Uma mulher de 70 anos perdeu mais de R$ 37 milhões após cair em um golpe envolvendo uma falsa plataforma de investimentos. O esquema é investigado pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, que realizou a Operação Criptoabate para identificar os responsáveis pela fraude.
Vítima foi convencida durante seis meses
De acordo com as investigações, a aposentada foi incluída em grupos de mensagens que se apresentavam como espaços voltados à análise e ao debate sobre investimentos. No ambiente virtual, os integrantes compartilhavam supostas recomendações financeiras, análises do mercado e relatos de lucros obtidos com as aplicações.
A mulher já tinha experiência no mercado financeiro e mantinha parte do patrimônio em uma corretora regular. Mesmo após receber alertas do corretor sobre os riscos, ela passou a retirar os recursos e transferi-los para a plataforma indicada pelos criminosos.
O dinheiro investido incluía uma herança e valores que já estavam aplicados anteriormente. A vítima teria sido atraída pela promessa de ganhos elevados e acreditou que os aportes eram realizados em uma empresa legítima.
A fraude foi percebida quando a aposentada tentou resgatar o dinheiro. Segundo a polícia, a plataforma bloqueou o saque e os suspeitos passaram a exigir novos pagamentos para supostamente liberar os valores.
A empresa identificada na investigação é a TDASX. O método utilizado é conhecido como pig butchering, expressão em inglês que significa “abate de porcos”. Nesse tipo de fraude, os criminosos estabelecem uma relação de confiança com a vítima durante um período prolongado antes de convencê-la a transferir grandes quantias.
A Operação Criptoabate cumpriu dez mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em diferentes estados brasileiros. Três suspeitos foram presos no Rio Grande do Sul, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Outros sete investigados ainda eram procurados pelas autoridades.
A polícia também identificou aproximadamente 140 possíveis vítimas do esquema. Um dos presos teria movimentado cerca de R$ 77 milhões em uma conta bancária registrada em seu próprio CPF. Parte das transações teria ocorrido pouco depois de valores relacionados ao golpe contra a aposentada serem depositados.
Como evitar golpes de investimento
As autoridades orientam os consumidores a desconfiar de ofertas que apresentem:
– Promessas de lucro muito acima do rendimento normal do mercado;
– Plataformas sem informações claras ou autorização dos órgãos reguladores;
– Grupos de mensagens com supostos investidores exibindo apenas resultados positivos;
– Cobranças adicionais para liberar saques;
– Pressão para transferir dinheiro rapidamente para outra empresa.
A recomendação é verificar a situação da instituição antes de realizar qualquer investimento. Em caso de bloqueio de valores, a vítima não deve fazer novos depósitos para tentar recuperar o dinheiro, pois essa é uma estratégia frequentemente usada pelos golpistas para aumentar o prejuízo.
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