85% e 52%, respectivamente. Ao todo, ao menos 11 itens mostraram aumentos que podem pesar no orçamento das famílias.

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O economista Luiz Carlos Ongaratto alerta que um El Niño forte tem potencial para afetar grandes lavouras brasileiras, como soja e cana-de-açúcar, comprometendo plantio e produtividade. “Também há risco de pressão sobre a cesta básica, sobretudo nas proteínas, porque a ração e a alimentação animal ficam mais caras em períodos de seca. Goiás pode enfrentar temperaturas mais altas e menor previsibilidade nas chuvas”, observa Ongaratto.

Diante do cenário, especialistas reforçam medidas práticas para tentar reduzir o impacto no bolso. Pesquisar preços continua sendo a principal recomendação. Em feiras livres, por exemplo, visitar as bancas próximo ao fechamento pode revelar promoções; supermercados e atacarejos frequentemente oferecem ofertas temporárias que compensam a comparação. Outra estratégia é substituir alimentos muito caros por alternativas mais acessíveis sem comprometer a alimentação.

“Evitar compras impulsivas e planejar refeições com base no que está em promoção ajuda a amenizar o efeito da inflação dos alimentos”, diz Ongaratto. Consumidores também devem ficar atentos a políticas públicas e programas de abastecimento que as prefeituras e o governo estadual possam adotar para minimizar desabastecimentos e conter aumentos excessivos.

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