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Marconi diz em entrevista coletiva que: Ex-executivos mentem porque querem se livrar da cadeia

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O governador de Goiás, Marconi Perillo, concedeu entrevista coletiva na manhã de hoje (16) para falar sobre os depoimentos dos ex-executivos da Odebrecht. Durante a coletiva, que ocorreu na Sala de Situação do Palácio Pedro Ludovico Teixeira, em Goiânia, Marconi respondeu a 21 perguntas de repórteres, colunistas e editores de blogs, sites, jornais, emissoras de rádio e canais de televisão de todo o Estado. 

 

O governador afirmou estar tranquilo quanto aos pontos a serem apresentados em sua defesa caso o Superior Tribunal de Justiça (STJ) abra inquérito sobre o caso. Confira a íntegra das perguntas e respostas dos jornalistas:

 

Quais são as providências que o senhor irá tomar em relação a essas delações?

As providências serão definidas por mim e pela minha defesa, com o suporte do Dr. José Eliton, que é advogado. Serão encaminhadas ao STJ. Vamos fazer todos os esclarecimentos, inclusive nos utilizando desses vídeos da nossa própria defesa.

 

O senhor almoçou com o Marcelo Odebrecht em São Paulo em 2014?

Eu não me lembro a data, mas estive, sim, com ele, assim como estive com os presidentes do Banco Itaú, do Bradesco, da BR e tantos outros. Eu procurei vários executivos de porte nacional e local para pedir colaboração. Não falei em números, como já afirmei, mas pedi que eles avaliassem a possibilidade de nos ajudar porque a Odebrecht já tinha aqui vários negócios, inclusive fora da área de infraestrutura, como são as plantas de etanol dentre outras.

 

O senhor participou de jantar com Fernando Reis na casa do ex-senador Demóstenes Torres em 2010 e depois recebeu Alexandre Barradas em sua casa no Alphaville?

Eu me lembro do jantar, quando fui apresentado a eles na casa do Demóstenes. Eles próprios disseram que eu falei muito pouco nesse jantar. Conversei com eles várias vezes, afinal de contas eram muitos os interesses, os assuntos do Estado de Goiás e que tinham a participação deles. Mas as minhas principais reuniões foram relacionadas ao aeroporto de Goiânia. Só no TCU eu devo ter me reunido com o relator do processo e executivos da Via Engenharia e Odebrecht pelo menos umas 20 vezes. Até que nós conseguimos chegar a um acordo.

 

Nesse almoço com o Marcelo Odebrecht o senhor encaminhou cópia da PMI que tinha feito e apresentou a ele como disse o Fernando Reis?

Olha, eu não vi o Fernando Reis dizendo isso, mas em hipótese alguma eu faria isso. Não teria a menor lógica tratar desse assunto com o dono de um grupo de empresas que estavam interessadas em obras em Goiás. Eles próprios disseram nas delações sobre como foram concorridas as licitações, especialmente a da subdelegação de Aparecida, Trindade e Rio Verde. E também como estava sendo concorrida a PMI para uma suposta licitação no Entorno de Brasília.

 

O senhor acha que os telefones do Jayme Rincón podem ter sido grampeados já que nas delações de 2016 eles citaram esses telefones?

Eu acredito que não. Foram solicitadas provas e eles não apresentaram nada. Ficou muito claro nas delações o que eles tinham de prova ou não tinham. Um deles, inclusive, disse que eles não tinham prova alguma.

 

Jayme Rincón disse que o Ricardo Ferraz esteve com ele na Agetop várias vezes. Quais os motivos dessas visitas?

Quem tem que responder isso é o Jayme. Eu repito: o meu foco era desembaraçar o aeroporto de Goiânia. É importante dizer também que aquela história da operação ocorreu no momento em que apareceram nomes na lista. E coincidentemente no dia em que supostamente teria sido entregue esse recurso, a Odebrecht fez uma doação de R$ 1 milhão que era exatamente o valor que estava na lista deles, de uma doação legal, no mesmo dia e na mesma data. Acho que é uma coincidência muito grande.

 

Em que circunstâncias surgiram essa conversa de que o senhor teria pedido R$ 50 milhões à Odebrecht?

