Em um ano, 106 pessoas receberam atendimento clínico mais humano, próximas das suas famílias e amigos. Eles foram atendidos pelo programa Crer em Casa, um projeto de assistência domiciliar oferecido pelo Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer). O programa é composto por duas equipes multidisciplinares, formadas por enfermeiros, técnicos de enfermagem, médicos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas e fonoaudiólogos.
As visitas são realizadas de duas a três vezes por semana, de acordo com cada paciente. Desde março de 2014 foram cerca de cinco mil atendimentos. Atualmente, 45 pacientes residentes em Goiânia são contemplados pelo programa de assistência domiciliar. Durante as visitas, além de avaliar o paciente, os profissionais reforçam para a família as orientações e cuidados que contribuem para a melhoria e evolução terapêutica do mesmo. A participação dos familiares é importante no processo de recuperação, pois é uma extensão do tratamento.
História de Robson
Robson recebeu uma cama hospitalar e a garantia de duas visitas semanais da equipe de médico, enfermeiro e outros profissionais de saúde.
Duas vezes por semana, por volta das 15 horas, o adolescente Robson José de Souza Filho recebe a visita de cuidadores, os profissionais do programa Crer em Casa, que vão fazer curativos das feridas existentes na região do quadril e nádegas. O garoto, de 17 anos, tetraplégico desde os 15, faz também treinamento com um fisioterapeuta e com um terapeuta ocupacional e conversa com um psicólogo. Ele sorri com a chegada do grupo.
Ele foi vítima de uma tragédia em 16 de agosto de 2013 e o fato teve repercussão nacional. Robson foi baleado acidentalmente no tórax por um colega de 13 anos. O amigo levou a arma do pai para o colégio e ao mostrar o revólver para Robson aconteceu o disparo. O garoto foi apreendido em flagrante, o pai dele pagou a fiança e ele foi solto. Robson foi encaminhado para o Hugo, em estado grave, pois a bala atingiu o pulmão esquerdo, parte do coração e a medula espinhal.
Robson perdeu todos os movimentos do pescoço, braços e pernas. Três meses depois, com o quadro estabilizado, o adolescente foi transferido para o Crer, unidade de referência para o tratamento de pessoas com lesões na medula espinhal. Por ficar sempre deitado na mesma posição, chegou ao hospital com 14 escaras na região do quadril. Na unidade, começou o trabalho de fisioterapia e de curativos nas feridas.
Em abril de 2014, os médicos decidiram inclui-lo no programa Crer em Casa e Robson voltou para a residência da família que fica na divisa de Aparecida de Goiânia e Aragoiânia. Para ter mais conforto, recebeu uma cama hospitalar e a garantia de duas visitas semanais da equipe de médico, enfermeiro e outros profissionais de saúde.
A enfermeira Ananda Oliveira explica que o intuito de levar pacientes como Robson para casa é o de evitar risco de complicações decorrentes de longa internação, como infecção hospitalar por exemplo. “O garoto estava com as feridas abertas, necessitava de curativos que podiam ser feitos fora do hospital”, diz Ananda. Ela ensinou a mãe, Adriana, a fazer a assepsia das feridas e duas vezes por semana a enfermeira vai conferir o trabalho. “Hoje sou uma expert em curativos”, afirma Adriana. Das 14 feridas, restam sete. Com os exercícios de fisioterapia, Robson adquiriu maior mobilidade com as mãos e hoje come sozinho e até cozinha. “Sou especialista em carnes recheadas e pretendo aprender muito mais”, diz o rapaz de poucas palavras.
Nestas visitas Ananda tem a companhia de outros profissionais, como o médico João G. Júnior e o terapeuta ocupacional Alberico Jayme Silva. Alberico tem a missão de readaptar o paciente, de acordo com suas limitações, no ambiente domiciliar. Ele trabalha no fortalecimento dos braços de Robson e o garoto consegue sair da cama para a cadeira de rodas e da cadeira de rodas para o carro. Como o adolescente adora pescar, Alberico também criou um adaptador para o braço direito da cadeira, onde será fixada a vara. A pescaria está combinada e acontecerá assim que Robson se livrar das sete escaras restantes. “Vou pescar com o doutor”, garante Robson.
Carlos tem assistência clínica de ponta, com visitas periódicas de fisioterapeuta, psicólogo e até assistente social.
Anjos da guarda de Maria Aparecida
Maria Aparecida, pela manhã, dá o café da manhã para Carlos César Lima. Em seguida, dá o banho, veste o filho e troca a roupa de cama. Conversa com Carlos César, faz carinhos nele, arruma os travesseiros para deixá-lo confortável. Por volta do meio-dia, hora do almoço. À tarde, lava as roupas, lençóis e fronhas. À noite, depois do jantar, assiste televisão com o filho. Depois eles vão dormir e se preparam para um novo dia.
Uma história comum de mãe e filho, mas com um detalhe bem triste. Maria Aparecida de Paula Lima tem 67 anos e Carlos César, 44. Ele não fala, não anda, se alimenta por uma sonda gástrica e respira por um aparelho chamado bipas. Ele é portador de esclerose lateral amiotrófica (ELA), que ficou mais conhecida após o desafio do balde de gelo. Nesta sua labuta, Maria Aparecida conta com o apoio de duas visitas semanais da equipe do Crer em Casa. “Eles são a única ajuda que tenho. O médico vem aqui e examina sempre o meu filho. Não preciso levá-lo ao hospital”, conta a senhora, que já apresenta o andar lento de uma pessoa sexagenária.
Ela mora com Carlos e os dois filhos dele em um barracão nos fundos de um terreno do Setor Garavelo B, na região sudoeste de Goiânia, na divisa com Aparecida de Goiânia. O rapaz tem assistência clínica de ponta, com visitas periódicas de fisioterapeuta, psicólogo e até assistente social, que busca ajudar a família em suas necessidades de atendimento social. Paciente com necessidade de cuidados paliativos, Carlos César foi incluído em junho do ano passado no programa Crer em Casa.
A enfermeira Ananda, por exemplo, confere como estão os sinais vitais do paciente, se ele está com algum tipo de infecção, se respira bem. Ao notar alguma anormalidade, aciona o médico. Alberico, o terapeuta ocupacional, confeccionou um molde no formato de uma mão, em plástico, para estabilizar os pulsos do paciente. “Como ele não se movimenta, precisamos evitar a atrofia dos músculos. Esta talha vai deixar as mãos em posição normal”, diz o profissional. “Nada sei sobre esta doença. Só lembro que o meu filho estava bem, começou a sentir vertigens e o médico disse que ele só viveria mais três meses. Faz quatro anos que ouvi esta sentença. Graças a Deus o pessoal do Crer me ajuda”, conta Maria Aparecida enxugando as lágrimas.
*Texto da Assessoria de Comunicação da Saúde / Goiás Agora






































