Uma operação conjunta das polícias Civil e Militar desarticulou, na manhã da última sexta-feira (22), um esquema que teria como objetivo um assalto a banco previsto para julho em Trindade. Durante a ação, o principal suspeito apontado como líder do grupo, identificado como Crenilton Ferreira Barreto, de 44 anos, morreu em confronto com a Polícia Militar no Conjunto Vera Cruz, na região oeste de Goiânia, depois de reagir à abordagem e abrir fogo contra os agentes.
Segundo o delegado Rafael Borges, do 1º Distrito Policial de Trindade, a investigação vinha acompanhando os passos do grupo há aproximadamente duas semanas. Relatórios e interceptações indicaram avanço no planejamento e, sobretudo, a existência de armamento e explosivos na mão dos investigados, o que motivou os policiais a anteciparem a operação antes do prazo inicialmente previsto para pedir medidas cautelares.
“Tivemos informações sensíveis de que eles estariam planejando esse fato há aproximadamente 15 dias. Já havia um relatório policial e eu dependia de diligências finais para representar por uma medida cautelar, mas não houve tempo e foi preciso antecipar essa ação operacional antes que o crime de fato ocorresse”, afirmou o delegado à reportagem.
Abordagem e confronto
A tentativa de abordagem ocorreu na residência atribuída a Crenilton, no Conjunto Vera Cruz — bairro limítrofe a Trindade. Conforme a PM, ao perceber a aproximação das equipes, o suspeito reagiu e disparou contra os agentes. Os policiais revidaram; Crenilton foi baleado e declarado morto no local. Não houve registro de feridos entre os policiais, segundo as corporações.
Na casa do suspeito foram apreendidos materiais que indicam preparo para ação violenta: armas, componentes que seriam usados para confeccionar explosivos e equipamentos associados a ações contra caixas eletrônicos. Por segurança, o Batalhão de Operações Especiais (BOPE) procedeu à detonação controlada dos artefatos encontrados.
Antecedentes e especialização
De acordo com a Polícia Civil, Crenilton tinha vasta ficha criminal: somava 46 anos de condenação por crimes que incluíam roubos a caixas eletrônicos, uso e tráfico de drogas e uso de documentos falsos. O delegado Rafael Borges ressaltou que o perfil dele — com especialidade técnica em explosivos — tornou o caso de alta periculosidade e aumentou o risco de um atentado de grande alcance caso o plano não fosse interrompido.
Áudios interceptados pela investigação, segundo a autoridade, trazem o próprio suspeito detalhando parte do planejamento. O material aponta, ainda, que Crenilton tentava burlar o monitoramento eletrônico: apesar de estar em liberdade com tornozeleira eletrônica, ele articulava a rompê-la para executar o roubo.
Organização em núcleos
As investigações revelaram que a suposta quadrilha operava em núcleos independentes e bem articulados, uma característica frequente em ações de grande complexidade envolvendo roubo a bancos. Segundo o delegado, integrantes de diferentes núcleos costumam se conhecer apenas no dia da ação para reduzir rastreabilidade e risco de prisão durante as fases preparatórias.
“Normalmente é típico dessas organizações criminosas, em casos de roubo a banco, trabalharem em núcleos. Um núcleo não conhece o outro; eles gerenciam as pessoas e somente no dia do crime é que se encontram para dar início à empreitada. São bem organizados e bem inteligentes”, explicou Borges.
Próximos passos da investigação
Com a neutralização do suspeito, a Polícia Civil assume a continuidade das diligências para identificar e localizar demais envolvidos. A corporação já analisa os materiais apreendidos, os áudios interceptados e as imagens obtidas durante as semanas de monitoramento. A investigação buscará esclarecer a cadeia de comando, fornecedores de material explosivo e possíveis destinos dos recursos obtidos em eventuais crimes anteriores.
Autoridades não informaram, por ora, se há mandados de prisão em aberto ou se foram expedidos pedidos de prisão preventiva contra outros suspeitos. Familiares e vizinhos do local onde ocorreu o confronto serão ouvidos como parte das apurações.
Em nota, a Polícia Militar afirmou que a ação resultou na “neutralização de uma ameaça significativa” e destacou o “trabalho integrado com a Polícia Civil” para evitar a consumação do crime. A Polícia Civil informou que seguirá com as apurações e que divulgará detalhes à medida que as diligências avancem.

Você tem WhatsApp? Entre em um dos canais de comunicação do JORNAL DO VALE para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens, clique aqui
JORNAL DO VALE – Muito mais que um jornal, desde 1975 – www.jornaldovale.com
Siga nosso Instagram – @jornaldovale_ceres
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para a redação do JORNAL DO VALE, através do WhatsApp (62) 98504-9192











