Isso é uma balela, não tem o menor cabimento. Eu pedi ao Marcelo Odebrecht como pedi a outros empresários. Era campanha, era legal o financiamento empresarial. Eu falei com muitas empresas daqui, como falei com empresas de fora.

 

Como o senhor avalia a divulgação dessas delações?

Eu acho que tem muita coisa errada nessa super exposição que existe hoje por parte de setores, do Ministério Público e da própria imprensa. Acho que querem nivelar por baixo toda a classe política, aniquilar a classe política. Eu não sei quem é que substituiria pessoas experientes que estão na política num momento tão grave por que passa o Brasil. Não é tão simples chegar e dizer que vai ser governador, vai ser presidente da república, vai ser ministro, se não tem experiência, não tem capacidade de articulação com amplos setores da sociedade. Eu duvido que algum procurador de justiça desse daria conta de vir para o Executivo e fazer governos avançados, progressistas, transformadores, realizadores.

 

O que as empresas esperavam do governo quando recebiam pedido de dinheiro para a campanha?

A gente pedia os recursos e eles davam se quisessem. Alguns dão, outros não. Alguns têm negócios aqui, alguns acham que a gente tem uma capacidade de gestão que é apreciada por eles, que nós podemos ter influência no sentido do desenvolvimento nacional. Todos eles sabiam que há muitos anos eu tenho uma influência forte na discussão de temas nacionais, como as reformas. Infelizmente na América Latina o populismo grassou nos últimos anos. Pouca gente tem coragem de expressar sua opinião em relação a temas delicados que são deformados ou que são desviados por parte de alguns setores da política. É impressionante a forma como alguns políticos no Brasil colocam essa questão da previdência. Eu tenho colocado de uma maneira honesta. Eu imagino que o interesse de se fazer essa doação legal era para que alguns governantes do País pudessem ser eleitos e que pudessem influenciar o país de uma maneira legal.

 

Caso os delatores apresentem provas, como o senhor pretende confrontá-las?

Primeiro mostrando as nossas próprias provas. Segundo confrontando as provas que eventualmente eles venham a ter. Eu acho que vai ser difícil eles apresentarem provas contundentes, porque, se tivessem, teriam entregue no ato das delações.

 

Qual o papel do Jayme Rincón nesse processo de contribuições?

O Jayme é meu amigo há mais de dez anos. Ele foi um dos tesoureiros na campanha de 2010. Em 2014 o Jayme sequer participou da campanha, nem informalmente. Nós tínhamos um comitê financeiro na campanha de 2014 e foi ele que tratou com todos os doadores.

 

Por que todos os delatores citaram o seu nome?

Eu fiquei perplexo como qualquer pessoa que é acusada por algo que não fez. Eu estou tranquilo. Eu não posso brigar com alguém que vai lá pra livrar a sua pele e sai dizendo que houve caixa 2 por aí, propina acolá. Já houve um desmentido em relação ao ex-prefeito Eduardo Paes. Eu não tenho poderes para dizer a eles que não mintam, não caluniem, não digam uma coisa que não foi feita. É impressionante como todo mundo está dando valor a delatores. No passado a palavra delator era algo inominável. Quem delatou Tiradentes e outros vultos da história. Hoje não. Parece que eles são os santos e a classe política é que é o demônio. Ora, se tudo isso aconteceu é porque fizeram muita coisa errada. Agora, jogar nas costas de pessoas que não têm nada a ver com isso é uma irresponsabilidade e até um crime.

 

O senhor acredita em motivação política?

Não. Não acho até porque essas delações envolvem trezentos, quatrocentos políticos no Brasil todo. Acho que o contexto é o temor de todos eles de serem condenados e irem para a cadeia.

 

Por que eles envolveram o seu nome?

Isso é uma coisa que tem que ser perguntado a eles. Eu já disse: se eles envolveram o meu e o nome de tantos outros certamente é porque estão com medo de ir pra cadeia. Eles próprios disseram, e se contradisseram: “Olha, não houve interesse algum, as coisas foram duras, as licitações mais disputadas em Goiás que já tivemos, não havia pedido de contrapartida”. Eles próprios disseram.

 

O investimento em sua campanha não teria sido feito na expectativa de que a empresa seria beneficiada em seu governo?

