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ONU alerta para retorno iminente do El Niño e risco crescente de eventos climáticos extremos

“O mundo deve tratar o El Niño 2026 com a urgência climática que ele é. A única resposta eficaz é uma ação climática à altura da crise”, afirmou António Guterres, secretário-geral da ONU.
ONU alerta para retorno iminente do El Niño e risco crescente de eventos climáticos extremos. Foto: Reprodução

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A Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu um alerta urgente nesta terça-feira (2/6) sobre o retorno iminente do fenômeno El Niño, que deve se desenvolver entre junho e agosto com 80% de probabilidade e pode atingir intensidade moderada a forte. A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU, estima ainda 90% de chance de o fenômeno persistir até pelo menos novembro de 2026.

Principais impactos previstos

O El Niño deve intensificar eventos climáticos extremos em diversas regiões do planeta. As secas mais severas devem atingir América Central, norte da América do Sul, Austrália, Indonésia e sul da Ásia. Chuvas intensas são esperadas na América do Sul, sul dos Estados Unidos e na Ásia Central. Ondas de calor devem ocorrer em quase todas as regiões do planeta, com temperaturas acima do normal. Também há risco elevado de incêndios florestais em regiões com seca prolongada e possível quebra de safra que afetará os sistemas alimentares globais.

Por que este alerta é particularmente preocupante?

Dois fatores tornam a previsão de 2026 especialmente alarmante. Primeiro, a maioria dos modelos climáticos sugere que o evento será no mínimo moderado, com possibilidade de atingir níveis fortes ou muito fortes. Segundo, a temperatura média do planeta já está 1,3°C acima dos níveis pré-industriais, o que amplifica os impactos do El Niño.

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“Precisamos nos preparar para um possível evento El Niño forte, que exacerbará a seca e as chuvas intensas e aumentará o risco de ondas de calor tanto em terra quanto no oceano”, afirmou Celeste Saulo, secretária-geral da OMM.

O que é o El Niño?

O El Niño ocorre quando ventos que empurram as correntes quentes para o oeste enfraquecem ou mudam de rota, permitindo o aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico tropical central e oriental. O fenômeno faz parte do ciclo Oscilação Sul do El Niño (ENSO), que alterna entre El Niño, La Niña e neutralidade. Ele ocorre a cada 2 a 7 anos, com duração de até 12 meses. Seu pico costuma ocorrer entre o final do ano e início do seguinte. O último episódio ocorreu em 2023-2024, anos que se tornaram os dois mais quentes já registrados.

Chamada para ação climática urgente

Diante do prognóstico, a ONU defende medidas imediatas. É preciso acelerar a transição energética para renováveis e reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Também é necessário ampliar sistemas de alerta precoce para todas as comunidades e reforçar a proteção às populações mais vulneráveis.

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“O mundo deve tratar o El Niño 2026 com a urgência climática que ele é. A única resposta eficaz é uma ação climática à altura da crise”, afirmou António Guterres, secretário-geral da ONU.

O alerta da ONU chega após uma onda de calor inédita e precoce na Europa Ocidental, com temperaturas batendo recordes para maio em Portugal e França. França e Noruega registraram a maior temperatura média para a primavera do Hemisfério Norte desde o início de suas séries históricas, 1900 e 1901, respectivamente.

As previsões são particularmente preocupantes para as cadeias de abastecimento de alimentos, pressionadas não apenas pelas mudanças climáticas, mas também por tensões geopolíticas globais.

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