A venda de medicamentos análogos ao GLP-1, popularmente chamados de canetas emagrecedoras, disparou 25,5% no Brasil, segundo o Sindusfarma. Em 2024, foram comercializadas 4,639.807 unidades; em 2025, o número saltou para 5.822.868. Esse boom no consumo, porém, gera um alerta ambiental: o descarte inadequado contamina solo e água, além
ameaçar a saúde pública.
Crescimento acelera resíduos perigosos
O aumento intensifica a produção de resíduos farmacêuticos complexos, que demandam tratamento específico. A pesquisadora Suzete Caminada, da USP, alerta que fármacos jogados no lixo comum provocam contaminação ambiental, resistência microbiana (em antibióticos) e desregulação endócrina (em hormônios). As canetas misturam plásticos, vidro e agulhas — integradas ou separadas —, tornando o descarte desafiador. Agulhas perfurocortantes exigem recipientes rígidos, separados de outros resíduos.
Falta de orientação agrava o problema
A principal barreira é a ausência de informação clara. Muitas farmácias não têm coletores adequados, e usuários desconhecem o procedimento correto. Fora dos grandes centros, como em regiões rurais, a situação piora: há menos pontos de coleta e conscientização baixa. A concentração de serviços no Sudeste deixa o resto do país vulnerável, especialmente com lixões ativos expondo catadores a riscos.
Legislação avança, mas com lacunas
A Anvisa regula resíduos de saúde via RDC 222/2018, classificando agulhas como perfurocortantes para armazenamento em recipientes resistentes — mas foca em estabelecimentos, não residências. O Decreto 10.388/2020 cuida de logística reversa para vencidos, excluindo perfurocortantes. A NBR 17059/2023 orienta descarte domiciliar (recipientes rígidos identificados, como garrafas plásticas), mas é voluntária.
Iniciativas preenchem as lacunas
O Ministério da Saúde dá diretrizes gerais, mas ações locais fazem a diferença. Em São Paulo, UBSs recebem agulhas. No Paraná, lei obriga fabricantes a gerenciarem perfurocortantes. Programas privados avançam: a Brasil Health Sustainability fornece recipientes para coleta e tratamento (autoclave ou incineração); a Novo Nordisk tem o Reciclaneta para canetas (agulhas separadas); Eli Lilly e Sanofi seguem o mesmo modelo. Especialistas cobram mais campanhas e expansão de coleta para mitigar os riscos.
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