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Brasil terá primeira fábrica em larga escala de curativos de pele de tilápia

O projeto prevê investimento inicial de aproximadamente R$ 52 milhões. A expectativa é que as obras comecem em outubro de 2026 e que a produção comercial seja iniciada em janeiro de 2028,
Brasil terá primeira fábrica em larga escala de curativos de pele de tilápia. Foto: Reprodução/Universidade Federal do Ceará

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O Ceará deve ganhar a primeira fábrica do mundo voltada à produção em larga escala de curativos biológicos feitos com pele de tilápia. A unidade será instalada no município de Jaguaribara, no interior do estado, e pretende transformar um material que antes era descartado pela indústria pesqueira em uma alternativa para o tratamento de queimaduras.

O projeto prevê investimento inicial de aproximadamente R$ 52 milhões. A expectativa é que as obras comecem em outubro de 2026 e que a produção comercial seja iniciada em janeiro de 2028, dependendo da conclusão dos trâmites necessários e das autorizações dos órgãos reguladores.

A tecnologia foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC). Após ser retirada dos peixes, a pele passa por processos de limpeza, esterilização, desidratação e acondicionamento. O resultado é um curativo biológico que pode ser aplicado diretamente sobre a área queimada.

Menos trocas e redução da dor

Estudos realizados ao longo dos últimos anos indicam que o material pode proteger a ferida, ajudar na cicatrização e reduzir a necessidade de trocas frequentes de curativo. A menor manipulação da região lesionada também pode diminuir a dor sentida pelos pacientes.

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A pele da tilápia é rica em colágeno tipo 1 e apresenta características semelhantes às da pele humana. Depois do processamento, o produto é preparado para uso médico e pode auxiliar no tratamento de queimaduras e feridas de difícil cicatrização.

Além de reduzir o desconforto, a tecnologia pode contribuir para diminuir o risco de infecções, o tempo de internação e o consumo de materiais hospitalares. A aplicação, no entanto, deve ser feita por profissionais de saúde e conforme os protocolos autorizados.

Na fase inicial, a fábrica deverá processar cerca de 4,3 mil peles por dia. A capacidade poderá ser ampliada posteriormente para aproximadamente 12 mil unidades diárias.

A escolha de Jaguaribara está relacionada à produção de tilápia na região. A fábrica poderá utilizar peles que normalmente seriam descartadas, gerando uma nova cadeia de aproveitamento de resíduos e agregando valor à atividade pesqueira.

Tecnologia criada no Ceará

O desenvolvimento do curativo começou na UFC e levou à criação do primeiro Banco de Pele Animal do Brasil. A pesquisa passou por testes e aplicações em pacientes até chegar à etapa de industrialização.

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A expectativa é que, após a regularização do produto, hospitais de diferentes regiões do país possam ter acesso ao curativo. A iniciativa também pode colocar o Ceará em posição de destaque nas áreas de biotecnologia, saúde e inovação.

Os resultados obtidos até agora são considerados promissores, mas a fabricação e a distribuição comercial ainda dependem da conclusão dos procedimentos técnicos e regulatórios.

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