Um dos advogados que realiza a defesa do agropecuarista Miller Diogo de Oliveira Nascimento, de 34 anos, suspeito de assassinar ontem (14), o advogado Ricardo Xavier Nunes, de 54 anos em Nerópolis, Tadeu Bastos, confirmou que o crime não possui relação com a atividade profissional da vítima.
Na noite deste sábado, Miller foi preso em flagrante em uma fazenda de conhecidos no município de Rubiataba e após ser interrogado pelo delegado da Polícia Civil (PC), André Fernandes, que conduz as investigações, ele foi encaminhado para a Unidade Prisional de Goianápolis.
“Ambos são de uma mesma família e vizinhos de fazenda, mas o relacionamento entre eles nunca foi bom”, disse Tadeu Bastos que atua pela defesa de Miller junto com o advogado Paulo Henrique Pimenta, de Nerópolis.
De acordo com Tadeu, o suspeito contou no interrogatório que problemas relacionados à cerca das propriedades rurais eram recorrentes. Ricardo, de acordo com o depoimento de Miller, com a cerca danificada, costumava apreender em sua fazenda o gado do vizinho, às vezes marcando como seu, às vezes o comercializando.
“Na noite anterior ele esteve lá e fez um disparo contra o pai de Miller”, detalhou o advogado. Irritado com a situação, Miller teria ligado para Ricardo para tirar satisfação e este disse que soltou “uma bombinha para espantar uma onça”, mas sugeriu que conversassem pessoalmente. “Foi por isso que Miller esteve na casa dele, mas na conversa Ricardo confirmou que tinha atirado e que da próxima vez não erraria o alvo. Miller atirou num momento de descontrole emocional. Ele estava abalado com a possibilidade da concretização das ameaças proferidas por Ricardo”, comentou Tadeu Bastos.
O presidente da Comissão Especial de Apuração de Crimes Violentos Contra Advogados da Ordem dos Advogados do Brasil – seção de Goiás (OAB-GO), Edmundo Dias está convicto de que a tragédia não tem vínculo com a atuação profissional de Ricardo Xavier Nunes, mas entendeu o fato como “uma grande covardia”. O vídeo mostra o momento em que Miller atira à queima-roupa em Ricardo e abandona o local do crime.
https://youtu.be/ueoQg0FnjUQ
Tadeu espera que seu cliente responda o processo em liberdade. “Vamos aguardar as investigações. Ele respondeu a todas as perguntas e, pelo seu histórico, não há justificativa para ficar preso. Ele nunca teve nenhum problema com a Justiça”. A família de Miller Diogo também vive em Nerópolis.
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