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Opinião

Energia e sustentabilidade

Estudos do Ipea indicam que 10% de redução na conta de luz gera um impacto positivo de 0,45% no PIB. Os Encargos Setoriais custam cerca de 13% da conta de luz, somando R$ 35 bilhões ao ano. E chegarão a R$ 50 bilhões nos próximos dois ou três anos, se nada for feito. Dez anos atrás, custavam R$ 10 bilhões.

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O setor elétrico tem como pilar garantir e fortalecer autonomia e soberania nacional, segurança, qualidade de vida e prosperidade. Ao longo dos anos, pressionado pela globalização, tecnologia e agendas ambientais, o setor tem sofrido mutações aceleradas. Agora, é urgente um compromisso dos três poderes pela sustentabilidade dessa força motriz pelo bem do nosso desenvolvimento.

Um país soberano não pode abrir mão de formular e implementar políticas que visem assegurar o planejamento e funcionamento da energia elétrica em seu território. A transição energética impõe mudanças que envolvem a geração limpa, redução de emissões e investimentos em ativos estratégicos.

Mas é preciso analisar as reais necessidades e motivações para políticas públicas. A matriz elétrica brasileira tem mais de 80% de fontes limpas, o dobro da média mundial, o que nos faz refletir sobre a opção por doses excessivas de subsídios que impactam a conta de luz e trazem instabilidade ao setor.

O Operador Nacional do Sistema indica risco de apagão em função do crescimento da geração distribuída. O custo da energia deve ser rateado isonomicamente entre os usuários. Mas hoje, esse custo pesa sobre os mais pobres, que pagam pelo benefício dos mais ricos.

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Temos um subsídio que alcançará mais de R$ 100 bilhões até 2045 na forma da lei 14.300/2022, que dá descontos na conta a quem instala painéis solares. A conta de luz é um instrumento de fácil arrecadação, que alcança quase toda a população, mas vista, muitas vezes, como um recurso para ancorar outras necessidades da sociedade. Hoje, 30% da sua conta de luz é resultado de tributação. É inadmissível a carga tributária alta sobre esse insumo essencial.

Estudos do Ipea indicam que 10% de redução na conta de luz gera um impacto positivo de 0,45% no PIB. Os Encargos Setoriais custam cerca de 13% da conta de luz, somando R$ 35 bilhões ao ano. E chegarão a R$ 50 bilhões nos próximos dois ou três anos, se nada for feito. Dez anos atrás, custavam R$ 10 bilhões.

Também é essencial combater o furto de energia, que gera um prejuízo anual de R$ 10 bilhões, onera a tarifa e traz riscos de segurança à sociedade. Sem uma política pública estruturada, dificilmente teremos êxito no combate ao furto de energia.

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Em breve teremos um cenário de tarifas impagáveis e risco de descontinuidade do sistema, um retrocesso vital para o país.

O funcionamento adequado do setor elétrico é um ativo de todos, especialmente daqueles que mais precisam dele. É preciso colocar a sustentabilidade da energia elétrica em pauta nos debates estruturantes do País.

Wagner Ferreira é diretor institucional e jurídico da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica – Abradee

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