CERES AMADA, passei por você, por sua Ponte de Tambores, aos meus quatro anos (1947).
Você estava nascendo.
Voltei a vê-la em 1956, recém- entrada na primeira infância, ó criança.
Eu, adolescente, no seio de sua gente.
Meu mundo era grande. Com você, no Colégio Imaculada Conceição, cuja construção foi dirigida pelo Frei Berard McInerney, curador de almas por excelência.
Frei Francisco, então seu Diretor, no púlpito, com a voz forte
e abençoada, fazendo a homilia, para a moçada em fila, os ginasianos de cada ano.
Todo professor com ar de severidade. Tudo era disciplina e seriedade.
Fiquei longe de você por três anos.
João Sinésio, meu irmão, companheiro e ciumento ” guarda “começou a perder a audição (fazia a 3ª série – estudávamos fora). Voltou para casa e trabalho. Segui o curso e o concluí em Anápolis.
Você fizera seis anos e chegamos aí para morar e viver, um ano antes de sua idade da razão. Todavia, já nascera ajuizada, pela mente de seus fundadores e pioneiros BERNARDO SAYÃO Carvalho Araújo, Álvaro de Melo, Domingos Mendes da Silva, Jair Dinoah Araújo, Congregação Franciscana (norte-americanos em missão no Centro-Oeste), Evangélicos (presbiterianos e batistas).
E várias outras mentes e corações,
Tantas outras mãos, que minha mente não retratou, foram operários ou mestres – de – obra e Mestres. Edificaram moradias
e prédios públicos e particulares, igrejas, escolas, hospitais e, a um só tempo, seu povo culto e generoso. Os cidadãos do centro goiano, mesorregião do Vale do São Patrício, de que hoje é polo cultural, médico, de serviços públicos e privados, afastando-se muito de sua vocação primeira.
Digno de menção honrosa o nome da primeira professora de Inglês aí, mulher
admirável e que deixou grande legado: Helena Andrade Araújo.
De Madre Julita Marttems, uma das primeiras Diretoras da Escola Imaculada Conceição.
Frei Francisco Eustace, inesquecível Diretor do Colégio homônimo.
Frei Edmundo Fox, fundador do Curso Normal (1960 ).
Professor Antonio Hellu, eterno Diretor do Colégio Estadual João XXIII.
Todos, hoje, de saudosa memória.
A Colônia Agrícola Nacional – CANG (criada em 1941), cujo fundador e primeiro Admimistrador foi o grande Engenheiro Agrônomo Bernardo Sayão, deu origem a CERES, núcleo sede da Colônia, abrindo portas e fronteiras para o
No auge da migração e imigração, chegou a mais de 36000 habitantes, sendo mais de 33000 na zona rural. Das CANGs implantadas no país, a de Sayão atingiu a plenitude de seus objetivos.
Surgiu do ideário da Revolução de 1930,
Prosseguindo no Estado Novo, na democracia e nas mentes iluminadas e vontade e força hercúlea.
A pedido de JK, o carioca Bernardo Sayão deixara a tranquilidade das praias e beleza natural e luzes do Rio de Janeiro, para ser desbravador e levar povoamento e vida social à Mata do São Patrício, ou seja, a interiorização do desenvolvimento, o desmanchar de regiões selvagens e seu povoamento.
Com a construção da BR- 153, abriu os sertões para o mundo, o ” Último bandeirante do Século XX”.
Seu companheiro de luta, médico Álvaro de Melo, que dá nome a Colégio e Faculdades, partiu em tragédia (afogamento no Rio das Almas), antes da hora combinada.
Seguiu-se a Marcha para o Oeste, de Getúlio Vargas e dos visionários Juscelino Kubitschek e Bernardo Sayão, enxergando, ao longe, o desenvolvimento da região central do país, indo muito além dos projetos iniciais.
Com a intensa chegada de migrantes e imigrantes, já não se construíam em tempo as moradias. Daí a abertura e expansão para Uruana, Carmo do Rio Verde, Rubiataba, Rianápolis, Santa Isabel e outros.
