O dono da construtora Borges Landeiro, Dejair Borges, e outras 11 pessoas foram presas durante uma operação do Ministério Público em operação que investiga fraude na recuperação judicial de empresas. Foram apreendidas propriedades rurais, uma aeronave e obras de arte.
Entre os presos estão empresários, advogados e contadores. A filha de Dejair, que ocupa o cargo de direção da construtora, está entre as investigadas, mas não foi presa porque está em viagem aos Estados Unidos. Os nomes dos demais envolvidos não foram divulgados.
O advogado de Dejair Borges, Roberto Serra, disse estar surpreso com a realização da operação, já que seu cliente sempre colaborou com a investigação.
A defesa questiona o porquê de o empresário ser interrogado apenas no momento da prisão. “Isso mostra o desinteresse total da investigação para, de fato, mostrar a situação. O maior interessado deveria ter sido ouvido antes”, avaliou. O empresário alegou ao advogado que a acusação é injusta. O advogado não soube informar se o empresário já foi encaminhado ao sistema prisional.
O Ministério Público (MP), através do promotor de justiça, Juan Borges, responsável pela investigação, diz que houve colaboração premiada de um dos investigados, o que auxiliou na robustez das provas coletadas.
Foram cumpridos 12 mandados de prisão, 26 de busca e apreensão e 26 sequestros de bens, como propriedades rurais avaliadas em R$ 600 milhões e oito carros de luxo.
Além disso, foi pedido o bloqueio de bens no total de R$ 500 milhões, valor suficiente para ressarcir credores prejudicados na recuperação judicial.
O MP identificou que não existia motivo para a Borges Landeiro pedir a recuperação judicial. A empresa alegou à Justiça dívidas de R$ 250 milhões, enquanto o proprietário da construtora tem patrimônio de R$ 600 milhões.
Borges diz que em uma das negociações entre a Borges Landeiro e uma empresa de fachada que comprou créditos da recuperação judicial foram desviados R$ 60 milhões. “São mais de 1 mil vítimas só da Borges Landeiro”, disse.
O esquema
De acordo com o Ministério Público, o grupo descobriu como lucrar com o processo de recuperação judicial, instrumento jurídico usado para tentar resgatar uma empresa em crise financeira.
O núcleo financeiro fica em São Paulo e tem alto poder aquisitivo. Uma das empresas que oferece esquemas lícitos e ilícitos tinha uma carta com 260 empresas para oferecer os serviços.
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O esquema se concretizava quando eles encontravam empresas com patrimônio e liquidez. Primeiro desviam o patrimônio para assim, justificar o pedido de recuperação judicial.
Na segunda etapa, uma empresa comprava o patrimônio da empresa em recuperação por um valor abaixo do mercado e, em seguida, revendia.
Então, na terceira etapa, a empresa de fachada pegava uma procuração do real credor e passava a ter direito a voto na assembleia-geral de credores. Assim, conseguia aprovar o projeto de recuperação judicial de forma benéfica ao grupo.
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