Depois de comprar e vender avestruzes que nunca foram abatidas, de engordar bois que não nasceram nas Fazendas Reunidas Boi Gordo e dos telefones da Telexfree que não davam linha, uma nova onda de investimentos suspeitos cresce pelo Brasil. Os esquemas agora envolvem as moedas virtuais, ou criptomoedas, como o bitcoin. As empresas prometem ganhos de até 50% ao mês sobre o capital aportado pelos investidores.
Proliferam nas redes sociais anúncios de investimentos que prometem ganhos que supostamente ultrapassam 1,5% ao dia, o que é alto demais em qualquer lugar do mundo. O empresário Philip Han, da FX Trading, chegou a declarar que quem não consegue US$ 50 mil por dia é um ‘fracassado’.
A atuação da empresa foi suspensa pela Comissão de Valores Imobiliários (CVM) por atuação irregular. Outra empresa que também está sendo investigada pela CVM é a Unick Forex.
O grupo informou recentemente a seus clientes que saques solicitados até dia 12 via plataforma de pagamento não serão realizados. Alguns investidores se queixam no site da empresa que realizaram saques no mês passado e ainda não conseguiram levantar o dinheiro.
No início deste mês, a CVM publicou uma página especial para alertar aos investidores sobre as principais atividades irregulares no mercado. De acordo com o órgão que regula o mercado de capitais, houve um salto no número de reclamações e questionamentos de investidores sobre gestão, ofertas irregulares e suspeitas de golpes. Foram abertas 369 apurações resultantes de queixas entre 2014 e 2018, com um volume crescente ano após ano.
A CVM alerta que as pessoas devem consultar seu site para verificar se a empresa é autorizada a funcionar, já que o marketing multinível pode ser utilizado como uma fachada para atuação de empresas de pirâmide financeira.
A perspectiva de retornos muito superiores aos proporcionados pelos ativos financeiros tradicionais é o grande chamariz dessas plataformas.
Mas, o investidor deve ficar sempre atento e lembrar que se o ganho parece irreal, é porque ele é. Antes de injetar qualquer dinheiro em uma empresa que se autodenomina Marketing Multinível, é importante verificar: se existe alto custo para aderir ao esquema; se falta esforço real de vendas de produto ou serviços; e se o produto não tem qualquer valor real ou poderia ser feito por algum software.
Marketing Multinível
Marketing multinível é uma modalidade de negócio que envolve a venda direta de produtos. Além dos próprios revendedores se engajarem na comercialização, eles constroem redes de colaboradores associados e passam a receber comissões sobre o faturamento de todo o grupo.
De acordo com o site da Associação Brasileira de Vendas Diretas (ABVD) existem hoje no Brasil mais de 40 empresas que atuam em setores diversos, desde a venda de cosméticos, até produtos de limpeza ou recipientes plásticos.
A empresa deve ter um produto ou serviço que de fato seja consumível pelo mercado. A advogada e vendedora de uma empresa de rejuvenescimento de marketing multinível, comenta que pesquisou muito sobre a empresa antes de entrar. “Pesquisei a licitude da empresa e me certifiquei que os produtos de fato tinham qualidade”, comentou Karla Zardini.
Segundo ela, muitas empresas utilizam a plataforma como “fachada” para negócios clandestinos.
“Infelizmente as pirâmides valem-se desse sistema multinível para mascarar um negócio ilegal, com promessas de riqueza em curto prazo”, explicou
Karla. A empreendedora comentou ainda que existem grandes empresas de vendas diretas que, de fato, são sólidas. “É preciso separar o joio do trigo”, disse.















