Aos colonos, eram doados lotes de 32 a 52 ha, de acordo com o tamanho da família (mínimo de cinco filhos). Lotes urbanos eram, igualmente, doados, além
de alimentos, assistência à saúde, escolas, transporte, ferramentas para o trabalho dos rurícolas.
Deu-se, assim, infraestrutura razoável para o acolhimento e fixação deles à terra, fértil e verdadeiramente produtiva e ao nascimento de cidades, em especial, da aniversariante, que hoje festeja, vaidosa e radiante.
Havia condições e exigências de boa conduta (alcoolismo e comportamentos antissociais outros poderiam acarretar a perda do lote urbano ou rural)
Com o tempo, houve uma (re) funcionalização do quadro econômico e socioespacial da região.
Escolas e igrejas se edificaram, desde a abertura dos primeiros clarões na mata fechada. A um só tempo, abriam-se as mentes, nutrindo a fome de desenvolvimento e sede do saber, vindos, quem sabe, do carisma e espírito evoluído do Grande Líder Fundador da CANG, de que nasceu CERES, nome por ele escolhido.
A Marcha para o Oeste teve seu ponto alto na construção da BR-153, a Transbrasiliana, a Belém/Brasília, onde o peso de gigantesca “árvore tombando esmagou o crânio do grande pioneiro, roubando à Patria uma das vidas mais preciosas”.
“Assassinado” pela mata que abria, o grande Herói se foi, em pleno labor e dinamismo, irmanado aos operários.
Foi em janeiro de 1955, em Açailândia – MA.
” Derrubaram, nesse dia, o último jatobá.”…como se expressa a filha Léa (em seus depoimentos na obra “EU VI CERES NASCER”, A Saga do Bandeirante Bernardo Sayão, de Benedito da Silva Aranha, 2001) ou os Irmãos Friedman:
“A floresta arrebata-nos o carvalho”…
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CERES – Deusa da Agricultura – , cresceu em todas as áreas. Fortaleceu-se no espírito universitário, idealizado pelo inesquecível Professor Dr. Olímpio Ferreira Sobrinho, amado eterno Diretor da Faculdade de Direito de Anápolis – FADA.
Sua extensão, aí plantada (im) em 1969, gerou centenas de bacharéis, de que nasceram Advogados, Professores Univesitários, Magistrados, Delegados, Promotores de Justiça agentes sociais de valor em outros ramos e carreiras.
Sobreveio a UniEvangélica, em Anápolis, de que hoje é Reitor Sua Magnificência Carlos Hassel Mendes da Silva, meu ex- aluno, com muito orgulho, na Escola Bernardo Sayão.
Ceres conta, há muitas décadas, com estabelecimentos educacionais, de berçários a Faculdades.
Absalão de Carvalho, empresário, com os demais padrinhos anapolinos e a força de trinta e dois casais fundadores (inclusive meu saudoso cunhado Antônio Jamil Saeghe/Ana – Luísa) trouxe, para a comunidade, um clube de serviços, o Lions Clube de Ceres, Distrito LB- 2, verdadeiramente humanitário.
Seu primeiro Governador foi Mário Grande Pousa. Hoje, o novo Governador é
Dr. Paulo Omar da Silva.
A primeira Presidência coube ao Dr. Odyberto Eduardo Foz Monicci. Robson Ferreira de Sousa, empresário, é o atual.
Já celebrou Meio Século de Vida, em meio a grande festividade.
CERES enfrentou lamaçal em sua terra pegajosa, poeira a poluir céus e chão,
roupas, calçados, calçadas, sem solução.
“Asfalto com palha de arroz”,
Para o povo paciente e resistente,
Tudo passou.
Hoje é uma bela cidade,
Avenidas e ruas urbanizadas,
Praças ajardinadas,
Decoração estonteante,
Mansões, edifícios, Bancos oficiais e privados, carrões e mais carrões.
Clube recreativo, academias e muito mais.
