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Ameaça de falta d´água também no interior

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A crise hídrica que veio à tona nesta semana, com o baixo nível do Rio Meia Ponte e a eminência de graves problemas de abastecimento, não se restringe à região metropolitana de Goiânia. Outras oito cidades em todo o Estado lidam com a baixa em seus mananciais de abastecimento, sendo que pelo menos cinco delas já vivem com problema no fornecimento de água.

Em Goianésia, a situação é descrita como mais crítica do que todos os outros anos. O secretário de Meio Ambiente e Serviços Urbanos do município, André Luiz Wenceslau, informou que já está sendo feito revezamento entre bairros durante o dia. A população, no entanto, de acordo com ele, tem colaborado. “Assustaram demais, porque faltou água em casa”, disse.

Sobre o município, a Saneago informou em nota que neste ano, o forte calor aliado ao uso múltiplo, gerou redução drástica da vazão, comprometendo o abastecimento do município.

Em Cezarina, o gerente distrital da Saneago, Sílvio Jacinto, disse que o cenário é crítico e ficará pior caso não chova nos próximos 30 dias. “A qualquer momento a cidade pode ficar completamente sem água”, disse. No ano passado, não houve problema no Córrego Borá, única fonte de abastecimento do município. Este ano, no entanto, já é possível atravessar o manancial sem molhar os pés.

No Entorno do Distrito Federal, o prefeito de Cidade Ocidental, Fábio Correia, afirma que já é feito rodízio de água em alguns bairros. “Estamos sofrendo, mas estamos trabalhando para que não haja colapso”, disse. O problema de abastecimento começou em julho, mas se agravou há 45 dias. Desde então, o fornecimento da cidade é fechado às 22 horas para acumular água e abre às 5 horas.

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No Setor Colina Verde, que fica em uma região mais alta, o problema é maior e, em especial nas tardes, falta água. Na cidade há também a interrupção no bombeamento várias vezes ao dia por falta de água no leito do Ribeirão Saia Velha, mesmo manancial que abastece Valparaíso, que também tem abastecimento comprometido.

Já na cidade de Goiás não houve falta de água para a população. O Rio Bacalhau, usado para abastecimento público, está com a vazão extremamente baixa, mas a Saneago passou a captar água do Rio Vermelho. A secretária de Meio Ambiente, Ana Cláudia de Lima, disse que neste ano a escassez hídrica começou um mês antes que o esperado. A companhia de saneamento informou que está planejando também captação no Rio Uru para reforçar a produção de água.

Sem outro manancial como opção, a população de São Luís dos Montes Belos tem lidado com a falta de água. O prefeito da cidade, Major Eldecirio, informou que vários setores estão ficando sem água. “Houve uma redução drástica e repentina do Rio Santana”, disse. De acordo com ele, a Saneago tem auxiliado com caminhões pipa.

Em Mozarlândia, o prefeito descreve o cenário como “caótico”. Desde abril, quatro bairros que não recebem água tratada pela Saneago estão sendo abastecidos por caminhão pipa, com água retirada do lago municipal. Os problemas do Córrego Barreirinho, na verdade, começaram em 2015, quando a Saneago passou a usar o lago como área de captação emergencial para o período de estiagem. Este ano, a retirada começou mais cedo, em julho, e a água do lago está abastecendo 30% da população municipal.

Conforme o prefeito, o Córrego Barreirinho parou de correr desde julho. Várias nascentes do manancial secaram e desde 2014 a Saneago já perfurou 17 poços artesianos, mas só quatro deram resultados.

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A situação, segundo o gestor, está tão grave que o município por vezes precisa levar água para produtores rurais darem ao gado. “Daqui uns dias não vai ter água para beber”, disse.

A prefeita de Caturaí, Divina Aparecida Zago, garante que também lida com uma situação crítica. Na última semana, de acordo com ela, foi necessário colocar sacos de areia na área de captação para formar uma barreira, segurar a água e distribuir no dia seguinte. “Estamos quase sem água”, disse. De acordo com ela, há alguns anos se teme pela plenitude do Rio do Peixe. “De surpresa, ninguém é pego com essa situação. Estão vendo que estão acabando, desmatando”, afirmou.

 

Fiscalização

O superintendente de Recursos Hídricos da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Cidades (Secima), Alexandre Klepler, disse que não chegou à pasta reclamação de município do interior do Estado de problemas com água. “Às vezes eles repassaram para a Saneago, mas eles (a companhia) não tem competência de gestão de recursos hídrico. A Saneago só distribui”, disse. De acordo com ele, a única reclamação oficial foi de Acreúna, que pedia uma fiscalização preventiva, e de Goiânia, pelos problemas do Rio Meia Ponte.

De acordo com ele, consumos irregulares das águas sempre irão existir, mas ele afirma que o problema atual é ocasionado pela redução no volume de chuva dos últimos três anos. “Vamos ter muito problema de desabastecimento mesmo”, disse.

O Popular

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