Tal como o farmacêutico que manipula drogas por anos a fio. Assim é o homem de jornal, que faz desta atividade sua profissão ou mesmo a desempenha como mero hobby. São pessoas que têm na palavra, na letra, nos acentos e hífens, uma atividade que lhes traz alegria e satisfação, pois é um vocacionado.
Tanto um como o outro, embutidos na matéria-prima com que se ocupam, criam algo transcendente e mais valoroso: um faz remédios enquanto o outro, como produto acabado de seu mister, cria ideias, mensagens e, sem o querer, assume a responsabilidade da formação da opinião pública nas mais diferentes formas de expressão. Quem escreve em jornal está comprovando todo o dia que nosso cérebro é o mais perfeito computador jamais criado.
Ao produzir, quer na forma de poesia, artigos, crônicas ou editoriais, por anos e anos, ininterruptamente, de maneira e forma sempre diferente nas abordagens dos temas, o jornalista experimenta quase toda a extensão das potencialidades do pensamento – que, como sabemos, é ilimitado. Certa vez escrevi uma dedicatória em um trabalho meu, a pedido de um amigo, algo que escrevi sobre um grilo. Grafei, entre outras coisas, o seguinte: “Sei que meus trabalhos em jornais têm a efemeridade de uma edição!”.
Parece que é assim que acontece com os cronistas. Esta é a forma que penso sobre o homem que escreve para jornal: ele não está preocupado com a posteridade, estágio que é criado – às vezes – por seus pósteros. Quem escreve um livro, aí sim, está se comprometendo com a posteridade. O jornalista é apenas um operário da palavra. Enquanto um escritor pode, apenas com a edição de um livro seu, conquistar a consagração, o jornalista precisa de anos de coerência, de fidelidade à verdade, de paciência chinesa para com sua semeadura diária no campo do seu pensamento publicado, para obter ao fim de uma jornada de vida o reconhecimento pelo trabalho tecido com paciência e sem pretensões maiores.
O jornalismo é difícil. Quem nele está mergulhado – mesmo que só por paixão – sabe bem o sentido destas palavras. Nessa arte, como de certa forma em tudo mais, a gente se especializa “em assuntos gerais”, embora seja preciso reconhecer-se que quanto mais nos diversificamos, mais tendemos à superficialidade. Esta é uma verdade dura que o jornalista – ante certa dinâmica – reluta em aceitar.
Encerrarei este já longo artigo com a citação de um dos pensamentos de Blaise Pascal, publicado em seus famosos “Pensées”, há quase 400 anos, mas sempre atuais, e de um deles me socorro: “Uma vez que não se pode ser universal e saber tudo o que se pode saber sobre tudo, é necessário saber um pouco de tudo. Porque é muito mais belo saber qualquer coisa de tudo do que saber tudo de uma só coisa. Essa universalidade é mais bela. Se eu pudesse ter as duas, melhor ainda, mas, se há uma escolha a fazer, tem de se escolher aquela, e o mundo sente-o assim, porque o mundo é um bom juiz muitas vezes”.
Rubens Amador é jornalista
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