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Plantão Policial

Miss trans que denunciou delegado por estupro diz que foi deixada no porta-malas sangrando após abuso sofrido

Jade Fernandes concedeu entrevista coletiva nesta segunda-feira (8) e relatou que foi o delegado quem disse após o ocorrido: “você está sangrando”.

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O relato da modelo trans Jade Fernandes de Oliveira de 23 anos, começa com ““Eu literalmente apaguei”, em uma coletiva de imprensa concedida nesta segunda-feira (8).

Jade disse que em meio às falhas de consciência, se recordando apenas de “vultos e muito sangue”, a goiana veio a público explicar o que teria ocorrido após o suspeito, o delegado Kleyton Manoel Dias, ter oferecido uma carona a ela.

Na coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira, Jade se abriu e revelou que tudo começou ao ser convidada para o aniversário de um jornalista, por meio de uma amiga em comum.

A modelo afirmou que não conhecia nenhuma das pessoas presentes no local, tendo tido contato apenas com o aniversariante para a realização de um podcast no futuro.

A intenção da modelo seria conhecer as pessoas e divulgar o trabalho como miss. Disse que em determinado momento da noite, o delegado teria se apresentado e a elogiado.

Na madrugada, Jade afirmou que havia se aproximado de uma mulher e os três teriam decidido continuar a festa em outro bar.

A modelo frisou que estavam indo entre amigos, mas sentiu o clima mudar dentro do carro ao ser perguntada se era “menina ou menino” e responder que seria “boneca”.

“Quando eu falei, ele já mudou o jeito e falou que era melhor a gente ir para casa”, declarou a miss. Ela então teria dito que pediria uma viagem por aplicativo, mas o suspeito garantiu que as levariam em segurança.

O suposto crime

Jade disse que após deixar a primeira mulher em casa, o delegado teria estacionado o carro em uma região erma e questionado sobre onde iriam, já com o órgão genital exposto. Ela reafirmou que iria para própria casa.

“Eu insisti que não, e a partir daí começou a ficar um pouco mais agressivo”, relembrou. Foi nesse momento que vítima teria sido arrastada para o porta malas, mas temendo pela vida, não gritou por socorro.

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“Depois que você é abusada várias vezes, a única coisa que você espera é que acabe logo e torce para não morrer. Eu lembro dele olhar para mim, me sacudir e dizer que eu estava sangrando”, relembrou.

Em seguida Jade foi deixada em casa, com a meia calça rasgada e despida do vestido. A misse desceu do carro suja de sangue e em estado de choque.

Os vultos de memórias, segundo a vítima, se explicam pela possibilidade dela ter sido dopada.

“Acredito que ninguém faz algum tipo de relação sexual e joga alguém na carroceria ensanguentado. […] Ninguém deixa alguém daquele jeito em uma relação sexual”, enfatizou.

A denúncia

A miss confidenciou que é a sexta vez que sofre violência sexual, sendo que a primeira foi aos 9 anos. Contudo, é o primeiro caso que formaliza uma denúncia.

Jade denunciou o delegado, e o caso é investigado pela Delegacia da Mulher (Deaem) com auxílio e acompanhamento da Corregedoria. “Ele acredita na inocência dele e eu acredito na minha verdade”, disse.

Do momento em que eu não tenho interesse algum, em que eu me nego a me deitar com homem, eu acredito que seja estupro. Porque eu não acredito que ninguém faça um tipo de relação sexual e joga num carro ensanguentada”, disse a misse.

Jade descreveu que bebeu naquele dia: uma taça de gin, dois copos de whisky, e, antes da festa, dois espumantes. Ela disse que estava “bem lúcida”, mas as memórias do abuso são “turvas”, por isso, acredita ter sido dopada, mas ainda aguarda o laudo do Instituto Médico Legal (IML).

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A advogada de defesa, Kesia Oliveira Souza, informou que o laudo do IML que comprova a conjunção carnal já ficou pronto. “Agora está especificando outros, outras situações, tais como exame toxicológico de sangue para ver se ela realmente foi dopada no fato”, disse.

Quem é Jade Fernandes

Jade Fernandes é goianiense, mas tinha sido eleita em outubro Miss Ultra Universe Distrito Federal 2023/2024. Também maquiadora, a modelo foi a primeira mulher transgênero a ganhar o título na capital federal.

Delegado Kleyton Manoel emite nota

No sábado (6), logo após o caso ser tornado público, o delegado apontado como suspeito emitiu uma nota onde se afirma inocente e garantindo que irá provar a própria inocência.

Veja na íntegra a nota:

De início, repudia veementemente as acusações e se coloca à inteira disposição das autoridades nas investigações que apuram o caso.

Informa que ainda não foi ouvido no inquérito que investiga o suposto estupro.

Irá provar a sua inocência e neste momento está muito abalado com o ocorrido, cuidando de sua familia, esposa e filho.

Por fim, pede encarecidamente a todos cautela nas conclusões precipitadas, que aguardem as conclusões das investigações no esclarecimento dos fatos, que ao final irá demonstrar a sua inocência.

Nota da Polícia Civil

A Polícia Civil de Goiás informa que, assim que tomou conhecimento do fato, adotou todas as medidas necessárias para seu esclarecimento, sendo o caso investigado pela Delegacia da Mulher (Deaem) com auxílio e acompanhamento da Corregedoria.”

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