Os ombros inchados revelam o peso da cruz de aproximadamente 50 quilos que Pedro Guedes da Costa, de 70 anos, carrega quase que diariamente pelas estradas do País. O devoto saiu de Caruaru, em Pernambuco, e percorreu mais de13 mil quilômetros a pé até chegar a Goiânia. A peregrinação já dura 7 anos e meio.
A promessa surgiu logo após a cura de uma trombose no pé esquerdo em estágio avançado. “O médico disse que eu poderia até perder o pé e ficar em uma cadeira de rodas. Mas Deus me abençoou e me curou”, destaca.
A partir daí o pernambucano resolveu deixar as três filhas, o filho e o trabalho em um colégio de freiras, onde varria o pátio e as ruas, para agradecer a graça recebida, percorrendo 11 Estados e o Distrito Federal em homenagem aos 12 apóstolos.
Pedro Guedes caminha em média 5 quilômetros ao dia e está agora na reta final. Faltam aproximadamente 30 quilômetros para completar a jornada. Ele pretende levar a cruz que carregou por todos esses anos até a Sala dos Milagres, no Santuário Basílica, em Trindade, durante a Romaria do Divino Pai Eterno.
AJUDA
As mensagens na cruz que o peregrino carrega dão força para que ele continue seu caminho. Cada fita amarrada simboliza as preces dos fiéis. “Muitas pessoas me ajudaram nesses anos todos. Recebi frases de apoio, lembranças, terços e até construíram um carrinho para que eu pudesse levar as minhas coisas. Muitos me pedem também para levar os pedidos e eu faço questão de entregá-los para o Divino Pai Eterno”, detalhou.
Foi nesse caminho que ele conheceu a dona de casa Carmelita Leite, onde está hospedado atualmente, na capital. Os dois se aproximaram em Teresópolis. “Um amigo me apresentou a ele e, como a minha casa fica no caminho para Trindade, eu o recebi com o maior prazer. Nunca imaginei passar por uma situação dessa, mas é muito bom poder ajudar alguém”,disse.
DESAFIO
Além da idade avançada, Pedro Guedes da Costa conviveu com a fome. Ele saiu de Pernambuco com apenas R$ 200 e, pelo caminho, fez amigos que o ajudaram. Mas nem todos concordaram com a promessa. “Já passei por provações. Algumas pessoas, sem que eu entenda a razão, já me agrediram e tentaram impedir a minha caminhada, mesmo eu não tendo feito nada para elas. Mas Deus sempre me acompanhou.” Por vezes, o frio foi sua companhia. “Já dormi em matas, no frio, sem mordomia alguma. Pedia mais fé. Mas vi milhões de estrelas e pássaros assoviando ao amanhecer e isso me motivava, pois era a criação de Deus.”
Informações de O Popular






































