O mês de outubro é período importante para quem é professor e educador. É nesse mês que a profissão ganha o reconhecimento e o olhar de todos os brasileiros. Por conta disso, muitos assuntos relacionados à profissão de educador ganham destaque neste mês.
Dentre esses assuntos, o tema de saúde mental entre professores e educadores tem ganhado relevância. No Brasil, dados do Ministério da Previdência Social indicam que o número de afastamentos de professores e educadores aumentou 38% de 2019 a 2023.
O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP) também realizou uma pesquisa com mais de 1800 professores sobre a saúde mental dos trabalhadores.
Nela, 68% demonstraram ter sintomas de esgotamento profissional e 42% já consideraram abandonar a profissão por conta da saúde mental.
Por que professores correm mais risco de desenvolver transtornos mentais?
Entender onde começa o adoecimento desses profissionais é o primeiro passo para saber o que precisa ser mudado para que as condições de trabalho melhorem.
O primeiro alerta que aparece quando se observa a profissão de professor são as horas reais trabalhadas. Apesar de o contrato padrão ser de 40 horas semanais, um professor trabalha 54 horas na semana.
Isso acontece pois, além das horas dentro da sala de aula, o professor precisa corrigir provas e trabalhos dos alunos, preparar aulas para diferentes turmas e realizar reuniões frequentes para discutir sobre o ensino dos alunos.
Somado a esse ponto de horas extras trabalhadas e não remuneradas, um professor brasileiro ganha pouco comparado às horas trabalhadas. A má remuneração passa uma sensação de não reconhecimento da importância da profissão, o que contribui para o desenvolvimento de esgotamento emocional
Outro ponto importante a se levar em consideração é a violência que professores enfrentam. De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) de 2022, 52% dos professores relataram ter sofrido violência por parte dos pais e dos alunos.
A violência contra o professor tem aumentado ao longo dos anos e o profissional acaba acionando um estado de alerta que traz ansiedade e estresse constante.
Além disso, um professor precisa lidar com 40 alunos dentro da sala de aula sozinho. Mesmo que a sala seja tranquila, cuidar de muitas pessoas ao mesmo tempo esgota mentalmente e fisicamente o professor responsável.
As condições físicas e a falta de suporte institucional também se juntam a todos esses fatores. Muitas salas de aula não têm ventilador, giz para usar na lousa e cadeiras adequadas para os alunos.
Especialistas indicam caminhos para melhorar a condição de trabalho de professores
Reconhecer a importância da profissão faz com que a sociedade reflita mais sobre as condições que o professor tem para trabalhar. Além disso, o reconhecimento melhora a sensação de bem-estar dos próprios professores e diminui a violência de alunos e responsáveis direcionada aos educadores.
Dentro da comunidade educacional, algumas práticas podem ser realizadas para melhorar a saúde dos professores. Uma delas é a triagem, verificação frequente da condição de saúde mental de professores.
Ela ajuda a analisar casos de depressão e burnout já no início, o que facilita o tratamento e a melhora do professor, evitando afastamentos causados por casos mais graves.
Outra prática importante é a realização de treinamentos de gestores para que eles reconheçam a profissão e consigam acolher e agir da melhor forma em casos de violência ou em casos de esgotamento por parte do professor.
Ter canais de escuta funcionais e anônimos também é muito importante, pois deixa o ambiente mais confortável para que mais professores se sintam à vontade em comunicar os problemas.
Autocuidado e rede de apoio são essenciais para educadores
Além das iniciativas institucionais, especialistas recomendam que o próprio professor adote alguns hábitos na rotina para preservar a saúde mental.
Pesquisar sintomas de doenças como depressão e burnout facilita o entendimento e a percepção de sinais que o professor pode apresentar. Caso o estresse esteja frequente e sintomas de transtornos mentais apareçam, opções como psicólogo online são essenciais para cuidar da saúde mental.
Conferir se a alimentação está balanceada e praticar atividade física, mesmo que uma vez na semana, também faz diferença na manutenção da saúde mental.
Outro ponto muito importante é ter uma rede de apoio dentro e fora da escola. Conseguir conversar com colegas sobre a situação da escola pode ajudar a pensar em soluções práticas viáveis.
Especialistas ressaltam que cuidar da saúde física e mental é fundamental para que o estresse e a ansiedade diminuam. Dessa forma, o professor consegue melhorar a qualidade de vida dele próprio e, assim, melhorar a qualidade do ensino do qual é responsável.
Você tem WhatsApp? Entre em um dos canais de comunicação do JORNAL DO VALE para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens, clique aqui
JORNAL DO VALE – Muito mais que um jornal, desde 1975 – www.jornaldovale.com
Siga nosso Instagram – @jornaldovale_ceres
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para a redação do JORNAL DO VALE, através do WhatsApp (62) 98504-9192















































