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opinião

A arte silenciosa do movimento dos sem-terra

Costa nos faz lembrar da oralidade, uma forma de comunicação usada pelos africanos para manter viva a sua história.
Dhiogo José Caetano

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A obra de Cléria Botêlho da Costa, intitulada “A Arte Silenciosa do Movimento dos Sem-Terra”, oferece um discurso que combina contexto e poesia, mostrando pessoas que são verdadeiramente apaixonadas por sua terra. Para elas, a terra não é apenas um pedaço de chão, mas o lar onde sua alma e essência vivem.
Costa apresenta o movimento MST de uma forma totalmente diferente do que a mídia e outros órgãos costumam mostrar. Muitas vezes, tentam retratar o movimento como algo negativo, como um grupo de vândalos, mas essa não é a realidade.
Ao estudarmos o MST, percebemos que seus integrantes atuam de maneira organizada, buscando divulgar suas ideias e ideais com determinação.
A narrativa de Costa revela um lado diferente do movimento, onde a poesia e a arte têm um papel importante. Essas expressões mantêm viva a chama do movimento, mostrando sua essência mais profunda.
A poesia é uma das maneiras mais precisas que eles usam para transmitir sua mensagem, seja falando para um grande grupo ou expressando suas ideias no dia a dia.
Costa nos faz lembrar da oralidade, uma forma de comunicação usada pelos africanos para manter viva a sua história.
Nesse contexto, os griots, que são os anciãos que guardam essas histórias, transmitem-nas para seu povo. O mesmo acontece no movimento sem-terra: os líderes ou membros veteranos usam a narrativa poética para passar suas mensagens, preservando uma história de uma maneira simples e fácil de entender para todos.
A narrativa poética é muito importante para os integrantes do MST, pois eles usam esse recurso para contar suas próprias histórias e também para registrar, de forma coerente e verdadeira, os acontecimentos coletivos que vivem.
É nítido que a narrativa poética dos membros do MST tem também como referência a prática de descrever sua nacionalidade, a memória histórica de cada indivíduo que, mesmo lutando pela terra sonhada, vivenciam particularidades distintas; as diferenças existem dentro do movimento; a ideologia pode ser a mesma, mas a compreensão, a visão é algo particular, restrita e por que não íntima.
Podemos ir além e perceber que a arte silenciosa do movimento, de silenciosa nada tem, pois dentro da organização do movimento é visível o poder do discurso que bravamente defende uma nacionalidade que se funde com sua ideologia. O constante lutar pela terra é o que mantém aquele “povo” vivo.
Assim, percebemos que a arte de expressar os momentos através dos poemas pauta-se na luta, na emoção, no imaginário, nos ritos, nos mitos, fatores fundamentais para perpetuar um ideal coletivo de um movimento resistente.
O mito da conquista de um espaço sonhado e idealizado é o que mantém a alma dessa gente viva, como afirma Platão: “os mitos mantêm os homens vivos. “
Ao longo da análise da obra de Costa, percebemos que, simbolicamente, “os sem-terra não existem sem a sua terra. “
A terra é o que dá sentido à vida dessas pessoas; ela impulsiona suas ações diárias e representa a memória e a história de sua luta.
O filme cubano “Morango com Chocolate” mostra bem como a expressão artística é uma ferramenta poderosa para manter vivo, de forma silenciosa, um ideal, seja ele coletivo ou individual. A obra de Costa nos faz lembrar desse filme, pois traz uma mensagem que conta a história do MST, reforçando sua ideologia através da oralidade. Essa narrativa fortalece o amor pela terra, o desejo por justiça e transforma a terra em um símbolo de memória e história. Além disso, revela o sonho de alcançar uma sociedade mais justa e igualitária.
Dhiogo Jose Caetano – Professor; Historiador, Jornalista; Ator – Uruana/Goiás
Referência Bibliográfica
COSTA, Cléria Botêlho. A arte silenciosa do movimento dos sem-terra. In: COSTA, Cléria Botêlho & MACHADO, Maria Salete Kern (orgs.). Imaginário e história. Brasília: Paralelo, 1999.

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