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nota de falecimento

Morre filósofo alemão Jürgen Habermas aos 96 anos

A morte foi confirmada nas redes sociais da editora Suhrkamp, que citou informações da família do intelectual.
DUDÁS SZABOLCS/EURÓPAI BIZOTTS

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A filosofia contemporânea perde uma das vozes mais influentes na defesa do diálogo, da razão e da democracia. O filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas morreu neste sábado (14), aos 96 anos. A morte foi confirmada nas redes sociais da editora Suhrkamp, que citou informações da família do intelectual.

Considerado um dos pensadores mais influentes do século 20 e do início do século 21, Habermas faleceu em sua residência em Starnberg, nos arredores de Munique, na Alemanha. A causa da morte não foi divulgada.

Ao longo de mais de sete décadas de atuação intelectual, o filósofo se destacou por suas reflexões sobre democracia, linguagem e participação política, tornando-se uma referência central no debate público europeu.

Vida e formação

Nascido em 1929 na cidade de Düsseldorf, na Alemanha, Habermas cresceu durante o período do nazismo, experiência que marcaria profundamente sua obra. Ainda jovem, vivenciou o fim da Segunda Guerra Mundial e usou o legado do regime nazista como ponto de partida para refletir sobre democracia, memória histórica e responsabilidade política.

Entre 1949 e 1954, estudou filosofia, história, psicologia, literatura alemã e economia em universidades como Universidade de Bonn, Universidade de Göttingen e Universidade de Zurique. Antes de consolidar carreira acadêmica, também atuou como jornalista freelancer.

Escola de Frankfurt

Habermas tornou-se um dos principais representantes da segunda geração da Escola de Frankfurt, corrente de pensamento ligada à Teoria Crítica e marcada pela análise das estruturas sociais e culturais do capitalismo.

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Ele foi influenciado por pensadores como Theodor W. Adorno e Max Horkheimer, que o convidaram a integrar o Instituto de Pesquisa Social da Universidade de Frankfurt.

Em 1964, assumiu a cátedra de Filosofia e Sociologia na Universidade de Frankfurt, sucedendo Horkheimer e consolidando sua posição como um dos principais intelectuais da Alemanha do pós-guerra.

Pensamento central

A democracia foi o eixo central da obra de Habermas. Para ele, a legitimidade política não deveria se basear na força ou apenas no mercado, mas no entendimento construído entre cidadãos livres e iguais.

Essa visão ficou particularmente conhecida em sua obra Teoria do Agir Comunicativo, publicada em 1981. Nela, o filósofo desenvolveu a ideia de que a linguagem e o diálogo são instrumentos fundamentais para a construção de consensos e para a organização da vida social.

Outro conceito central de sua filosofia é o de “esfera pública”, entendido como o espaço de debate e deliberação entre sociedade civil e instituições políticas.

Intelectual público

Além da produção acadêmica, Habermas foi uma figura ativa no debate político. Na década de 1980, protagonizou a chamada disputa historiográfica alemã ao contestar tentativas de relativizar os crimes do nazismo.

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Em diferentes momentos, também se manifestou sobre temas internacionais. Defensor da integração europeia, criticou déficits democráticos da União Europeia e se posicionou contra políticas econômicas excessivamente austeras durante a crise do euro iniciada em 2009.

Mais recentemente, alertou para os riscos de uma escalada militar da guerra entre Rússia e Ucrânia, defendendo soluções diplomáticas.

Reconhecimento

Ao longo da carreira, Habermas recebeu diversos prêmios e distinções internacionais. Entre eles estão o Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão, concedido em 2001, e o Prêmio Kyoto, recebido em 2004.

Sua obra gerou milhares de estudos acadêmicos e influenciou áreas como filosofia, sociologia, ciência política e direito. Para muitos estudiosos, ele ajudou a moldar o debate democrático na Alemanha e em outras partes do mundo.

Mesmo após se aposentar da docência em 1994, o filósofo continuou participando de discussões públicas e publicando livros e ensaios.

Agência Brasil

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