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Desarticulada quadrilha goiana de tráfico de drogas atuava na Europa, diz PC

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A Polícia Civil (PC) desarticulou uma organização criminosa suspeita de tráfico internacional de drogas que tinha como base Goiânia. O grupo suspeito atuava especificamente com o tráfico de cocaína, buscando-a em outros países da América Latina, principalmente Colômbia, Bolívia e Peru, e a exportava para a Europa. Da capital, cooptavam jovens pilotos que faziam o transporte da droga para o Pará, e em seguida para Goiás.

A investigação do Grupo Antissequestro, da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), teve início após o desaparecimento do piloto Bruce Lee Carvalho dos Santos, em dezembro do ano passado, e que foi reportado pela própria família. Bruce é irmão de Mohamed D’Ali Carvalho dos Santos, conhecido por ter matado e esquartejado a estudante inglesa Cara Marie Burke, de 17 anos, em 2008, em Goiânia. No mês de desaparecimento, o homem pilotava uma aeronave que atualmente está sumida.

Os indícios apontam, conforme o delegado Thiago Martimiano, que o avião de Bruce teria caído na Bolívia em um lago após colidir em um fio de alta tensão. Até o momento, o homem não foi encontrado. Martimiano afirma que possui comprovação de que o avião utilizado por Bruce em seu último plano de voo já pertenceu a Gilberto Alves, um dos presos na operação.

A investigação identificou 13 suspeitos de participar do grupo criminoso. Seis foram presos e sete estão foragidos – entre elas, três pilotos. Ainda não se tem uma estimativa de quanto o grupo movimentava por mês e há quanto tempo atuava. Mas, para se ter uma noção, em junho deste ano uma carga de 506 quilos de cocaína da organização foi apreendida no Porto de Santos (SP). A droga estava sendo exportada entre mármores e granitos. O delegado-geral da Polícia Civil, Odair José, estima que o valor da carga pode chegar a US$ 40 mil dólares.

O carregamento foi apreendido após equipes da alfândega o escolherem para conferência e um cão farejador indicar a presença da droga. Em interceptações telefônicas, a polícia observou que eles chegaram a comentar a apreensão, dizendo que alguém havia cometido um erro, uma vez que a droga não havia sido empacotada a vácuo e por isto o cão encontrou o carregamento que iria para a Bélgica.

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Houve ainda outro episódio ligado ao grupo, desta vez no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), conforme Odair. O fato foi no dia 16 de julho, e 49,5 quilos de cocaína foram colocados em duas bolsas com destino a Portugal. “A carga foi apreendida e eles também lamentaram a perda”, disse.

Conforme o delegado-geral, o grupo cooptava funcionários de empresas aéreas, que incluíam, entre as bagagens, malas de drogas. Assim, um funcionário no Brasil entrava em contato com outro que iria receber o carregamento em algum aeroporto europeu. O grupo usava também as chamadas “mulas” – pessoas que transportam pequenas quantidades de droga.

O esquema, segundo Odair, era comandado pelo holandês Dennis Petronella, que mora no Brasil há alguns anos. Ele, conforme o delegado, ficava em São Paulo e organizava a logística de exportação da cocaína.

 

Aeronaves

Os dois jatos apreendidos eram utilizados por Dennis e Gilberto Alves apenas para lazer. As aeronaves utilizadas para o tráfico são pequenas. Elas eram modificadas, conforme Thiago Martimiano, tanto na questão de autonomia de combustível, para que pudessem fazer voos mais longos, quanto no aumento da cabine, para que coubesse mais droga. Conforme o delegado, os voos eram arriscados, por serem muito baixos para que ficassem fora do controle aéreo, além de manterem o transponder – aparelho de identificação – desligado. “Eram aeronaves fantasmas, não tinham nenhum controle do tráfego aéreo nacional”, disse.

Superintendente do Serviço Aéreo de Goiás (Saeg), o major Edson Melo explica que a superintendência participou ativamente da apreensão das três aeronaves – duas estavam em Goiânia e a outra no Aeroporto de Guarulhos (SP). Segundo ele, na atual gestão, o Saeg não presta serviços apenas ao Executivo, mas está compondo efetivamente as forças policiais do Estado. “Estamos voltados para o combate ao tráfico de droga”, afirmou.

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Grupo levava vida de luxo

Criminais (Deic), o delegado Thiago Martimiano afirmou que os integrantes do grupo suspeito de tráfico internacional de droga levava uma vida de luxo. Ao todo, a operação, chamada de ‘Icarus’, prendeu seis pessoas. Outros sete estão foragidos. 

De acordo com a Polícia Civil, os integrantes ostentavam carros de luxo, viagens para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e Ilhas Maldivas. Os dois jatos apreendidos, por exemplo, não eram utilizados para transporte de droga, mas sim para fins de lazer. Uma das aeronaves tem autonomia para voos domésticos, e a outra consegue realizar viagens internacionais.

A ostentação era tamanha, segundo a Polícia Civil, que há registros na imprensa em que o helicóptero apreendido na operação pousou em um lote baldio em Palmas (TO) para que os tripulantes pudessem comprar gelo para uma festa. Três suspeitos de integrar o grupo foram presos em condomínios de luxo de Goiânia e Santana de Parnaíba (SP). 

Apesar dos gastos, nenhum deles possuía uma atividade lícita que pudesse comprovar renda para manter a vida que levavam, conforme Martimiano. As posses, então, como os carros e as aeronaves, ficavam em nomes de laranjas. 

O grupo, segundo o delegado, lavava o dinheiro oriundo do tráfico internacional de droga por meio de empresas. “Abriam empresas; empresas que administravam outras empresas, para o dinheiro ficar o mais longe possível desta origem criminosa”, explicou.

A reportagem não conseguiu identificar os advogados de defesa das pessoas citadas na operação. O espaço está aberto para manifestação. Houve contato apenas com o advogado de H.N.. Ele informou que iria avaliar se iria se manifestar e entraria em contato em seguida, o que não aconteceu até a publicação desta matéria.

Operação Icarus

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