Uma médica que orientou por chamada de vídeo os procedimentos para socorro a um torcedor que passou mal durante a partida entre Brasil e Japão afirmou que, ao acompanhar a cena, sentiu-se “como se estivesse no local” do atendimento. O homem de 60 anos foi vítima de múltiplas paradas cardiorrespiratórias e não resistiu, segundo o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
De acordo com a profissional, identificada como Nágylla de la Rocha, a ocorrência inicialmente foi registrada como traumatismo cranioencefálico decorrente da queda de uma cadeira. Ao ouvir a descrição do solicitante — que relatou coloração arroxeada e ausência de movimentos respiratórios visíveis no tórax — ela concluiu tratar-se de parada cardiorrespiratória e orientou a realização imediata de compressões torácicas.
“Foi muito emocionante. Através da chamada de vídeo, é como se eu estivesse na cena, salvando aquela vida também”, disse a médica, ao relatar que utilizou o telefone pessoal para estabelecer comunicação por vídeo e supervisionar a execução das manobras. Ela ressaltou a importância das compressões eficazes como forma de manter a circulação até a chegada da equipe de emergência.
Segundo Nágylla, as compressões torácicas não reanimam o coração por si só, mas atuam como uma bomba manual que leva sangue e oxigênio ao cérebro e ao coração, preservando órgãos vitais até que um desfibrilador possa ser empregado.
A equipe do Samu compareceu ao local — uma padaria no Setor Marista — e realizou tentativas prolongadas de reanimação. Médica da unidade, Tânia Cristina de Sousa Machado informou que o paciente sofreu quatro paradas cardiorrespiratórias, chegou a apresentar retorno de sinais vitais em algumas ocasiões, mas acabou evoluindo à assistolia. Foram aplicados quatro choques com desfibrilador antes do óbito ser constatado às 15h20.
Autoridades e profissionais consultados ressaltaram a relevância da orientação imediata por leigos instruídos e do uso do suporte por vídeo em situações de emergência, especialmente quando a assistência especializada ainda não chegou. O caso segue registrado nas instâncias competentes para levantamento e eventual investigação.
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