Goiânia está na lista das cidades consideradas “super espalhadoras”. Nesse grupo constam cidades que mais contribuíram no avanço da Covid-19 no país, segundo um estudo realizado por quatro cientistas brasileiros e publicado nesta segunda-feira (21) na revista Scientific Reports. A pesquisa apontou ainda que outros dois fatores contribuíram para que a doença conseguisse espalhar-se pelo Brasil, como o tráfego em rodovias federais e uma distribuição desigual dos recursos de saúde.
Nos três primeiros meses da pandemia no Brasil, de 98% a 99% de todos os casos concentravam em apenas 17 cidades. No entanto, a falta de medidas de restrição de circulação nestes locais facilitou que a Covid-19 se espalhasse para o resto do país. No total, 26 rodovias federais foram responsáveis por 30% da disseminação de casos da doença, segundo os dados de cidades próximas às vias.
Além disso, com a chegada da Covid-19 em regiões do interior com menor infraestrutura de saúde, como leitos de unidades de terapia intensiva (UTIs), o Brasil teve um aumento no número de mortes. “Portanto, se um bloqueio tivesse sido imposto anteriormente nas capitais espalhadoras, restrições de tráfego rodoviário obrigatórias tivessem sido aplicadas e existisse uma distribuição geográfica mais equitativa de leitos de UTI, o impacto do covid-19 no Brasil seria significativamente menor”, conclui o estudo.
Os pesquisadores afirmam que a Covid-19 chegou a Brasil por meio dos maiores aeroportos do país. A partir desse ponto, a dinâmica das cidades fez com que a doença se espalhasse, sendo a cidade de São Paulo a maior disseminadora. Segundo o estudo, nas três primeiras semanas da pandemia, a maior cidade do país respondia por 85% dos casos de infecção pelo novo coronavírus. Apesar disso, outras 16 cidades também se tornaram super espalhadoras do vírus, responsáveis por até 99% dos casos, entre elas, a capital de Goiás, Goiânia.
Rodovias
Apesar da alta circulação do vírus nessas cidades, as viagens nas rodovias brasileiras continuaram durante a pandemia. O estudo mostra que cidades próximas de duas rodovias concentraram o número de casos depois da fase inicial, em 1º de abril. “Assim, em cerca de 30 dias, o SARS-CoV-2 foi transportado para todas as cinco regiões do país, através do eixo norte-sul do Brasil, uma distância de aproximadamente 5.313 km.”
Depois, a Covid-19 chegou ao interior dos Estados, seguindo as rodovias mais importantes do Brasil. Com a interiorização dos casos, a falta de leitos de UTI criou o “efeito bumerangue”. As cidades pequenas enviaram seus pacientes graves para as capitais, o que fez o número de mortes dos grandes centros aumentar de forma distorcida.
Segundo a pesquisa, se o governo brasileiro tivesse colocado em prática um lockdown nacional em março de 2020, a Covid-19 não teria se espalhado tanto pelo Brasil. Os pesquisadores indicam que se bloqueios para testes de viajantes e restrições para viagens não essenciais nas rodovias federais tivessem sido realizados, “o número de casos e mortes de Covid-19 seria significativamente menor em todo o país”.
Segundo a última atualização do Ministério da Saúde, o Brasil bateu a marca de 501.825 mortes pelo coronavírus. O número de casos está em 17,9 milhões.
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