De 35 veículos fiscalizados na BR-153, nos últimos 15 dias, 101 irregularidades foram observadas, inclusive na conduta dos 44 motoristas abordados pela Auditoria Fiscal do Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Goiás (SRTE-GO), durante a Operação Jornada Segura, em parceria com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), com foco majoritário em transporte de cargas. Algumas empresas contratam mais de um motorista para longas viagens.
Além disso, cerca de 50% dos veículos abordados foram considerados antigos, de antes de 1999, quando, por Lei, os veículos têm de sair de fábrica já com o cinto de segurança instalado. Alguns, por exemplo, datavam da década de 1970 e sem a devida manutenção.
Conforme ressalta a auditora fiscal do trabalho Jacqueline Carrijo, a operação teve o objetivo de garantir a proteção dos usuários do sistema rodoviário e dos motoristas profissionais do transporte rodoviário de cargas.
Entre os profissionais que trafegaram pela BR-153 ficou evidenciado que 24 motoristas cumpriam jornada excessiva de mais de 20 horas trabalhadas, considerada uma carga perigosa. “A profissão de motorista de caminhão é considerada grau de risco quatro, o máximo. Chegamos a flagrar pessoas dirigindo há mais de 35 horas. Para isso muitos estavam sob o efeito de drogas. Encontramos até cocaína. Os condutores têm que estar atentos e como uma pessoa que trabalha esse tanto conseguirá responder aos reflexos necessários para a função? Não tem como. Isso coloca em risco todos os usuários da via”, afirma Jacqueline.
Todas as abordagens resultaram em interdição. A habilitação do motorista, em caso de carga excessiva de trabalho, fica retida e ele só pode prosseguir viagem depois de descansar 11 horas seguidas. “Não é só uma infração trabalhista ou de trânsito. Colocar a vida dos outros em risco é crime”, destaca a auditora fiscal. “Muitas empresas não se atentaram ainda para a importância das condições de segurança”, complementa.
Outros 17 veículos apresentaram problemas em cronotacógrafos. Jacqueline explica que esse é um equipamento necessário para a fiscalização. “Quando não funcionam eles impedem o trabalho de fiscalização da jornada do profissional e a velocidade. O excesso de jornada de trabalho combinado com excesso de velocidade potencializa os riscos de acidentes no trânsito”, reforça a auditora.
Os veículos interditados ficam proibidos de continuar viagem, até que seja feita a regularização. A suspensão das interdições é realizada somente após a correção.
Estatísticas
De acordo com dados da PRF, nas rodovias federais os motoristas profissionais estão envolvidos em 38% dos acidentes, apesar dos ônibus e caminhões representarem apenas 4% da frota nacional.
Dos mortos nas rodovias federais, 53% foram em acidentes com participação de caminhões e ônibus. É o que consta no atlas de acidentalidade da Volvo baseado nos dados disponíveis da PRF, referentes ao ano passado.
O Popular





































