Vanusa da Cunha Ferreira, de 36 anos, enfermeira e motorista de aplicativo foi assassinada e vítima de tentativa de estupro porque não quis manter relações sexuais com o suspeito. Preso desde a última segunda-feira (21), Parsilon Lopes dos Santos, o Camargo, de 45 anos, afirmou à Polícia Civil (PC) que abusou do corpo da vítima e que não houve penetração porque ele não conseguiu ter ereção. Ele também disse que morte foi uma fatalidade.
Parsilon vai ser indiciado pelos crimes de homicídio qualificado para feminicídio, tentativa de estupro e vilipêndio a cadáver. As penas somadas podem chegar a 44 anos. A PC também irá solicitar a conversão da prisão temporária (de 30 dias) em preventiva.
Parsilon já somava cinco passagens pela polícia por ameaça, injúria, dano e Lei Maria da Penha. Com exceção de um caso de 2009, os outros de 2013, 2014 e 2015 são contra a ex-mulher com quem ele tem um filho. O homem afirmou ser um trabalhador esforçado e, apesar dos registros, negou as condutas delitivas. “Nunca aconteceu isso na minha vida. Pode pesquisar minha vida. Eu não vou nem falar das pessoas que me conhecem pra não fazer média. Foi uma fatalidade. Eu errei e quero pagar pelo que eu fiz. Foi um acidente”, afirmou.
Conforme a versão dada à PC por ele e pelas testemunhas, Vanusa prestava os serviços como motorista particular há quatro meses. Na noite do crime, ela buscou uma dupla sertaneja e um músico no Terminal Rodoviário de Goiânia e também pegou Camargo, como é conhecido Parsilon Lopes, em um bar. Juntos, eles foram para uma casa de dança no Jardim Novo Mundo, em Goiânia, onde permaneceram até 2h40 de sábado. Na sequência, a motorista deixou os três jovens no Bairro Feliz e seguiu para Aparecida de Goiânia, destino final de Parsilon Lopes.
O homem que confessou ter matado Vanusa era serralheiro e tinha perdido o emprego, mas estava prestando serviço em uma chácara no Jardim Copacabana, em Aparecida de Goiânia. O local fica próximo de onde o corpo de Vanusa foi encontrado na noite de domingo (20). “Chegando ao local, ele disse que ainda permaneceu um tempo no carro e terminou de beber uma lata de cerveja. Ele conta que chamou Vanusa para entrar e ela aceitou. Parsilon continua afirmando que ela estava esperando alguém. Ele fala que entendeu que dentro do carro já havia pintado um clima entre eles. É a impressão dele. Ali ele diz que começou a abraçá-la e ela dizendo que não. Chegou a falar que esta não era a orientação sexual dela, mas que na cabeça dele entendeu que se forçasse um pouco, ela toparia”, afirmou a delegada Mayana Rezende, titular da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic).
Mayana afirma que Vanusa não havia ingerido bebida alcoólica e diz ainda que segundo as testemunhas, Parsilon já teria insinuado algo para a vítima na Casa de Shows e que ele não teria gostado. “Quando o suspeito tentou estuprá-la, a vítima ofereceu resistência. Ele impôs uma força, jogou-a no chão e caiu sobre ela. Ela bateu a cabeça no meio-fio e já ficou desacordada. Parsilon então puxou pelos braços e bateu novamente a cabeça dela. Já percebendo que ela estava morta, disse que ficou desesperado, mas não o suficiente porque tirou a roupa dele e praticou atos libidinosos contra ela”, finaliza.
O suspeito contou à polícia que, como não conseguiu ter ereção, passou as mãos nos seios e na vagina da vítima. Por esse motivo, segundo ele, não houve penetração. A informação, entretanto, só poderá ser confirmada após a conclusão do laudo do IML. Após abandonar o corpo da vítima, o suspeito teria dormido em um hotel e vagado pelas ruas da cidade, sem lugar para ficar. Ele foi abordado pela Polícia Militar (PM) e transtornado já falou sobre o crime.
A informação sobre a dívida de R$ 1.300,00 que o suspeito devia à vítima foi confirmada pela polícia, mas não teria nenhuma relação com a motivação do crime.
Último contato às 3h30
O último contato feito pela motorista de aplicativo Vanusa da Cunha Ferreira, de 36 anos, com a namorada foi por volta de 20h30 da última sexta-feira (18) e às 22 horas ela avisou a uma amiga, Daniela Cássia de Morais, também motorista de aplicativo, que faria a última corrida para Camargo. Ela disse que iria embora em seguida porque no sábado, às 7 horas, teria aula de pós-graduação. Por volta de 3h30 ela teria enviado a foto do cliente para a filha de 18 anos e a última visualização no aplicativo WhatsApp foi às 4h17 de sábado. Desde então, não deu mais notícias.
Na manhã desta quarta-feira (23) a filha de Vanusa, Jackelline, de 18 anos, e uma sobrinha identificada apenas como Rafaela estiveram na delegacia. Chorando muito a filha não conseguiu se pronunciar. “Queremos apenas justiça. É muito difícil para a filha porque ela não tem contato com o pai. Moravam apenas as duas. É uma dor muito grande”, afirmou Rafaela.















