A maior prova de que não houve esse tipo de tratativa é que esses assuntos não foram pra frente. Se tivesse qualquer tipo de conluio, de acordo entre eu e eles, eles não teriam pagado 300% de ágio em uma licitação para quatro cidades. Se tivesse qualquer tipo de compromisso de contrapartida com eles, nós teríamos levado adiante a PMI. E ela não foi pra frente por razões técnico-financeiras. Essa foi uma decisão a favor do estado que eu tomei. Eu deveria estar sendo elogiado por não ter feito nada do que eles queriam que eu fizesse.

 

O senhor toparia fazer uma acareação com eles?

Se o STJ marcar eu vou na hora. Quem vai ser o árbitro dessa discussão será o STJ. Estarei à disposição para qualquer ato determinado pelo STJ.

 

O Dr. Érico de Pina e o Stiueg denunciaram na época irregularidades nesse processo de concessão da Saneago. Por que eles não foram ouvidos nesse processo?

Nós ouvimos muito. Foram feitas muitas audiências públicas. Nós contestamos esses argumentos que existiam por parte do Stiueg, que morria de medo de perder a Saneago para o setor privado. Fizemos um acordo com o Stiueg, o ex-prefeito Paulo Garcia e a Câmara Municipal tirando definitivamente Goiânia de qualquer possibilidade de subdelegação ou de privatização por 30 anos. Eles tinham uma opinião técnica em relação a esse assunto que era contestada por nós. Democraticamente, havia uma divergência de opiniões. O Dr. Érico de Pina me disse recentemente que havia mudado a sua opinião em relação a isso. 

 

Qual a importância da Lava Jato para o Brasil?

Ela é extremamente relevante para o País. O Brasil está sendo passado a limpo. Existem injustiças, mas existe muita coisa que realmente aconteceu. Existem alguns exageros midiáticos, mas não há ninguém no Brasil que não considere a Operação Lava Jato necessária para a depuração da política no Brasil.

 

O senhor se encontrou com o Alexandre Barradas, como ele afirmou, aqui no Palácio Pedro Ludovico?

Eu tive vários encontros com eles para conversar sobre vários assuntos, e principalmente para buscar um acordo no TCU com vistas à conclusão do aeroporto de Goiânia. Embora não fosse responsabilidade do governo estadual e, sim, da Infreaero, esse tema estava há dez anos parado. A imprensa me cobrava todos os dias posições minhas, iniciativas minhas no sentido de ajudar a resolver esse imbróglio. E eu, como nunca fico parado, nem omisso, fui atrás e hoje o aeroporto está pronto. Ajudei muito a buscar um entendimento. Eles diminuíram o preço junto a Infraero.

 

Esse novo modelo de financiamento de campanhas é o ideal?

Se a gente não tiver um modelo compatível com a realidade brasileira, serão eleitos os ricos, que podem financiar suas próprias campanhas, pessoas vinculadas a movimentos religiosos, sindicatos e crime organizado. Essas eleições foram as mais violentas em alguns estados brasileiros, principalmente no Rio de Janeiro, onde facções que tinham candidatos mataram uns aos outros e o financiamento do crime organizado correu frouxo. Se não tivermos um sistema de financiamento eleitoral e partidário absolutamente claro e transparente, nós vamos ter no Brasil, futuramente, um Congresso muito pior, porque alguns grupos vão eleger seus representantes.

 

O senhor não teme desgaste eleitoral com a inclusão do seu nome nas delações?

Duvido que algum político brasileiro, líder regional tenha tido uma exposição tão longa como eu tive na Operação Monte Carlo. Eu fui capa de jornal pelo menos umas 100 vezes. As televisões usaram esse assunto por mais de um ano. Na campanha de 2014 eu enfrentei esse debate, como estou enfrentado aqui hoje. Se eu for candidato a alguma coisa no futuro, eu vou enfrentar esse debate como vou enfrentar qualquer outro, colocando a minha opinião e os meus argumentos. Eu estou andando Goiás inteiro com o José Eliton e estou vendo como está sendo a recepção ao nosso trabalho, ao Goiás na Frente e às ações do Governo do Estado. Estou absolutamente tranquilo em relação ao debate que virá. Debate é para enfrentarmos os temas, principalmente os temas mais desgastantes.

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