Os governos Lula foram dos mais auspiciosos para a cultura brasileira. Lula não se ateve ao planejado em sua campanha vitoriosa. Surpreendeu e chamou Gilberto Gil para ser seu ministro com ideias revolucionárias. Foi, então, implementada uma gestão divisora de águas e em que até um pequeno lavrador do sul ou um motorista de caminhão cruzando o norte do país sabia quem era o nosso ministro da cultura –e que a cultura tinha seu ministério.
Com os governos Lula a cultura, em todas suas expressões, se democratizou no acesso e se multiplicou na ação. Gil revirou o tacho nacional, em especial com o programa Cultura Viva, em consonância com Célio Turino, com destaque para criação dos Pontos de Cultura, vários milhares deles, descentralizando e desconcentrando o fazer artístico e o consumo cultural.
Agora, para um bom resultado nessas eleições de outubro é preciso fazer frente e desconstruir a lógica propagada por corrente interessada, a de que, em tendo ela eleito mais governadores e representantes no 1º turno, é preciso que essa mesma corrente eleja também o presidente, que é “para o trabalho político fluir com harmonia”, como dizem.
Isso é falso, pois é preciso justamente o contrário. Vivemos em uma democracia. A eleição de um conjunto de forças homogêneas nos transformaria em uma monocracia. Isto é, em um só bloco forçosamente coeso e ditatorial, pois sem a representação da diversidade. Bem ao contrário da harmonia, em uma democracia é preciso que se tenha a divergência, a pluralidade, a diferença.
Democracia é isso: saber acolher e conviver conjugando diferentes pontos de vista. Portanto, se a balança ficou pendendo para a direita no 1º turno, é hora de ela vir para a esquerda no 2º turno, buscar o centro e manter, assim, as forças vigilantes, vivas e orgânicas de uma democracia saudável, múltipla e vigorosa.
Nessas eleições vivemos sobretudo o resultado de o domínio dos novos meios virtuais de comunicação, representado pelas possibilidades das redes sociais, ter chegado primeiro à população, que a educação e a cultura. Daí o território imenso para o protagonismo da desinformação e das fake news.
O que nos falta é justamente uma política pública mais eficaz para a educação e para a cultura. Nos falta um novo governo Lula.
Px Silveira é produtor cultural
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