O número de adolescentes internados no sistema socioeducativo em Goiás por atos infracionais ligados à violência contra mulheres registrou aumento expressivo nos últimos anos. Dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Seds) indicam que os casos passaram de dois registros em 2021 para 24 em 2025.
Considerando os últimos cinco anos, 54 adolescentes foram internados no Estado por infrações equivalentes a crimes de gênero. O crescimento chama a atenção de autoridades e especialistas que acompanham o sistema socioeducativo.
Levantamento em decisões judiciais também identificou cerca de 120 processos envolvendo menores de idade por atos infracionais relacionados à violência de gênero desde 2021 no Tribunal de Justiça de Goiás. A maior parte dos casos envolve situações de violência doméstica, com registros enquadrados em medidas de proteção à mulher.
Segundo magistrados que atuam na área da infância e juventude, muitas ocorrências envolvem agressões contra companheiras ou mulheres da própria família, como mães, irmãs e avós. Também há registros de ameaças e perseguições após o término de relacionamentos ou após a recusa de investidas amorosas.
Especialistas apontam que o aumento das internações pode estar ligado à redução da subnotificação desses casos. Campanhas de conscientização e maior debate público sobre violência contra a mulher teriam incentivado mais vítimas a procurar ajuda e formalizar denúncias.
Apesar do crescimento, o número de internações ainda é considerado relativamente limitado dentro do sistema socioeducativo. Pela legislação brasileira, a medida de internação só é aplicada quando há violência ou grave ameaça ou quando o adolescente apresenta histórico de reincidência.
Outro ponto que tem chamado atenção de autoridades é o aumento de ocorrências envolvendo crimes de natureza sexual ou exposição de conteúdo íntimo em ambientes digitais. Em alguns casos, adolescentes gravam ou compartilham imagens íntimas sem consentimento, especialmente por meio de redes sociais ou aplicativos de mensagens.
Pesquisadores também destacam a influência de comunidades e conteúdos disseminados na internet que propagam discursos hostis ou depreciativos contra mulheres. Esses conteúdos, segundo especialistas, podem influenciar comportamentos e percepções de jovens que já cresceram inseridos no ambiente digital.
Educação e comportamento
Profissionais da área da educação alertam que fatores como dificuldade em lidar com frustração, isolamento emocional e ausência de referências masculinas ligadas ao cuidado também podem contribuir para comportamentos agressivos.
Em alguns processos analisados pela Justiça, adolescentes passaram a perseguir ou ameaçar colegas após o término de relacionamentos ou após receberem respostas negativas. Especialistas avaliam que a incapacidade de lidar com rejeição pode desencadear reações violentas.
Educadores defendem que o desenvolvimento da empatia, do respeito e da inteligência emocional desde a infância pode ajudar a reduzir esse tipo de ocorrência.
Reincidência
Dados do sistema socioeducativo indicam que cerca de 30% dos adolescentes que passam por medidas de internação voltam a cometer atos infracionais. Ainda assim, o índice é considerado inferior ao registrado no sistema prisional convencional.
Estudos também apontam que adolescentes respondem por uma parcela pequena da criminalidade no país. Estimativas indicam que menores de idade estão envolvidos em cerca de 3% a 5% dos crimes registrados, enquanto a maioria das infrações é cometida por adultos.
Especialistas defendem que políticas públicas voltadas à educação, acompanhamento psicológico e fortalecimento de vínculos familiares são fundamentais para reduzir a violência e prevenir novos casos entre jovens.

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