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Momento marcante

Carteiro de 65 anos comemora aprovação na UnB

“Desde a inscrição, ele começou a assistir a videoaulas sozinho e se dedicou a ler e escrever vários modelos de redação,” recorda a filha, que também estudou na UnB e se formou em março. “Ele é muito dedicado.”
Carteiro de 65 anos comemora aprovação na UnB. Foto: Reprodução

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O UnB 6o mais, vestibular da Universidade de Brasília (UnB) destinado a pessoas com pelo menos 60 anos, não apenas fornece oportunidades de estudo para a terceira idade, mas também emociona famílias inteiras. Um exemplo disso é a família Souza, da Ceilândia, que parou tudo para celebrar a aprovação do carteiro Ruinatan Lopes de Souza, de 65 anos, nesta terça-feira (15).

Rui, como é carinhosamente chamado por familiares e amigos, foi aceito no vestibular para o curso de Letras – Tradução (Espanhol). Agora, ele vai equilibrar seu tempo entre o trabalho de carteiro e as atividades relacionadas ao curso.

Esta é a primeira chance real que Rui tem de obter um diploma de ensino superior, muito gracias à sua filha caçula, a farmacêutica Náthaly Souza, de 26 anos. “Foi um processo longo até convencê-lo a fazer o vestibular, pois ele duvidava de sua capacidade de passar. Mas, com paciência, consegui convencê-lo,” conta Náthaly ao Metrópoles.

“Desde a inscrição, ele começou a assistir a videoaulas sozinho e se dedicou a ler e escrever vários modelos de redação,” recorda a filha, que também estudou na UnB e se formou em março. “Ele é muito dedicado.”

Rui tem uma paixão por línguas. Nos anos 1990, ingressou no Centro Interescolar de Línguas de Ceilândia (Cilc) para aprender francês, mas precisou interromper os estudos por conta do trabalho. Contudo, retornou e concluiu o curso em 2021. “Ele se formou em 2024, mas, como não queria parar de estudar, fez a prova para mudar de currículo e continuar lá por mais três anos,” explica Náthaly. Agora, um especialista em francês, Rui vai se aventurar na língua espanhola. “Ele escolheu aprender espanhol por pura curiosidade,” revela a jovem.

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“Meu pai adora estudar e se dedica bastante a isso. Ele sempre me diz: ‘Se alguém me disser que sou velho demais para estudar, não me importo e vou em frente. Não deixe que os pessimistas atrapalhem seu sonho. Acredite em você. Você consegue, não pare agora.'”

Natural de Goianésia, no Vale do São Patrício, Rui se mudou para Brasília no início da construção da cidade. Ali, casou-se e criou seus quatro filhos, tornando-se parte da história da capital federal. “Ele morou um tempo na Vila do IAPI, depois passou por algumas quadras da Ceilândia Norte e, há 37 anos, vive na mesma casa no Setor O,” menciona Náthaly, que nasceu e cresceu naquele lar.

“Cheios de emoção,” Náthaly conta que a família acordou ansiosa naquela terça-feira (15/7). “Logo pela manhã, ele já estava me perguntando a que horas sairia o resultado. Ele estava bem animado, mas eu já imaginava que ele seria aprovado,” diz.

Depois que o resultado foi divulgado, a família decidiu fazer uma surpresa para o agora estudante da UnB. “Preparamos uma surpresa para dar a notícia, com cartazes no portão, tinta e um bolinho. Foi surreal ver a felicidade dele. Minha mãe, que também acreditava muito, ficou emocionada e com os olhos cheios d’água, abraçando-o. Foi um momento muito especial,” revela a filha.

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Enquanto celebra essa nova conquista, Rui já se prepara para equilibrar as aulas da UnB e do Cilc. “Ele está empolgado para começar,” conclui Náthaly.

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