As exportações de Goiás para a União Europeia alcançaram US$ 863,7 milhões entre maio e agosto de 2026, o que representa um crescimento de 57,7% em relação ao mesmo período de 2025. O avanço registrado nos primeiros meses após o Acordo Mercosul–União Europeia reforça o potencial do mercado europeu para as empresas goianas e foi um dos destaques apresentados pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), nesta quinta-feira (17), durante a sétima edição do Conexões Produtivas, em Goiânia (GO).
Realizado pela ApexBrasil e pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), na sede da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG), o encontro reuniu governo, setor produtivo, entidades empresariais e instituições públicas para discutir competitividade, diversificação de mercados e oportunidades para a indústria goiana. Participaram da abertura o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa; a diretora de Negócios da ApexBrasil, Maria Paula Velloso; o presidente da ABDI, Olavo Noleto; e o presidente da FIEG, André Rocha.
O mercado europeu já ocupa posição relevante na pauta exportadora do estado. Em 2025, Goiás vendeu US$ 1,68 bilhão para a União Europeia, equivalente a 12,4% de todas as exportações goianas, o que colocou o bloco como o segundo principal destino dos produtos do estado, atrás apenas da China. Países Baixos, Espanha, Alemanha, Polônia e Finlândia foram os cinco principais destinos dentro da UE.
Ao abordar as estratégias brasileiras diante das mudanças no comércio internacional, o ministro Márcio Elias Rosa destacou que a abertura e a diversificação de mercados exigem um trabalho contínuo de apoio ao setor produtivo.
“Diversificar mercados é possível, mas não é um processo imediato. É um trabalho de longo prazo, e a ApexBrasil tem um papel muito importante no apoio ao setor empresarial para encontrar novos mercados e novas oportunidades”, afirmou o ministro.
A diretora de Negócios da ApexBrasil, Maria Paula Velloso, destacou a diversidade da economia goiana e o papel da Agência na aproximação das empresas com o mercado internacional. Nas seis edições anteriores do Conexões Produtivas, cerca de 1,5 mil empresas foram atendidas.
“Goiás tem uma indústria rica e diversificada, com força em segmentos que vão de máquinas e equipamentos à moda. A ApexBrasil está aqui para apoiar essas empresas no esforço exportador, na abertura de novos mercados e também na atração de investimentos que possam se traduzir em desenvolvimento e novos negócios para o estado”, afirmou a diretora de Negócios da ApexBrasil.
Indústria responde por mais de 60% das vendas à UE
Os dados apresentados durante o Conexões Produtivas também mostram que a indústria tem peso expressivo nas vendas goianas ao mercado europeu. Entre janeiro e agosto de 2026, a indústria de transformação respondeu por 62,4% das exportações de Goiás para a União Europeia, seguida pela agropecuária, com 29,7%, e pela indústria extrativa, com 7,9%. Nas exportações totais do estado para o mundo, a indústria de transformação representou 47,4% e a agropecuária, 46%.
Alguns segmentos industriais registraram crescimento expressivo nas exportações goianas para o mundo no período. As vendas de máquinas agrícolas chegaram a US$ 51,5 milhões entre janeiro e agosto, alta de 73,1%. Já as exportações de aeronaves e outros equipamentos, incluindo suas partes, alcançaram US$ 14,5 milhões, avanço de 1.091,7%. Equipamentos de telecomunicações cresceram 95,2%, enquanto máquinas e aparelhos elétricos avançaram 367,9%.
No comércio com a União Europeia, diferentes produtos goianos também ampliaram sua presença entre maio e agosto deste ano. As exportações de minérios de cobre e seus concentrados cresceram 153,3%; as de carne bovina, 62%; as de soja, 401,9%; e as de carnes de aves e suas miudezas, 211,4%, na comparação com o mesmo período de 2025.
Novas oportunidades para empresas goianas
Os dados apresentados pela ApexBrasil também ajudam a dimensionar o espaço ainda disponível para ampliar a presença de Goiás no mercado europeu. Em 2025, o estado exportou US$ 13,47 bilhões para o mundo, dos quais US$ 1,68 bilhão teve como destino a União Europeia. Ao todo, 168 empresas goianas exportaram para o bloco naquele ano.
Um exemplo desse potencial está no segmento de máquinas e aparelhos para colheita. Goiás exportou US$ 52,7 milhões desses produtos para o mundo em 2025, mas não registrou vendas para a União Europeia. A inteligência comercial da ApexBrasil identifica oportunidades de exportação em sete países europeus para esse grupo de produtos.
O presidente da ABDI, Olavo Noleto, ressaltou que o avanço das empresas brasileiras em novos mercados também passa por ganhos de produtividade e pela incorporação de novas tecnologias.
“Ganhar competitividade é ganhar condições para disputar mercados e novos clientes. Por isso, precisamos apoiar a indústria na incorporação de tecnologia, na automação e no aumento da produtividade”, afirmou.
Além das oportunidades abertas pelo Acordo Mercosul–União Europeia, a sétima edição do Conexões Produtivas contou com debates sobre acordos comerciais e oportunidades para empresas goianas, os impactos da Nova Indústria Brasil no estado, difusão de tecnologias para ampliar a competitividade e soluções do BNDES para o financiamento do comércio exterior.
Encerrando a programação de painéis, o coordenador de Acesso a Mercado da ApexBrasil, Igor Gomes, apresentou o painel “Oportunidades do Acordo Mercosul–União Europeia para Goiás”. A apresentação mostrou como as empresas do estado podem identificar oportunidades a partir de seus produtos, com informações sobre exportações brasileiras, demanda da União Europeia, mercados europeus com potencial e condições de acesso previstas no acordo. A ApexBrasil disponibiliza ferramentas de inteligência de mercado que permitem às empresas consultar essas informações e avaliar caminhos para ampliar sua presença no bloco europeu.
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