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Saúde

Colesterol baixo também pode ser um problema? Entenda quando investigar

A redução do colesterol pode ocorrer por hábitos saudáveis ou tratamento adequado, mas, quando é inesperada, merece avaliação clínica
Foto: Divulgação

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Quando o assunto é colesterol, a preocupação costuma estar voltada aos níveis elevados no sangue. No entanto, uma redução importante e não esperada também pode merecer atenção, especialmente quando vem acompanhada de perda de peso involuntária, mudanças no apetite ou outros sintomas.

O colesterol exerce funções essenciais no organismo: faz parte da estrutura das membranas celulares e participa da produção de hormônios esteróides e ácidos biliares, importantes para a digestão das gorduras, além da síntese de vitamina D.

No exame de sangue, são avaliados colesterol total, LDL, HDL e triglicérides. Mais do que um valor isolado, a interpretação deve considerar o histórico do paciente, seus fatores de risco, hábitos de vida, uso de medicamentos e a comparação com exames anteriores.

Pensando nisso, Dra. Paula Matos Lemos, clínica geral do dr.consulta, lista as principais causas do colesterol baixo, além dos possíveis riscos e sinais de alerta. Confira:

Quando o colesterol baixo é esperado?

A redução do LDL e dos triglicérides pode ocorrer após perda de peso planejada, melhora da alimentação, prática regular de atividade física e redução do consumo de álcool. Também é uma consequência esperada de medicamentos prescritos para redução do risco cardiovascular, como estatinas e outras terapias hipolipemiantes.

Nessas situações, quando a redução ocorre após mudanças consistentes no estilo de vida ou durante tratamento indicado para reduzir o risco cardiovascular, o resultado geralmente representa uma evolução favorável. O tratamento não deve ser suspenso ou alterado sem orientação médica.

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O objetivo é atingir uma meta de LDL adequada ao risco cardiovascular de cada pessoa. Em pacientes com risco cardiovascular elevado, reduções mais intensas do LDL podem trazer proteção importante para o coração e os vasos.

Quando investigar?

A atenção é maior quando a queda é nova, acentuada e sem explicação evidente. Em geral, considera-se hipolipidemia quando o colesterol total está abaixo de 120 mg/dL ou o LDL abaixo de 50 mg/dL, mas esses valores devem sempre ser interpretados no contexto clínico.

Entre as possíveis causas de colesterol baixo sem uso de medicação estão:

  • dietas muito restritivas, baixa ingestão calórica, desnutrição ou inapetência prolongada;

  • hipertireoidismo;

  • doenças que comprometem a absorção de nutrientes, como doença celíaca, doença de Crohn, insuficiência pancreática crônica e outras síndromes de má absorção;

  • doenças hepáticas crônicas ou avançadas, que podem reduzir a produção de colesterol;

  • infecções crônicas, inflamação sistêmica e algumas neoplasias, sobretudo quando há perda de peso involuntária e sintomas constitucionais;

  • insuficiência renal avançada, estados de desnutrição ou perda de proteínas pelo intestino;

  • insuficiência adrenal;

  • causas genéticas, mais raras, como a hipobetalipoproteinemia familiar.

Na maioria das vezes, o colesterol baixo não causa sintomas específicos. O ponto principal é entender se ele faz parte de uma mudança esperada no estilo de vida ou no tratamento, ou se pode ser um sinal indireto de outra condição de saúde.

Sinais que merecem atenção

É importante buscar avaliação médica quando a redução do colesterol ocorre sem motivo aparente, principalmente se houver:

  • perda de peso não intencional;

  • fadiga importante ou fraqueza persistente;

  • redução do apetite;

  • diarreia crônica, fezes gordurosas ou outros sintomas gastrointestinais;

  • palpitações, tremores, intolerância ao calor, sudorese excessiva ou alteração do hábito intestinal;

  • febre prolongada, sudorese noturna ou outros sinais de doença sistêmica.

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A investigação pode incluir a repetição do perfil lipídico e exames direcionados, como avaliação da tireóide, função hepática e renal, hemograma, marcadores inflamatórios e análise nutricional, conforme a história clínica.

O que fazer?

Não é recomendado tentar aumentar o colesterol por conta própria, nem interromper medicamentos prescritos. A conduta depende da causa identificada: em alguns casos, basta acompanhar; em outros, pode ser necessário ajustar a alimentação, revisar tratamentos em uso ou investigar doenças associadas.

Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física, evitar o tabagismo e realizar exames periódicos são medidas importantes para a saúde cardiovascular. Mais do que buscar um número isolado, o ideal é compreender o perfil lipídico dentro do contexto de cada paciente.

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