Economia diversificada,
Comércio, pecuária, agricultura mecanizada, serviços públicos e privados, escritórios e grandes empresas.
Ruas e rodovias pavimentadas.
Tecnologia avançada. Mundo virtual.
Excelentes hotéis e gente hospitaleira.
Acolhe, com igual esmero, conterrâneo e estrangeiro.
Com o ” status ” de Cidade- Pólo disponibiliza serviços públicos e rede de proteção social, otimizando a solução de problemas de natureza jurídica, econômica e social.
Conta com todos os meios de comunicação, de rádios, jornais (destaque para os jornalistas pioneiros, João Batista Alves Filho e Waldir Marques Costa, fundador e editor do Jornal do Vale (1975 – um dos ex-
alunos, mais um vencedor) e revistas, a torre de transmissão de inúmeros canais de TV.
Banhada pelo Rio das Almas,
Separando as siamesas,
De um mesmo solo e grandeza:
CERES e RIALMA, irmãs pujantes,
ligadas por duas pontes,
Formando conurbação,
A pulsar um só coração.
Desmembrada do Município de Goiás,
Em 1953, emancipou-se.
Ganhou registro de nascimento.
Não se endeusou. Já nasceu Deusa.
Cresceu em cultura e sobriedade,
Riqueza, fartura, dignidade.
Seus representantes, nos Três Poderes,
Sempre muito respeitados.
Seu primeiro Chefe do Executivo foi Dr. Domingos Mendes da Silva e o atual, Administrador Rafael Dias Melo, da terceira geração de políticos da Família Melo.
Do Ministério Público do Estado, vêm à lembrança os ilustrados Promotores de Justiça Gilson Carvalho e Camilo Alves Nascimento, do meu tempo.
No Legislativo, além da esfera municipal, projetaram-se os nomes dos Deputados Estaduais Domingos Mendes da Silva, Bianor Barbosa, Carlos Mendes, Walter Melo e esposa, Vanda Melo, dentre outros que muito honraram a Deusa dos Cereais.
No Judiciário, os valorosos Juízes de Direito Djalma Tavares de Gouveia, João Batista de Faria Filho, Byron Seabra Guimarães, Mauro Campos, João de Almeida Branco, Roldão de Oliveira Carvalho, Juraci Costa, Orloff Neves Rocha (todos ascenderam ao cargo de Desembargador).
Em destaque, o Juiz de Direito Odenir Guimarães, mártir da Justiça, que dá nome à Penitenciária situada na Grande Goiânia.
Apesar de ter em mãos muitos outros dados e nomes insignes, destaco tratar-se aqui de algumas reminiscências que guardei, no ” baú da memória ” , acrescidas de alguma pesquisa na Internet, no citado livro Eu VI CERES NASCER e fotos da época, umas cedidas pela amiga Célia Zanlucchi, meio- ceresina.
Aos sessenta e cinco anos,
CERES não passa de uma adolescente,
Em crescimento crescente.
Povo culto, solidário, decente,
Beleza e jovialidade, tem vida, não tem idade.
Coberta de flores, palmeiras e multicores.
À margem esquerda do Rio das Almas,
Ergue-se em corpo e espírito.
Altaneira, com luz própria de sua estrela
E da Companhia Hidrelétrica São Patrício.
Seus jardins e floração exuberantes,
Do ipê amarelo às folhagens verdejantes…
Os morrinhos da nostalgia,
Em noite enluarada,
As serestas da madrugada.
São Patrício e o Cristo Redentor,
Aí quietos, de braços abertos,
Acolhendo com amor.
A Deusa, não mais que de repente,
De roxo e lilás se veste.
Recordações e saudades
Não resistem a seu teste.
Aos borbotões, lágrimas se derramam nos corações.
Por Orlanda Luiza de Lima Ferreira em homenagem a Ceres aniversariante setembina.














































