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opinião

O sertão é o fruto da literatura ou a literatura é fruto do sertão?

Dhiogo José Caetano

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Ao ler o artigo O SERTÃO E A LITERATURA, de Albertina Vicentini, cheguei à conclusão de que o sertão é, em grande parte, resultado de uma certa visão literária. Essa literatura sertaneja muitas vezes é marcada por preconceitos e por uma representação obscura da região. São muitas as obras que retrataram o sertão como um lugar seco, sombrio, o “outro” — um espaço desconhecido, muitas vezes visto como selvagem, inferiorizado e até assustador.
Por outro lado, é importante lembrar que vários escritores, como Graciliano Ramos, Hugo de Carvalho, Lima Barreto e Jorge Amado, buscam mostrar o sertão como um lugar que também tem vida. Eles descrevem com detalhes o dia a dia da região, revelando suas diferenças culturais e linguísticas, mostrando sua riqueza e diversidade dentro do contexto brasileiro.
No entanto, afirmar que toda a literatura nasceu do sertão é uma ideia muito ampla. A literatura é muito maior do que isso; ela vai além do sertão. E, mesmo com tantas obras que descrevem essa região, ainda há muito para entender sobre ela.
Vamos falar um pouco sobre a literatura sertaneja. Ela nasce do próprio sertão, que sempre foi um lugar de memória e história para muitos sertanejos, aqueles que foram retratados por diversos escritores ao longo do tempo.
Mas é importante lembrar que, antes mesmo de existir a literatura, o sertão já era uma realidade. Era um lugar pouco conhecido por todos, mas que existia de verdade.
Ao refletirmos sobre tudo isso, percebemos que há várias formas de entender o sertão. A resposta não é simples, porque precisamos perguntar: o que exatamente é o sertão? Por que chamá-lo assim? O que significa ser sertão? O sertão é uma terra seca e escassa, mas cheia de vida! É um lugar cheio de possibilidades, com suas certezas e incertezas. É um espaço que existe aqui e ali. Um lugar criado para a liberdade, cheio de memórias e histórias. Uma terra que desafia o poder dominante. Às vezes, é o centro; às vezes, fica à margem. É um espaço que nos cerca, formado por homens e mulheres fortes, que sobrevivem além dos textos e das narrativas literárias.
A questão que costuma ser levantada é a condição do sertanejo, que muitas vezes é visto de forma estereotipada pelo “outro” que se considera “urbano”, esquecendo-se das raízes sertanejas dessa pessoa.
Referência Bibliográfica
VICENTINI, Albertina. O SERTÃO E A LITERATURA. Sociedade e Cultura, Goiânia, v. 1, n. 1, 2007.
Dhiogo José Caetano
Uruana/GO

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