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Senado vai ouvir a voz das ruas sobre impeachment, diz senador Wilder

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O senador Wilder Morais afirma que seu partido, o PP, vai agir de forma republicana no processo de admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Conforme o senador goiano, o resultado da votação da Câmara Federal em favor do impeachment é fruto do clamor popular.  Ou seja, existe ambiente propício para que o impedimento seja discutido. “Temos pela frente uma denúncia formal já apreciada pelos deputados. Ela foi feita por meio de uma acusação. Dilma se defendeu. E os parlamentares votaram. Agora o Senado terá obrigação de seguir o que manda a legislação e apreciar o mérito desta acusação de que exista crime de responsabilidade”, diz.    
De acordo com Wilder,  o Senado também ouvirá as ruas: “Não podemos cometer o erro da presidente. O governo ignorou a população e agora paga o preço merecido. As manifestações começaram em 2013. Ela teve tempo suficiente para responder de forma adequada”. Ouvir as ruas significa, conforme Wilder, dar prosseguimento ao processo. “Evidentemente que não estamos em um Tribunal de Exceção. Logo, é preciso garantir o contraditório e a ampla defesa”.
O senador afirma que a bancada goiana está empenhada em defender o impedimento da presidente, mas a ação não é orquestrada por ninguém. “Existe uma avaliação racional e lógica. O povo de Goiás sempre questionou a falta de obras, a presença reduzida do governo federal no nosso estado.  Fica difícil procurar embasamento popular para qualquer espécie de defesa da presidente”, diz o senador.
Diferentemente dos deputados, que representam a população e segmentos sociais, Wilder esclarece que o senador tem a função de representar o Estado. Assim, qualquer atitude precipitada é o Estado que perde, daí a precaução e atitude mais sóbria.  “A representatividade do senador  tem responsabilidade com o Estado, daí que são fixos três para cada unidade federativa. Nem um a mais nem um a menos. Isso, todavia, não significa que nossas decisões não tenham paixão, visão de mundo, etc. Mas a técnica e a observação do processo em sua forma são essenciais”.
Wilder destaca que o processo no Senado deverá ser ágil. “O próprio presidente da casa, senador Renan Calheiros, disse que até 10 ou 11 de maio teremos essa votação”. Wilder afirma que a tramitação do impeachment é, todavia, diferente. “Agora o Senado será autorizado a julgar Dilma. A Câmara não decidiu se ela tem culpa, mas se o Senado pode julgar. Foi assim a decisão. Para que isso ocorra, essa decisão de mérito, teremos que ter a chamada maioria  simples da casa (que significa o voto de 41 senadores)”, explica o senador.
Wilder afirma que se os senadores, por fim, decidirem abrir o processo, a presidenta terá que ser afastada por até 180 dias. “Nesse prazo tem que ocorrer o julgamento.  E, sim, o vice Michel Temer (PMDB) poderá assumir o cargo. Mas interinamente, por enquanto”, finaliza Wilder.
 
População deve acompanhar e cobrar dos senadores
O senador Wilder alerta para o desfecho: “Muitas pessoas acham que já existe número suficiente de votos contra Dilma no Senado. Não é bem assim. Na imprensa, mostram 44, 45 senadores que declararam voto pró-impeachment. No julgamento final pelo Senado, a presidente só é deposta se  54 senadores votarem pelo impeachment.  É  a mesma regra da Câmara: dois terços do total. Daí que aqueles que defendem o impeachment devem acompanhar os placares dos sites de notícia e conversar com seus senadores.  Existe uma tendência de impeachment, mas é que nem jogo: se ganha nos 90 minutos e no campo”.
Wilder afirma ainda que o país precisa de estabilidade política, para acalmar e estabilizar a economia e, enfim, o segmento empresarial trabalhar. “O que mais preocupa hoje, com certeza, é a taxa de desemprego, que é crescente. Será preciso uma ação rápida para impedir que ela aumente ainda mais”, diz o senador.
 

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