No dia primeiro de julho, diversos bispos da Fraternidade São Pio X foram excomungados (automaticamente) por desrespeito grave ao Direito Canônico (latae sententiae). Eles querem a missa em latim de volta e não aceitam o Papa. Fizeram uma escolha de não seguir a Igreja. Curiosamente, “escolha” é a palavra grega heresia (hairesis).
Dessa forma, todos que escolhem não seguir a Igreja, são hereges. Embora eles não vejam, não custa lembrar: “Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.”
Um desses frutos é que, enquanto na Igreja Católica mais da metade dos sacerdotes são celibatários (considero os 23 ritos orientais e os Ordinariatos dos ex-anglicanos, cujos sacerdotes podem casar), já entre os protestantes e evangélicos não tem nem um. Como podemos constatar, Jesus chamava para o serviço os celibatários, como Paulo.
Há uma confusão fundamental no entendimento da Bíblia. A Escritura não se chamava Testamento, mas Aliança (Berit em hebraico e diatheke em grego). Quando Jerônimo traduziu a Bíblia, a Igreja estava pacificada, os grandes problemas foram resolvidos em Niceia (325 d.C.). A morte de Jesus rasgou o véu do Templo, ou seja, a Antiga Aliança estava encerrada, fazia sentido traduzir a Nova Aliança para Testamento (de Jesus).
Diante de tanta divisão e confusão atualmente, os que vivem na heresia não percebem que o Antigo Testamento não tem mais validade, foi substituído por Jesus Cristo. Pelo ano 57, Paulo escreve pela primeira vez a esse respeito na primeira carta aos Coríntios (1Cor 11,25): Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: “Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue; todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de mim”.
Paulo não coloca na boca de Jesus “neo diatheke” (nova aliança), mas “kaine diatheke”, ou seja “nova e melhor aliança”. E, conforme atesta Hebreus, ela é superior (7,22) e mais perfeita (8,6), e a antiga é antiquada, envelhecida e condenada a desaparecer (8,13).
No mesmo momento em que Jesus institui a Nova Aliança, ele estabelece a Ceia Pascal. No versículo anterior (1Cor 11,24): Jesus tomou o pão, deu graças (eucaristesas em grego, por isso Eucaristia), partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo, que é entregue por vós”. Os hereges também não celebram o Corpo e Sangue de Cristo como ele próprio determinou.
E não custa lembrar o que ele disse (Jo 5,48-55): Eu sou o pão da vida, o pão que desceu do céu, para que não morra todo aquele que dele comer. Quem comer deste pão viverá eternamente. E eu o ressuscitarei no último dia.
E observe que os ministros que Jesus não chama traem-se pelo amor ao dinheiro: impõem um dízimo de 10% que não faz parte da Nova Aliança. E os fieis da heresia são espoliados, tiram a comida de seus filhos para enriquecer uns ministros de Satanás (2Cor 11,13-15).
A excomunhão (ek koinonéo) é a situação daquele que não quis fazer parte daquela comunidade (koinonia) que chamou a si mesma de “convite” (ekkesia, donde Igreja) “para todos” (kath holes, donde Católica), conforme Atos (9,31).
Mario Eugenio Saturno (fb. com/Mario.Eugenio.Saturno) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), pós-graduando em Patrística pela UniItalo e congregado mariano.
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