Um homem natural de São Paulo foi preso em Goiânia após sequestrar o próprio filho e mantê‑lo em cárcere privado por quase dois anos, em uma pousada localizada na divisa da capital goiana. A prisão ocorreu em operação conjunta das polícias civil de Goiás e de São Paulo, que conseguiu rastrear o paradeiro do suspeito após investigações que cruzaram registros cartorários, dados de telecomunicações e checagem de locais em que o pai teria vivido após o desaparecimento da criança.
O menino, de 9 anos, desapareceu em 2023, quando o pai o retirou da guarda da mãe sob a alegação de que precisaria levá‑lo a um passeio. Entretanto, ele não devolveu o filho e cortou todo contato com a família materna. Desde então, a criança passou a ser considerada desaparecida pelas autoridades paulistas, que chegaram a registrar boletim de ocorrência por sequestro. Ao longo desse período, a mãe não teve acesso ao filho, nem escola, nem convívio social, permanecendo totalmente isolado sob o controle do pai.

As investigações apontaram que o suspeito havia saído de São Paulo e se mudado para Goiás, onde passou a morar em uma pousada de beira de estrada, em região de área erma, próxima à divisa da capital. Lá, ele alugava um quarto e mantinha o menino trancado junto com ele, sem que a criança tivesse oportunidade de circular livremente ou de manter contato com pessoas de fora. Testemunhas relataram que não viam o garoto nas áreas comuns do estabelecimento, o que reforçou a suspeita de cárcere privado.
Na terça‑feira, agentes da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (Dercc), de Goiás, em conjunto com a Divisão Especializada de Investigações Criminais de Araçatuba (Deic/Deinter 10), determinaram a abordagem da pousada. Os policiais cercaram o local, identificaram o pai e encontraram o menino dentro do quarto. Apesar do isolamento prolongado, a criança foi avaliada por profissionais de saúde e liberada em boas condições físicas, sendo encaminhada imediatamente ao convívio da mãe, conforme orientação judicial.
O suspeito foi preso em flagrante por sequestro qualificado e cárcere privado. O caso foi encaminhado à Justiça, que determinou a conversão da prisão em preventiva, diante da gravidade do crime e da necessidade de garantir a proteção da vítima. A mãe, que chegou a viajar a Goiás para acompanhar o resgate, relatou o sofrimento de dois anos sem saber se o filho estava vivo ou em que condições se encontrava, e afirmou que agora busca iniciar um processo de recuperação emocional e psicológica para o menino.
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