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Campanha contra o suicídio

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O mês de setembro coloca em evidência um tema que exige atenção coletiva. Mais do que uma campanha de conscientização, o Setembro Amarelo, estipulado como mês de prevenção ao suicídio, busca ampliar o debate sobre o sofrimento emocional, sinais de alerta e a importância da escuta, do acolhimento, e da busca por suporte profissional.

A campanha existe em nível mundial e foi inspirada pelo movimento do programa Yellow Ribbon (Fita Amarela), criado nos Estados Unidos em 1994 pelos pais de Mike Emme, que cometeu suicídio aos 17 anos. No Brasil, a campanha foi criada em 2013 pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM).

A necessidade de manter esse debate em pauta se revela ainda mais urgente diantedo crescimento dos registros em diferentes faixas etárias. No Brasil, foram aproximadamente 14 mil mortes autoprovocadas em 2021. Dados do CFM apontam que esse número saltou de 9.454, em 2010, para 13.523, em 2019. O aumento é de 43% em uma década. Entre adolescentes, a elevação foi ainda mais expressiva: 81%, passando de 3,5 para 6,4 mortes por 100 mil adolescentes no mesmo período.

Segundo dados divulgados pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), o suicídio se tornou a terceira principal causa de morte entre pessoas de 10 a 24 anos nas Américas. A taxa entre jovens cresceu 38% em pouco mais de 20 anos, com aumento particularmente preocupante especialmente entre crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.

O problema, porém, não se restringe aos mais jovens. Entre os idosos, os índices também chamam a atenção. Dados apresentados em audiência pública da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais (ALMG) apontam para uma taxa de 7,8 suicídios por 100 mil habitantes entre pessoas com mais de 60 anos, acima da média geral da população, que é de seis casos por 100 mil habitantes.

Entre os fatores associados ao problema estão o isolamento, as mudanças na rotina, dificuldades financeiras e a resistência, especialmente entre homens, em procurar ajuda psicológica.

Julgamento é o pior

Para o psicólogo e analista junguiano Jorge Antônio Monteiro de Lima, presidente do Instituto Olhos da Alma Sã, é necessário observar mudnças de comportamento e evitar que sinais de sofrimento sejam tratados com indiferença.

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“Se tem alguém em sofrimento na sua família, não julgue. A pior coisa que tem é o julgamento. Perceba que a pessoa está em sofrimento e encaminhe para um serviço especializado”, afirmou Lima em participação no programa Acorda Goiás, da TV Assembleia Legislativa.

Na avaliação do psicólogo, a prevenção não pode se limitar ao mês de setembro. O cuidado precisa fazer parte da rotina de famílias, instituições de ensino, ambientes de trabalho, serviços de saúde e demais espaços de convivência. Rodas de conversa, palestras, seminários e atividades de acolhimento, segundo ele, devem ocorrer ao longo de todo o ano.

Para o profissional, entre os aspectos que merecem mais atenção está o enfraquecimento dos vínculos familiares e sociais. Segundo ele, dificuldades econômicas, violência, isolamento, mudanças nas relações familiares e as transformações provocadas pelo uso crescente das tecnologias integram um conjunto de fatores que pode contribuir para o agravamento do sofrimento. “Quem de nós não precisa ser ouvido? Quem de nós não quer um colo? Quem de nós não quer uma ajuda profissional?”, questionou.

O psicólogo também chama atenção para situações em que pessoas permanecem fisicamente próximas, mas distantes no convívio cotidiano. Nesse sentido, ele argumenta quea redução dos espaços de diálogo e de interação pode agravar a sensação de isolamento.

Grupos vulneráveis

A necessidade de transformar a prevenção e o cuidado em políticas permanentes também aparece nas propostas em tramitação na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego). Parlamentares da Casa discutem iniciativas voltadas à saúde mental, à prevenção do suicídio e à proteção de grupos considerados mais vulneráveis.

O projeto de lei nº 13630/26, do deputado Virmondes Cruvinel (UB), propõe ampliar a Lei Estadual nº 21.699/2022, estabelecendo novas diretrizes para prevenção, diagnóstico e tratamento dos transtornos de ansiedade e depressão. A matéria também busca fortalecer a integração da política estadual com a Rede de Atenção Psicossocial (Raps).

Entre as medidas previstas estão a identificação precoce dos transtornos na atenção primária, a capacitação continuada dos profissionais da rede pública, a elaboração de protocolos clínicos baseados em evidências científicas e a ampliação de campanhas permanentes de conscientização e combate ao estigma relacionado à saúde mental.

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O projeto prevê ainda o uso de ferramentas como telepsiquiatria e telemedicina para ampliar o acesso aos serviços. Também estabelece atenção específica a grupos como crianças, adolescentes, idosos, gestantes, puérperas, trabalhadores, pessoas em situação de rua, população LGBTQIAP+, povos indígenas, comunidades quilombolas e pessoas com deficiência.

Cobertura jornalística

A comunicação responsável sobre o tema também é alvo de discussão na Alego. O projeto de lei nº 32042/25, de autoria do deputado Cairo Salim (PSD), estabelece diretrizes para a divulgação de informações sobre suicídio e tentativas de suicídio pelos meios de comunicação.

A proposta parte da preocupação com a forma como casos dessa natureza são apresentados ao público. Estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde apontam que abordagens sensacionalistas podem contribuir para o chamado “efeito Werther”, associado à ocorrência de novos casos após a exposição inadequada de suicídios, especialmente entre pessoas vulneráveis.

Outra propositura em tramitação na Assembleia é focada no ambiente escolar. De autoria do deputado Jamil Calife (PP), o projeto nº 28987/25 propõe a criação da Política de Enfrentamento à Ansiedade e Depressão nas Escolas, com diretrizes permanentes para promoção da saúde mental e do bem-estar emocional de estudantes, professores e demais profissionais da rede pública estadual.

O texto prevê identificação precoce de casos de ansiedade e depressão, apoio psicológico e psicopedagógico, campanhas educativas, capacitação de profissionais da educação e estímulo ao diálogo entre escola, família e serviços de saúde.

Entre as ações previstas estão triagens psicológicas periódicas, mediante autorização dos responsáveis; criação de núcleos de apoio psicossocial nas regionais de ensino; formação continuada de professores para lidar com saúde emocional e prevenção ao suicídio; campanhas anuais de valorização da vida; e canais de escuta e acolhimento no ambiente escolar.

Na justificativa, Calife destaca o crescimento dos transtornos mentais entre crianças e adolescentes e aponta os impactos provocados pelo período de isolamento social durante a pandemia de covid-19. Segundo estudos citados pelo parlamentar, uma em cada sete pessoas entre 10 e 19 anos apresenta sintomas de ansiedade ou depressão.

Fonte: Assembleia Legislativa de GO

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