O uso de antipsicóticos em crianças e adolescentes foi associado a um aumento expressivo do risco de diabetes tipo 2 tratado farmacologicamente. Um estudo publicado na revista JAMA Network Open acompanhou 89.991 jovens holandeses, com até 19 anos de idade, que iniciaram o uso desses medicamentos entre 2006 e 2022.
Embora sejam conhecidos pelo tratamento da esquizofrenia e de surtos psicóticos, os antipsicóticos também são prescritos para quadros como irritabilidade relacionada ao autismo, TDAH, ansiedade e distúrbios do sono.
“Esses medicamentos podem ser necessários e proporcionar benefícios importantes à qualidade de vida. No entanto, sua indicação deve ser criteriosa, considerando o risco metabólico desde o início do tratamento, especialmente quando utilizados fora das indicações previstas em bula.”, afirma o médico nutrólogo e intensivista José Israel Sanchez Robles.

Antes do início do tratamento, aproximadamente 2,8 em cada 10 mil jovens utilizavam medicamentos contra diabetes tipo 2. No ano da primeira prescrição do antipsicótico, a taxa subiu para 6,2. Após cinco anos, chegou a 14,6 casos por 10 mil, aumento superior a 300% em relação ao período anterior.
“Embora o risco absoluto permaneça baixo, o aumento proporcional é relevante. Por se tratar de crianças e adolescentes, qualquer alteração metabólica persistente exige atenção e acompanhamento adequado”, avalia José Israel.
As meninas apresentaram maior excesso de risco em comparação aos meninos. O aumento também foi mais expressivo entre adolescentes de 13 a 19 anos, especialmente a partir do quarto ano de uso.
“Os antipsicóticos de segunda geração podem favorecer o ganho de peso e a resistência à insulina. Na adolescência, esses efeitos se somam às alterações hormonais próprias da puberdade, aumentando a vulnerabilidade metabólica.”, explica o médico.
Mesmo entre participantes que utilizaram antipsicóticos somente no primeiro ano, o risco permaneceu elevado posteriormente. O estudo, entretanto, é observacional e não permite estabelecer uma relação definitiva de causa e efeito.
“O resultado não significa que o tratamento deva ser interrompido. A conduta adequada é monitorar o peso, a glicemia e outros indicadores metabólicos, além de orientar sobre alimentação e atividade física. Qualquer ajuste no tratamento deve ser discutido com o médico responsável”, ressalta José Israel.
Você tem WhatsApp? Entre em um dos canais de comunicação do JORNAL DO VALE para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens, clique aqui
JORNAL DO VALE – Muito mais que um jornal, desde 1975 – www.jornaldovale.com
Siga nosso Instagram – @jornaldovale_ceres
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para a redação do JORNAL DO VALE, através do WhatsApp (62) 98504-9192















































