O chefe de gabinete do deputado federal Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), Talmo Bauer, foi preso nesta sexta-feira (5). A prisão preventiva foi embasada na acusação de um suposto sequestro qualificado contra a jornalista Patrícia Lelis, ex-militante do PSC Jovem, de 22 anos, que acusa Feliciano de tentativa de estupro, assédio sexual e agressão.
Conforme reportagem divulgada na Revista Época online, a investigação sobre o assédio, a pedido da Procuradoria Especial de Mulher do Senado, só ocorrerá se for aprovada pela Procuradoria-Geral da República. No depoimento que prestou à Polícia Civil de São Paulo na quinta-feira (4), a jornalista forneceu detalhes de como, segundo ela, Feliciano teria a atraído para o apartamento funcional dele, em 15 de julho. “Ele falou que tinha uma reunião do PSC Jovem, mas quando cheguei lá, só estava ele”, afirmou.
No depoimento, a jornalista disse que em seguida o parlamentar teria tentado abusá-la sexualmente. “Ele tentou levantar meu vestido e tirar minha blusa. Como eu não deixei, ele me deu um soco na boca e um chute na perna”, narrou. Ela contou que só conseguiu escapar porque uma vizinha ouviu seus gritos e tocou a campainha para saber se estava tudo bem. Acompanhada da mãe e de uma advogada, ela também acusou dois outros políticos importantes do PSC.
Patrícia relatou que, no dia posterior à suposta agressão, procurou ajuda no PSC, mas, de acordo com ela, ofereceram dinheiro para ficar em silêncio. A proposta teria sido feita pelo presidente nacional do partido, Pastor Everaldo. Segundo ela, também estava na reunião o deputado Gilberto Nascimento.
“Pastor Everaldo me deu uma sacola de mercado cheia de dinheiro e disse que era para eu ficar quieta”, narrou à polícia. Segundo ela, Everaldo também a ameaçou de morte. A jornalista disse também que, após relatar o caso no PSC, passou a ser perseguida dentro do partido.
Patrícia contou que foi procurada pelo chefe de gabinete de Feliciano, Talma Bauer. Com gravador ligado, encontrou com Bauer em um café. O arquivo foi encaminhado por ela a dois amigos, com a orientação de que deveria ser divulgado na internet caso acontecesse alguma coisa com ela.
No sábado passado (30/07), em São Paulo, Patrícia afirmou que o assédio por parte de Bauer continuou. Segundo ela, o chefe de gabinete a forçou a gravar dois vídeos em que negava as agressões e rasgava elogios a Feliciano. Os vídeos foram publicados na internet nesta semana. “Ele também pegou a senha do meu Facebook e do Whatsapp e passou a mandar mensagens em meu nome”.
Ao estranhar a postura da jovem nas redes, os amigos divulgaram, na quarta-feira passada, o áudio. Na conversa, Bauer oferece ajuda a ela e a aconselha a “deixar tudo para lá”, disse. Por telefone, reafirmou ao jornal O Estado de S. Paulo o que havia dito no vídeo – que não havia sido agredida por Feliciano. Ao conversar pessoalmente, no entanto, confirmou a agressão.
“Eu estava com medo porque estou sendo monitorada”, disse. Durante a conversa com a reportagem, Patrícia recebeu dezenas de ligações de Bauer, que levou a jovem a procurar a polícia.
Investigação
A investigação será encaminhada para Brasília porque o deputado Feliciano tem foro privilegiado. “Vamos apurar o caso com muito cuidado”, disse o delegado Luís Roberto Hellmeister, responsável pelo caso. Procurados pelo jornal O Estado de S. Paulo, os deputados Pastor Marco Feliciano e Gilberto Nascimento não foram localizados.
O presidente do PSC, Pastor Everaldo, diz que o tema será debatido na sigla na terça-feira (9/8) e que criará comissão para apurar o caso. “Essa pessoa (Patrícia Lelis) que está falando aí eu nunca recebi sozinho. Recebi uma única vez na sede do partido. Não conheço essa história. Não sei do que se trata”, alegou. Talma Bauer foi liberado na madrugada deste sábado (6/8), após prestar depoimento à Polícia Civil, em São Paulo.
Com Agência Estado






































