Forte aparato montado pelas polícias Civil e Militar de Uruaçu – com respaldo logístico do Grupo Anti-Sequestro (GAS) da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (DEIC) de Goiânia – foi decisivo para que a família de um funcionário do Banco do Brasil da cidade do Norte do Estado fosse liberada às 12h15 da quarta-feira (11) em Jaraguá, quase doze horas após serem vítimas do terror e ação ousada de uma quadrilha que exigiu do homem, posteriormente, uma quantia quase que milionária como pagamento de resgate de sua mulher e dois filhos do casal (um menino de nove anos e uma menina, de seis) mediante a abertura do cofre da instituição financeira localizada na Avenida Tocantins, região central da cidade. Porém, os marginais perceberam que não teriam êxito na empreitada e acabaram fugindo da cidade às 8 horas da manhã quando o bancário chegou à agência em seu horário habitual de trabalho, relatando ao gerente o que havia ocorrido naquela madrugada. Tudo começou quando a casa do bancário – de 51 anos, cujo nome não foi revelado por questões de segurança – foi invadida por volta das 22 horas da terça-feira (10) por um único indivíduo, aparentando 25 anos, que portava um revólver calibre 38.
Assim que perguntando sobre o queria, o bandido logo respondeu ao bancário que o ilícito dizia respeito ao trabalho do funcionário do BB, enquanto falava com os demais comparsas pelo celular. Em dado momento, o bancário foi obrigado a falar com os bandidos pelo telefone e informou que havia apenas uma pequena quantia em dinheiro armazenada nos cofres do BB em Uruaçu. Na sequência, esse primeiro bandido saiu com o bancário e sua família no carro das vítimas até determinado ponto na região central de Uruaçu, onde um segundo elemento embarcou no veículo. De acordo com os policiais civis do GAS, o carro seguiu pela BR-153 quando, por volta da 00h00, os dois assaltantes pararam o carro numa estrada vicinal às margens da rodovia federal, entre Rianápolis e Jaraguá.
Nesse primeiro local, num matagal, o bancário e sua família permaneceram sob a mira do revólver de um dos integrantes da quadrilha, até as 3 horas da madrugada da quarta-feira (11). Depois de Rianápolis, mas na direção de Uruaçu, as vítimas foram levadas para uma segunda estrada vicinal às margens da 153, onde apareceram mais três elementos do bando. Segundo o relato da vítima aos policiais civis do GAS, dois dos assaltantes ficaram com a esposa e as duas crianças do casal enquanto o bancário fora levado para um local mais distante, pelos outros três bandidos. Depois de ser torturado pela quadrilha com batidas da ponta da arma; murros nas costas e na cabeça – julgando que o bancário mentia ao afirmar que havia pouco dinheiro estocado no BB em Uruaçu – a vítima foi obrigada a entrar novamente no carro com a mulher e os filhos sob a vigilância de dois dos assaltantes, momento que notou a presença de outros dois bandidos com fisionomia diferente dos três que o torturaram – todos armados com pistolas e revólveres – exigindo que o bancário retirasse R$ 800 mil do cofre do BB em Uruaçu. No retorno à cidade, por volta das 5h20, o bancário foi deixado em sua residência “para descansar e ir trabalhar normalmente no banco” de acordo com a orientação dos criminosos para o saque da quantia exigida, que acabou não ocorrendo.
“Não houve o pagamento de nenhum valor como resgate. Até porque, se isso tivesse ocorrido algo nesse sentido, incentivaria que outros criminosos fizessem o mesmo aqui em Uruaçu. O próprio banco (o BB) agiu com bastante sigilo e seus funcionários, evidentemente, ficaram bastante apreensivos com relação ao fato. Mas é normal, numa cidade como Uruaçu, que uma ‘movimentação diferente’ desperte o interesse das pessoas. Eu mesmo fui despertado na madrugada por vários amigos que buscavam saber o que estava acontecendo, mas enquanto a Polícia Civil não sabia exatamente o que estava ocorrendo com essa família, tivemos que manter esse monitoramento do caso no máximo de segredo possível para evitar qualquer estardalhaço que atrapalhasse o trabalho conjunto das forças de Segurança Pública. O mais importante foi a preservação da integridade física das vítimas”, afirmou o tenente-coronel Maxwell Franco de Morais, comandante do 14º Batalhão da Polícia Militar (14º BPM) da cidade em entrevista à Rádio Uruaçu 103,7 FM após o desfecho do rumoroso caso. Em novembro de 2013, ação semelhante ocorreu com outro funcionário do BB em Uruaçu, cuja família foi sequestrada e liberada algum tempo depois, num matagal no entroncamento da BR-153 com a BR-080 na direção de Barro Alto.
Diário do Norte







































